DÍADE EM QUATRO ATOS

Ao menos uma vez na vida eles se encontram

Já era a hora

No início

Aquele desconforto

De quem esbarra sem querer com o estranho intimo

Olhos nos olhos

Tensão

Vai com tudo

Round 01

Eu sempre quis

A liberdade para ir e vir

O amor que arrebata o ser

A coragem de gritar para que o mundo me enxergasse

Sempre quis tantas coisas

Tantas…

Fiz tudo que me falaram

Dei o melhor de mim

Mas até agora

Nada

Round 2

Sinto em dizer, cortou a voz serena

E sentir, você sabe, não é da minha natureza

Sua rebeldia é no mínimo divertida

Você grita aos quatro ventos

Mas na verdade

Nunca, nunca quis nada disso

Round 3

Como ousa dizer isso?

Ecoa a voz no silêncio do infinito

Para a outra parte de mim

Round 4

Está escrito

(Reverbera)

No seu caderno de segredos

Aquele escondido de todos

Mas nunca de mim

Crédito da imagem: Pexels

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.

Feliz aos 40

Era seu 40° aniversário. Olhou-se no espelho após a festa e sentiu que as rugas começavam a pular de seu rosto, uma a uma. Passou removedor de maquiagem e tocou em sua própria face, percebendo cada marca de expressão.

Jogou água no rosto.

Como em um mapa, ele trazia os caminhos de uma história: quarenta anos de luta. Na testa, três linhas apontavam para seus casamentos perdidos. No contorno dos olhos, podia ver seus grandes amores. E no canto da boca, suas expectativas e desencantos profissionais.

Jogou água no rosto mais uma vez.

Precisava sacudir aquela poeira e espantar o pensamento tão negativo. Na vida, é possível ver o copo meio cheio ou meio vazio. Olhar para a própria idade e pensar…

“meu Deus, 40!”

ou

“são apenas 40”

Como dizia sua falecida mãe: “Sou só uma senhora. Uma jovem senhora”.

***

Ligou então o som.

Ouviu músicas que amava.

E lembrou de beijos, de sons, e momentos marcantes. E questionou a si mesma: Por que olho tanto para trás?

E como em um filme, daqueles bem existenciais, colocou seu vestido mais bonito. Trocou a maquiagem. E dançou sozinha. Dançou, e dançou, e dançou…

O telefone tocou. Mensagens chegaram. A campainha soou. Mas ela só queria estar ali. Sozinha com seu vestido mais bonito, ouvindo suas músicas, e se sentindo em paz. Porque aos quarenta (nossa, como seria bom se por toda a vida fosse assim), você só quer tranquilidade, autocuidado e fazer aquilo que de fato gosta, livre de convenções e obrigações sociais.

Apenas ser feliz consigo mesma. E mais…

 

NADA

 

Crédito da imagem: Pexels Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.

 

Rosi por Rosi

Me definir parecia fácil, mas não é tão simples assim. Agora que decidi escrever sobre isso, me deparei com uma aridez criativa, então vou deixar as palavras fluírem pro papel e espero que façam sentido… quero saber mais de mim, conhecer profundamente meus pontos fracos e fortes, me desvendar para extrair o melhor que posso oferecer a mim e aos outros. Amadurecer tem um preço e já que vou pagar, quero ser cliente plenamente satisfeita.

Ser pisciana e bissexta, nascida em 1968, me faz sentir especial de um jeito único. A cada 4 anos comemoro meu niver em dobro e custo a envelhecer, então tenho 54 com espirito de 13 (as vezes, o juízo também é de adolescente, rs)! Esse fato revela muito de mim. Nascer num 29 de fevereiro foi muito mágico, e ter sido registrada no dia 28 me fez preferir os números pares. Curto todas as características do meu signo, as positivas e as negativas, convivo com elas e procuro crescer com minhas pequenas falhas, afinal tenho só 1,50m, rs. Amo lua cheia e aqui no litoral catarinense, ela fica maior e mais próxima, então essas são minhas noites prediletas!

Mar e samba, dupla imbatível que já consegui conciliar aqui em NVGT. Do mar amo o movimento, a energia, o cheiro, o som, a imensidão. Do samba amo as letras, as melodias, quem compõe, quem canta, a vibe. Ouvir samba olhando o mar (exatamente como agora) é puro êxtase! Quantas lições aprendidas, noites e madrugadas de diversão, amizades nascidas e mantidas, observações de diversas facetas humanas.

Música embala minha vida, e gosto de fazer as coisas sempre com trilha sonora: estudar, faxinar, transar, scrapear, ler, escrever, cozinhar… também canto no chuveiro e quando estou sozinha em casa, quem nunca né??!!!!

