Presença

Se puder escolher um caminho em tua vida, escolha se emocionar. Escolha a experiência que te levará para além; afora de tuas margens concretadas. Sempre. Para longe dos sentimentos diários e atitudes orquestradas. Opte por aquela viagem que sonhou, muito antes de poder viajar. Retire da estante o livro que te desafia.  Pés no chão;Continuar lendo “Presença”

Ruídos

Externo …Busca, a mim, a tempestadeEspreita a ventaniaE se abrem as frestas, fendas, fissuras… na alma …O olhar não mais me conduzContradiz … contrapõe … opõe-seConfronta minhas certezasUma a uma. TodasReivindica um lugar, um espaço, um tempoInexistentes… na pele …Pulsam as frestas, fendas, fissurasFeridas … vaziosExpulsa, a mim, a tempestade… interna. Crédito da imagem:  Foto porContinuar lendo “Ruídos”

Verdades ínfimas

Acordou acompanhada pelo Chico. Buarque. “Cotidiano”, a música com a qual despertara naquela terça-feira. Ainda deitada, visitava, por meio da melodia, o ritmo padronizado de suas escolhas; na letra, que se repetia incessantemente em seu pensamento, a estória de uma vida. Dia a dia. Ano a ano. Décadas. Definitivamente, era aquela “A música” que representavaContinuar lendo “Verdades ínfimas”

Fragmentos sociais

Minhas primeiras lembranças de alteridade, de brincadeiras com amigas, trazem a imagem da “Bel”. Uma menina preta. Linda. Altiva. Dois ou três anos mais velha do que eu. Inteligente. Prática. Estudiosa. Olhos incrivelmente brilhantes. Cabelos partidos, trançados, presos – sempre. Organizava todas as nossas brincadeiras, que na época eram bastante restritas. Talvez por falta deContinuar lendo “Fragmentos sociais”

Sem defesas.

Gosto da percepção de que o tato é o mais amplo, complexo e exposto sentido dos seres viventes. Quiçá o único absolutamente em desamparo, pois entregue, sem proteções, à alteridade e ao estranhamento. Integralmente envolto no nada, e lançado no tudo. Visão, audição, paladar, olfato e tato. Cinco os órgãos de sentido a experimentar oContinuar lendo “Sem defesas.”

MULHERES…

A frieza do saguão daquele aeroporto não obstou o encontro dos olhares daquelas mulheres. Duas singularidades, absolutamente díspares, aos olhos do mundo posto. Um duplo de almas, aos olhos do invisível. O jeans, surrado e justo, gritava por autonomia, liberdade e sensualidade. A burca, negra e austera, sussurrava por discrição, tradição e sensualidade. Não seContinuar lendo “MULHERES…”