CASA SOLAR

Em janeiro do ano passado, participei de um desafio epistolar com uma comunidade de mulheres de língua espanhola. Nos três dias de desafio, enviei três cartas a uma estranha e devia receber três cartas de outra estranha. Recebi uma bela carta de uma professora de literatura que morava em Cali, uma cidade tropical do interiorContinuar lendo “CASA SOLAR”

BAILARINA

Existiu uma bailarina que durante a pandemia dançou em seu quarto sem parar. No início passava os dias revendo cada um dos passos em frente ao espelho, em busca da perfeição passava dia e noite repetindo a mesma coreografia, estudando cada detalhe de seu corpo, vendo seu corpo se transformar com a prática sem fim.Continuar lendo “BAILARINA”

SENTIDO DO TACTO

Ela estava sentada, bebendo café, seu cabelo castanho acariciando suas costas cobertas por uma jaqueta de lã com listras coloridas. Nas mãos um livrinho e os olhos fixos nas páginas amareladas furadas pelo tempo. Ele não conseguia parar de olhá-la, sentou-se na mesa ao lado sem esconder o encanto por aquele movimento absurdo e aoContinuar lendo “SENTIDO DO TACTO”

CAFETAL

Nós quatro saímos da fazenda caminhando direto para o riacho, no riacho cada um procurava um lugar para submergir nas águas cristalinas e eu me concentrava em observar as correntes e brincar com as pedras. Após a pequena passagem pelo riacho continuávamos para a frente. O objetivo sempre era subir uma colina. Ao longo doContinuar lendo “CAFETAL”

LÍNGUA EM CHAMAS

Às cinco da tarde, na saída da escola, caminhávamos pela avenida principal; íamos para a academia e antes paramos em vários lugares para comer. Meu lugar favorito era a barraca de burrito. Quando pedimos o burrito, a mulher que anotou o pedido nos perguntou quantas listras de chili queríamos acrescentar. Normalmente pedia três ou quatroContinuar lendo “LÍNGUA EM CHAMAS”