Cores me representam muito. Verde é a cor de mamy, esperança e otimismo! Laranja é a cor de Manu, energia e foco! Azul é a minha cor, porque “o amor é azulzinho”! As chitas e seus florais simbolizam vibração, alegria, diversidade, resistência! E Frida em suas cores, ora suaves ora fortes, expõe todas as angústias e alegrias da alma feminina, então me incluo! Minha cromoterapia é feita diariamente através das minhas roupas, da decoração do meu quarto, do meu scrap, do meu planner e do meu diário. Cor em tudo, cor é vida!

Os gatos chegaram na minha vida e mudaram muita coisa, tanto na forma de pensar, quanto na forma de agir. Seus hábitos rotineiros, sua languidez e charme, a incrível habilidade de se divertir com bolhinhas de papel e caixas de papelão, o mistério de seu olhar, os sons reikianos que emitem, ensinaram-me a arte de ligar o foda-se e de decidir ser feliz diariamente! Conselho para quem não é gateiro: permita-se conviver, chances grandes de se apaixonar! Mas aviso, impossível ter um gato só! Para amenizar a saudade dos meus cats, sou “madrinha” do Paulo Freire, o gato frajola da minha nova amiga Rita e uma vez por semana, faço uma visitinha!

Gastronomicamente falando, sou glutona, quem me conhece sabe, ser gordelícia tem seu preço, rs. Gosto de doces e salgados na mesma proporção, então sou bem eclética. Comes: limão lembra meu pai, carrê lembra minha mãe, “quadradinho de sardinha” lembra minha irmana, batata frita lembra Manu, gelatinas coloridas lembram Matheus, doce de laranja da terra lembra minha infância, minha avó Adelaide e minha tia Martha.

Bebes: água é a predileta, cerveja para os dias quentes e para os dias não tão quentes também, vinho para certas ocasiões, caldo de cana para energizar, e refrigerante não mais.

Esses escritos farão muito sentido para o novo psicólogo catarinense (eu acho), começar uma terapia do zero é muito cansativo, então vou dar meus textos pra ele ler, afinal são autobiográficos mesmo. Vai ser meio caminho andado como dizia minha mãe. Essa é outra característica minha, amo os ditados e os provérbios, sábias e engraçadas palavras.

E agora vou encerrar com a receita do Quadradinho de Sardinha, porque é muito gostoso e vocês vão adorar:

INGREDIENTES: 3 gemas, 1 colher de café de sal, 1 xícara de chá de óleo, 1 xícara de chá de queijo parmesão ralado, 1 copo de leite (copo de requeijão), 1 ½ xícara de chá de amido de milho, 2 xícaras de chá de trigo, 1 colher de sopa de fermento em pó, 3 claras batidas em neve, tomates em rodelas, 2 latas de sardinha ao molho de tomate, 2 ovos cozidos em rodelas, azeitonas em rodelas, pimenta do reino a gosto, orégano a gosto e queijo parmesão para polvilhar.

MODO DE FAZER: Bata as gemas com o sal, o óleo, o queijo ralado e o leite. Adicione a maizena, a farinha de trigo e o fermento peneirados juntos. Bata bem. Por último coloque as claras em neve. Coloque a massa em forma retangular grande untada e enfarinhada (a massa rende). Coloque as rodelas de tomates, as sardinhas com o molho sem as espinhas, os ovos cozidos em rodelas e as azeitonas sobre a massa. Polvilhe a pimenta a gosto, o orégano e o queijo ralado a gosto. Asse em forno moderado por 25 minutos. Corte em quadrado para servir.

Não tenho todos os ingredientes dessa receita no meu armário, mas assim que tiver, vou fazer e matar as saudades da irmana! Esse é em tua homenagem, te amo irmana fermosa irmana!

Rosi Santos

Navegantes, 23 a 26 de abril de 2022.

Crédito da imagem: Pexels Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.

Metade da alma

Eu sei como começou e foi engraçado pra caramba. Eu lembro de tantos detalhes quanto me esqueço deles. Você é uma amizade que só de lembrar tenho vontade de te conhecer de novo, de passar todos os momentos novamente e rir de muitos deles.

Mesmo que passem 3 décadas, parece que foi ontem que nos vimos pela primeira vez e eu usei meu dom de fazer piada ruim, coisa que sei fazer bem. Já escrevi tanto sobre nossa amizade e ainda tem muito que quero falar.

A principal característica da gente é a persistência e a reciprocidade.

Eu amei te conhecer e continuo adorando o fato que nossa amizade é como um abraço apertado e um beijo estalado na bochecha, é um sentimento muito acolhedor e às vezes eu posso ficar sem palavras pra descrever tudo isso que somos.

Muito obrigada por existir e por essa amizade tão incrível!

Crédito da imagem: Pexels

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.

Encontro

O sol que brilhava no céu foi testemunha do amor mais belo.

