CAMAS CONDENADAS

Naquela noite cheguei por volta das 3 horas da manhã e escolhi uma cama de solteiro que estava disponível entre tantas outras ocupadas. Me parece que havia uma cama de tamanho médio ao meu lado onde dormia um casal que chegou uma hora antes de mim. Aos meus pés havia um berço -em forma de caixa- vazio e atrás dele o que parecia ser a cama de um adolescente.

Eu consegui ver tudo isso apenas quando clareou, porque quando cheguei estava muito escuro e eu mal conseguia deslizar pelos espaços vazios apertados entre as camas, tocando e apalpando com as mãos até encontrar um leito vazio.

Entre as 3 e as 5 horas da manhã dormi pouco, de vez em quando era acordada pelo ronco de alguém que parecia se afogar no último suspiro ou pelo barulho de uma velha cama estralando quando alguém se mexia nela.

O primeiro guarda chegou antes do amanhecer, minutos depois do alarme das 5 tocar e a primeira turma entrar para tomar banho. O guarda abriu a porta e iluminou as camas com uma lanterna, apesar de haver várias vazias, ele já percebeu que estávamos lotados, então saiu rapidamente para avisar seu superior.

No entre tanto, Sabine gritou comigo porque eu não tinha dormido no berço e tinha tomado uma cama de solteiro inteira para mim. Enquanto ela me gritava, eu imaginava como eu, uma adulta de 1,70 de altura, poderia me dobrar como calças engomadas para caber no berço.

Poucos minutos depois o guarda entrou, com seu uniforme militar impecável e o Hábito de Madre Superiora na cabeça, começou a percorrer o local e caminhar entre as camas em quanto eu e os demais itinerantes multiplicamo-nos repentinamente como pragas.

Ao ver a cena, Sabine começou a se derreter da cabeça aos pés e as pessoas em volta correram para enxugar o líquido antes que se espalhasse por todo o lugar.

Crédito da imagem:   Pexels.com

Os textos representam a visão dos respectivos autores e não expressam a opinião do Sabático Literário. ”

Publicado por Daniela Echeverri Fierro

Daniela Echeverri nasceu na Colômbia em 1987, onde se formou como advogada. Mora no Brasil desde 2013 e trabalha com negócios internacionais no interior de São Paulo. Apaixonada pela fotografia, viagens, histórias e tudo que desperte a criatividade.

9 comentários em “CAMAS CONDENADAS

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