Expresso da Meia-Noite

Sabe aquela receita do insucesso que todos, inclusive eu, recomendam não fazer porque é quase certo que o resultado dê errado? Não seria exatamente uma tragédia anunciada, mas a chance de “dar bom” seria bemmm improvável. Mas uma chance mínima ainda é uma chance, então me apeguei a ela com disposição. Me inscrevi para participar de uma corrida de rua no domingo (dia 19/06). Estava bem animada para o evento, mas acabei precisando desistir por conta de uma viagem. Mesmo assim, resolvi pegar o kit porque achei a camisa linda (queria guardar de lembrança) e também pela garrafinha pra usar na academia. Acontece que, na quarta-feira, algumas horas antes da minha viagem, aconteceu uma reviravolta e não viajei. Logo, estaria na minha cidade no dia e horário da corrida. Resumindo: desisti da desistência de correr. Buscar o kit não foi em vão. Bora me preparar para aquela corrida!!!

Naquele final de semana também tinha sido o feriado de Corpus Christi (em parte a razão da minha viagem), aí começou a sequência de eventos não recomendados. Mas antes, preciso explicar que estou com o joelho lesionado e em tratamento (fisioterapia, acupuntura, musculação, repouso, etc). Então, como não viajei fui aproveitar meus dias de descanso do feriado. Só lembrando que a corrida seria no domingo. Na quinta fui dar uma volta de bike que totalizaram pouco mais de 20 quilômetros de percurso. Primeiro ponto: não é uma distância que estou acostumada a fazer, normalmente, faço, no máximo, 15 km. Segundo ponto: faziam semanas que não pedalava. Ponto três: faltavam 3 dias para a prova. Na sexta-feira fiz treino de musculação e funcional. Quarto ponto: estava evitando o funcional por causa do joelho (seguindo minha trajetória do insucesso kkk).

No sábado…advinhem??? Descanso!!!! Só que não. Dei uma caminhada pelo meu bairro alternando com trotes de corrida (total de 8 km). Ponto cinco: esse ano não fiz nenhuma corrida (já falei do joelho né! rs). Ah! também tem a coluna inflamada na lombar. Mas pelo menos eu dormi cedo??? Deveria, só que não!!! À noite tive uma confraternização de festa junina. Não consumi bebida alcoólica, nem comi muita besteira, só um pouquinho (ninguém é de ferro). Despedi-me à meia-noite, ainda mantinha a intenção de correr. Fui pra casa para dormir um pouco, deveria me levantar às 6h da manhã. Cansada do dia e da noite resolvi tomar um café expresso quase 1 da manhã, não me tiraria o sono, mas me permitiria acordar disposta com as poucas horas de sono que me restavam. Era isso ou nada. Não recomendo, mas pra mim dá certo, só uso em situações bem extremas, como era este o caso. Às seis, o despertador tocou, ensaiei insistir no modo soneca, mas se já tinha passado por todas aquelas etapas e tinha acordado era pra eu ir!!!! Comi pão com geleia, banana com mel, mais um cafezinho e rumei ao meu desafio.

Às oito foi dada a largada, estava disposta e alegre pela minha persistência em tentar até o final, mas ainda tinha o desafio de correr!!! O primeiro quilômetro vieram aqueles pensamentos combativos de que não ia aguentar, que o joelho ia doer, estava sem treinar, por qual razão fui, podia estar dormindo e uma infinidade de possibilidades e forças contrárias. Tava lá né!!! Então esquece. Podia desistir? Claro! Sentaria no meio fio e assistiria as pessoas participando, se superando e comemorando suas pequenas vitórias. Resolvi seguir: eu tinha 2 metas: 1) cumprir o trajeto de 5 km e 2) percorrer todo o trajeto correndo, sem nenhum momento de caminhada. Se conseguisse ambos estaria orgulhosa de mim. Coloquei minha meta dentro das condições que me encontrava. No segundo quilômetro começavam as baixas dos corredores migrando para a caminhada, ao mesmo tempo vários passavam a minha frente, o sol começava a esquentar, o olhar no horizonte me lembrava que ainda tinha muito chão pela frente. Então foi tentando manter minha velocidade média e respirar, lembrando que cada vez que avançava faltava menos do que na largada.