O sentimento mais ardente

Aquele envolvimento marcante

Eram 15 horas, movimentação a todo vapor pelas ruas

Um olhar se encontrou com outro olhar

A batida do coração se ouvia a distância

As mãos tremeram e o primeiro passo foi ofegante

Aconteceu um encontro de duas almas gêmeas.

Deram um passo e se voltaram…

Telefones trocados e início de uma boa história de amor.

Marcaram um encontro

Saíram juntos…

Gostaram e marcaram novamente

Os encontros continuaram

Encontros lindos e longos

Se viam todos os dias

Sobrevivendo diante das situações cotidianas.

Crédito da imagem: Pexels

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.

sem título

Se bater em meu rosto agora
o único som que ouvirá não é o do grito,
ou o do pranto,
ouvirá o som surdo da casca oca.

Se violentar meu peito agora,
com a força da pancada bruta
não sentira a carne que afunda e sim estilhaços cortantes que me sangram mas não a ti.

Se forçar seu corpo contra o meu
num agora a pouco
não sentirá o gozo contrarindo o corpo
e sim uma leve brisa
úmida e morna
saindo da boca,
um último suspiro de um alguém que não existe mais.
A um alguém não esteve e que foi.
A um alguém que está mas não é.
A um alguém que é mas não está.

Lançar mão
De toda munição
Disparar todos os gatilhos.
Para não fazer meu
Teu desespero.

Crédito da imagem: Pexels

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.

O GRANDE ENCONTRO

O encontro não foi grande, muito pelo contrário, foi pequeno e intimista. Lembramos os velhos tempos, nos atualizamos dos eventos do presente e especulamos o futuro. Apenas umas poucas horas ilustrada por uma bela paisagem, regada a água, chopp e uns pastéis foram o suficiente para a nostalgia da nossa amizade.

Reencontrar uma amiga das antigas é assim: rimos, choramos, nos emocionamos e comemoramos. No final, dissemos até breve, nos reencontraremos em algum dia num futuro incerto. E está tudo bem!! Faz parte da vida.

Elaine Resende (@criaelaineresendene) foi minha primeira chefe, quem viu em mim um talento e acreditou no meu potencial profissional. Foi quem disse: “- É novinha, mas espertinha”. Era início do ano de 2005, tinha acabado de ser aprovada no vestibular e passava pela experiência da primeira entrevista de emprego para o qual acabei sendo contratada. Alí nos conhecemos e nasceu uma amizade que completou 17 anos. 

Seguimos nossos caminhos em paralelos, primeiro ela saiu para novos desafios, um tempo depois eu que passava num concurso e partia. Ela casou, teve filhos, passou num concurso e trocou 2 vezes de cidade. Eu também passei no concurso e anos depois também me mudei para outro estado. 

Há alguns anos eu estive a trabalho na cidade onde ela mora.  Esse ano ela quem veio a trabalho na cidade que moro. Coincidência? Alinhamento dos astros? Destino? Não faço ideia, mas sou grata esse presente de Deus! Podemos ficar, dias, meses, anos sem nos falar, mas quando damos ‘olá’ é uma festa que o referencial de tempo e espaço não rompe jamais.

Lembrei de quando os meninos eram bem pequenos, com todas as dificuldades de logística e eu dava um jeito de encontrar com ela, assim mesmo. Um encaixe na agenda, quase uma consulta médica, contada no relógio. Mas era tão bom!! Ela me pedia desculpa por não conseguir me dar tanta atenção que gostaria e eu agradecia por me permitir fazer parte daquilo tudo. 

Ela sempre me incentivou tirar um ano sabático, fazer uns passeios, esquecer das obrigações profissionais e compromissos  estudantis. Eu nunca consegui realizar, o máximo que fiz foram 30 dias no Canadá sozinha, só que para estudar (mas foi bom demais). Ironia da vida, ela criou um blog de escrita feminina de nome “Sabático Literário” (neste mesmo que escrevo) e me convidou para colaborar com o projeto. Aí está, o “meu ano sabático” foi realizado de uma forma um pouco diferente e chegou através dela. Não foi exatamente aquele que idealizou pra mim, mas foi o mais próximo que cheguei. rs

Foram poucas horas pra contar tudo que a gente queria, tudo que aconteceu nos últimos anos. Tanto tempo sem jogar conversa fora, coube ao coração selecionar os assuntos que foram pauta daquela momento. O que primeiro veio a mente ganhou preferência entre as participantes. E, naquele roteiro guiado pelo improviso, os assuntos oram surgindo conforme a conexão com as histórias contadas. 

