sem título

Se bater em meu rosto agora
o único som que ouvirá não é o do grito,
ou o do pranto,
ouvirá o som surdo da casca oca.

Se violentar meu peito agora,
com a força da pancada bruta
não sentira a carne que afunda e sim estilhaços cortantes que me sangram mas não a ti.

Se forçar seu corpo contra o meu
num agora a pouco
não sentirá o gozo contrarindo o corpo
e sim uma leve brisa
úmida e morna
saindo da boca,
um último suspiro de um alguém que não existe mais.
A um alguém não esteve e que foi.
A um alguém que está mas não é.
A um alguém que é mas não está.

Lançar mão
De toda munição
Disparar todos os gatilhos.
Para não fazer meu
Teu desespero.

Crédito da imagem: Pexels

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.

Publicado por Katja Mota

Não fui eu, foi o meu eu lírico.

4 comentários em “sem título

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