EU NÃO TENHO CÓDIGO DE BARRAS

Por: Lidianne Monteiro Meu nanochip estava dando sinais de instabilidade há algumas semanas. As falhas, a princípio, não me prejudicaram muito. Uma loja que entrei e a vendedora me ofereceu artigos que eu não tinha interesse, o robô do supermercado que me trouxe comida para o passarinho que não tenho, o café que veio descafeinadoContinuar lendo “EU NÃO TENHO CÓDIGO DE BARRAS”

FÊNIX

Por: Lidianne Monteiro Sou mil mulheres em várias vidas Em cada fase que parecia infinita, vi desmoronar sem aviso o muro das certezas Cada etapa se foi sem que se percebesse que jazia o tempo de dizer adeus De repente se foi Nem notei Nem me despedi E, sem aviso prévio nem lamento, uma vidaContinuar lendo “FÊNIX”

DIARIAMENTE

Por: Lidianne Monteiro Tenho que lavar o cabelo. Agora estou sem paciência. Será que dava para aguentar sem lavar até amanhã? Olho no espelho. Reparo na cor dos fios. Ora gosto. Ora duvido se a última cor ficou boa mesmo. Mas eu ia apenas decidir se estava sujo. Foco. Lembro que amanhã terei um compromissoContinuar lendo “DIARIAMENTE”

SOB(RE) O GUARDA-CHUVA

Por: Lidianne Monteiro Nunca gostei de guarda-chuva. Inicialmente, por questões práticas. Sempre o vi como um trambolho que passava mais tempo fechado, sendo levado de um lado para o outro, do que efetivamente sendo usado sobre nossas cabeças. E quando chegava a ser aberto para ser usado alguma vez, precisava depois ser carregado encharcado porContinuar lendo “SOB(RE) O GUARDA-CHUVA”

ELA DISSE SIM

Por: Lidianne Monteiro Disseram-lhe que ela deveria sossegar. Reforçavam quase diariamente que já era hora de se aposentar também dessa inquietude de querer alguma coisa que ela não sabia direito o que era. Mas que sabia que queria. Isso a impulsionava, ainda que passasse por represálias dos que teimavam em condená-la a viver uma vidaContinuar lendo “ELA DISSE SIM”

CORPO

Por: Lidianne Monteiro 1- JOELHO Abro os olhos e vejo o teto bege de plástico quase encostando no meu nariz. Talvez não esteja tão próximo assim como parece. Mas a clausura das paredes laterais que sobem em curva sobre minha cabeça reforça a sensação de confinamento. Sinto-me como naqueles filmes de aventura em que aContinuar lendo “CORPO”

A SEMENTE DO ACOLHIMENTO

Por: LIdianne Monteiro EM TODAS AS SITUAÇÕES, A DUREZA DO ABANDONO PODE TRAZER A LIÇÃO REDENTORA DA ACOLHIDA, A DEPENDER DE COMO REAGIMOS A ELE. Temos um gatinho em casa. Adotado há quase três anos. Fruto do desejo antigo da minha menina mais nova, ele chegou em um momento em que nossa família se reestruturavaContinuar lendo “A SEMENTE DO ACOLHIMENTO”

NO MUSEU DOS AMORES PERDIDOS

Por: Lidianne Monteiro Não se demora no museu Não se quer souvenir Tudo o que se quer é partir Os corredores estão vazios As gargalhadas nas prateleiras soam tristes De repente se está lá, sem que se queira estar Já era outro tempo e foi a música que lhe levou O perfume que lhe levouContinuar lendo “NO MUSEU DOS AMORES PERDIDOS”

PALETA DE CORES

Por: Lidianne Monteiro Nesse cenário onírico, ela fazia parte de cada aventura e se sentia tão pertencente a aqueles lugares como os demais que ali transitavam com familiaridade. Acordou no seu quarto preto e branco e nele passou todo o dia. Já tinha se acostumado a falta de cor. No começo foi estranho e tomouContinuar lendo “PALETA DE CORES”

PARA AS MULHERES QUE CONTINUAM EM MIM

Já há algum tempo eu tenho pensado muito na minha ancestralidade e no que as mulheres incríveis que vieram antes de mim me deixaram de legado. Nesta semana que passou escutei a frase de que herança seria diferente de legado. Enquanto a herança seria o que você deixa para o outro, o legado seria oContinuar lendo “PARA AS MULHERES QUE CONTINUAM EM MIM”