Enfim, muitas coisas foram ditas e muitas outras ficaram por dizer. Nosso tempo tinha acabado, estava tarde, tínhamos trabalho no dia seguinte. “- Garçom, a conta por favor.” Ainda, não era meia noite, mas era hora de se despedir, dizer até breve. Deixei ela no hotel e segui pra casa feliz desse grande encontro certa de que o que torna os encontros grandes não é o tamanho, mas a profundidade das relações.   

Até breve, amiga!!!

Nos reencontraremos em algum dia num futuro incerto. 

Crédito da imagem: Acervo da autora Karina Freitas

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.

MULHERES…

A frieza do saguão daquele aeroporto não obstou o encontro dos olhares daquelas mulheres. Duas singularidades, absolutamente díspares, aos olhos do mundo posto. Um duplo de almas, aos olhos do invisível. O jeans, surrado e justo, gritava por autonomia, liberdade e sensualidade. A burca, negra e austera, sussurrava por discrição, tradição e sensualidade. Não se aproximem, estipulavam as leis não ditas locais. Mas a curiosidade feminina, não aceita fronteiras. Dois metros as separavam, fisicamente. Um universo, culturalmente. Nada, em verdade. Um pequeno espaço no tempo as uniu. Um imenso tempo no espaço as separou. Analisavam-se mútua, cuidadosa e afetivamente. Enquanto uma viajava com amigos, homens em sua maioria, e buscava diversão. A outra, rodeada por crianças, viajava com a família, e cumpria obrigações. Consentiram que estavam conectadas; que desejavam estar conectadas. Perceberam-se fixadas nos movimentos uma da outra. Admirando-se. As vozes ficaram mais ao fundo. A luz servia ao mistério. Todos em volta pareciam mover-se em câmera lenta, distantes. Os olhares brilhavam e se conversavam, como sempre narram os poetas: sem as palavras, radicalmente, em não forma, em não linguagem. Alcançavam-se profundamente. Compreendiam-se em suas dores – tão distintas e tão similares. Sonhavam-se em futuros próximos, também nos distantes, e em passados vividos – brincavam e ignoravam suas formas e contornos, opostos e paradoxais, diziam os ditos e narrados. Emocionaram-se com os séculos de ignorância. Sorriram e se amaram, por eternos 10 minutos. Redimiram, internamente, seus abismos de intolerâncias e preconceitos. Carregam-se em lembranças. Encontram-se sempre … mulheres.


Adriana Agnese. Mulher. Escutadora. Viajante. Advogada por profissão. Psicanalista por vocação.  Astróloga por paixão. Artista em construção.Minha vida tem seguido a rota da fluidez e da desfragmentação. E sigo. Caminho. Flutuo. Por vezes voo


Crédito da imagem: Acervo da autora Adriana Agnese

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.

UM PET EM NOSSA VIDA

O cachorrinho que pensava que era gente…
Byron era seu nome. Pelo pretinho reluzente. Carinha de bichinho carente. Olhar “pidão” feito menino quando quer um doce.
Chegou para a família bem na hora da pandemia. Foi uma alegria. Preencheu o dia das crianças e distraiu os adultos de suas enormes preocupações.
Trouxe também um aumento das responsabilidades diárias do pessoal da casa. Dois passeios por dia para resolver suas necessidades físicas. Horário de alimentação, novos itens incluídos na lista de compra semanal.
Estava tudo organizado e o bichinho de estimação era realmente estimado por todos da casa.
Um dia a família resolveu viajar e se hospedar na casa de uma parenta que tinha trauma de cachorros. Quando ainda criança fora mordida por um cachorro de sua madrinha.
Como deixar o Byron com ela? Criaram coragem e pediram … ela aceitou  e passaram a tarde juntos.
Byron conquistou mais este coração.
E com a convivência mais íntima a mulher percebeu que Byron achava que era gente.
Participava de todos os encontros da família e rapidamente se tornou uma presença importante e querida para todos.
Ele não se excluía de nada e se a mãe ou o pai dos meninos falassem qualquer assunto com eles o cachorrinho se colocava no meio  atento como se entendesse toda a conversa.
Byron é de uma raça que não cresce muito e por isso o chamam “bebê “, é parte da família e pensa que é gente. Espalha amor e carinho por onde passa e há uma mágica que faz todos se divertirem e dar boas gargalhadas com a sua presença.


Crédito da imagem: Foto por Paulo Resende (@cria.pauloresende)

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

RELVA

Os grilos pulam na minha cabeça 
Relva
Louca
Selva
Orvalho que molha pelos e pele
Cabelos compridos
Seda verde
Ensandecido
A tristeza não traz consolo
Conforto encontro
Nos olhos
Nos ombros
No beijo
Do bicho que vive em ciclo
Que acalma meus cios
Ouve histórias de tribos e guerras
E chama de Relva
O emaranhado de ideias
Onde vivem meus grilos

Crédito da imagem: Foto por Alana Sousa em Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.