Me beija com esse gosto de cigarro. Hoje quero tudo que faz mal. Vênus em escorpião é isso: amar o que destrói. Me esforço para, com o álcool, apagar qualquer vestígio de você na minha mente. “Hoje eu vou te esquecer. Só por uma noite”. Sem sucesso. Pego os caras pensando que você pode nãoContinuar lendo “Vênus em escorpião”
Arquivos da categoria: Contos
Bruxa
Sou Dian. Mas é Meridian que domina os labirintos da nuvem digital. Meus joelhos estalam quando sento à mesinha de ferro, um lembrete que a gravidade não ignora. Não é peso, é alicerce. Aqui fora, as roseiras nos vasos vigiam, espinhosas e antigas, como eu. O piso rústico arranha a sola dos meus pés; essaContinuar lendo “Bruxa”
O parque
AgoraO sorriso da criança, o abraço da mãe, a piscina com os amigos, o resultado do concurso, o presente do namorado… O sorriso da criança, o abraço da mãe, a piscina com os amigos, o resultado do concurso, o presente do namorado… O sorriso da criança, o abraço da mãe, a piscina com os amigos,Continuar lendo “O parque”
Estou viva!
Alice entra na igreja, andando bem devagar, como uma criança que ainda não sabe direito o que está fazendo. Aquele é um território estranho para ela. As duas se encaram. – Parece que já te conheço – diz Lia. – Sou só uma mulher andando pelo mundo. Uma mulher que não tem nada demais. MasContinuar lendo “Estou viva!”
João dourado e o peixe azul
((Esta é uma história sobre traição e desprezo)) Era uma vez uma menina encantada em peixe azul. E um joão dourado que se exibia luminoso com sua parceira nas águas claras de um mar raso. Juntos, foram até o fundo. Mergulharam felizes nas limpas águas. Até que foram surpreendidos pelo peixe azulado, acuado, amuado. AContinuar lendo “João dourado e o peixe azul”
Atrás da Porta
Oito horas da noite em ponto. Toca a campainha do meu apartamento: 304. Meu coração bate acelerado. Sei que é você.Corro até a porta e vejo seu rosto pelo olho mágico. Inquieto e curioso, parece olhar para mim do lado de dentro.Recuo assustada.Uma mistura de sensações toma conta de mim no que parece ser umaContinuar lendo “Atrás da Porta”
Nem tão crescida assim
Luci acordou muito cedo naquela manhã, como na maioria dos dias. A claridade atravessava a cortina de voal e dançava sobre sua cama. Ainda sonolenta, ouviu o canto dos passarinhos lá fora e sorriu. Perguntou-se se estariam nas árvores ou em alguma gaiola dos vizinhos. Embora fosse maravilhoso ouvi-los, angustiava-se com a segunda alternativa.Como deviaContinuar lendo “Nem tão crescida assim”
Flash mob na madrugada
Tivemos um dia de trabalho exaustivo. Eu e Paulo trabalhamos na mesma empresa, em equipes diferentes. A primeira vez que nossos olhares se cruzaram foi durante um almoço – daqueles bem barulhentos e desorganizados, onde todos falam, mas quase ninguém se escuta.Era uma mesa enorme e eu cheguei atrasada. Todos já estavam sentados, e oContinuar lendo “Flash mob na madrugada”
A infecção
Ela nunca imaginou que sua vida seria assim. As doenças incuráveis e a loucura. Mas foi o que aconteceu. “É a aleatoriedade da vida”, poderíamos dizer, para tentar consolá-la. Mas ela finge que não busca mais consolo. “Não, foram escolhas”, retrucaria. Péssimas escolhas. Em meio ao caos da vida. Ao capitalismo, a histórias de vidaContinuar lendo “A infecção”
Asfalto quente cor de sangue
O vento quente balançava os cabelos de Elisa. A caixa em suas costas era pesada e inclinava-a para trás, exigindo que ela se agarrasse com mais força à cintura de João. Ainda tinham muitas entregas até o dia de trabalho dele findar. Como elaentraria em seu plantão à noite, no hospital, aquele tempo sobre duasContinuar lendo “Asfalto quente cor de sangue”