No quilômetro três tinha descida, um descanso, mas um alerta e cuidado para o joelho e coluna. Logo estaria dando a volta e a descida se transformaria em uma subida digna de respeito. Até pensei que estaria tudo bem caminhar só na subida para conseguir fechar a prova, mas fui no meu ritmo e persisti até o limite que pudesse aguentar. Só pensei: “- Bora lá!!!! Não desista na mente antes de tentar no corpo”. Até que cheguei no quilômetro quatro, agora era questão de honra, a subida íngreme já tinha acabado, já estava plano então era buscar a energia que me restava e correr para o abraço. Voltar ao ponto de largada é um misto de felicidade pela chegada, do cumprimento das metas e exaustão (morri, mas passo bem!!!!). Acabou!!!!!

Sentei no meio fio para recuperar o fôlego, comi uma fruta, bebi uma água, conferi meu relógio medidor, tinha ficado abaixo dos 30 minutos. Aguardei o resultado oficial. A medalha de participação já estava garantida. Eis que tive uma grata surpresa, além de um bom tempo de prova, para uma pessoa sem treinar e lesionada, tive uma excelente colocação. No quadro geral feminino em 16º lugar de 493 participantes e na minha categoria em 8º lugar de 343. Fiquei muito feliz e bem surpresa. Se aquele cafezinho da meia-noite fez a diferença no resultado?? Não tenho certeza!! Mas tenho fé que sim!!! Não recomendo, mas diante do meu cenário era a ferramenta que tinha para me ajudar. Resumindo: deu bom, apesar de tudo!!! Como estarei amanhã??? Ou melhor, como meu joelho e coluna estarão amanhã?? Aposto que vão doer voltando a rotina, mas foram legais comigo neste dia, me deram um descanso pra minha diversão na manhã de um domingo. O efeito do expresso passou, mas esse feito ficará na memória.


Crédito da imagem:  Foto por Nataliya Vaitkevich em Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Uma mãe por todas. Todas por uma mãe

Deixei minha caçula em casa com o compromisso de lavar a louça gigante que estava sobre a pia desde muito cedo. Era a tarefa dela, meio indigesta, eu sei, mas ela parecia resignada. Deitada no sofá, ela tentava reunir coragem para enfrentar a pilha de pratos e travessas enquanto a cachorrinha a puxava pelo vestido para ceder à brincadeira de cabo de guerra.

Eu estava atrasada e me arrumava apressadamente para o compromisso que me aguardava. Entretanto, interrompi o que estava fazendo por alguns instantes e me sentei na ponta da cama para conversar por meio de mensagens com a filha mais velha que estava na casa do namorado desde o dia anterior. Perguntei como ela estava e a que horas chegaria. Ela me respondeu de pronto, dizendo que estava tudo bem e que chegaria em casa no inicio da noite pois ainda tinha marcado uma tarde de jogos com os amigos. Fiquei feliz por ela estar bem e por estar se distraindo após sua semana cansativa de faculdade e trabalho. Eu disse que a amava e desejei que se divertisse. Ela me respondeu com um “Eu também te amo”.

Voltei a me arrumar sem muita atenção com o que vestiria. Mas com o requisito de que teria que ser simples e que denotasse esperança. E fé de que a vida não termina aqui… Não sei se a cor de uma roupa conseguiria denotar tudo isso. Mas não me sentia confortável em vestir preto no velório de um adolescente. Seria muito estranho. Com o pensamento sob uma nuvem de tristeza, apesar de estar tudo bem com minhas “pequenas”, saí para ver uma despedida de mãe e filho.

Não posso dizer que imagino a dor que minha colega de trabalho estava sentindo pela partida de seu filho único. Não, eu não consigo nem imaginar. Acredito que deva ser uma dor que transcende qualquer definição ou explicação. A dor dela me causou uma profunda tristeza desde o momento em que soube que seu filhinho havia partido. Como mães, inevitavelmente acabamos pensando o que faríamos se fôssemos nós a passar por aquilo tudo. A identificação é imediata e profunda. O que eu diria a ela quando a visse e sentisse seu pranto? Não havia nada que eu dissesse que pudesse amenizar seu luto. Ofereci meu abraço e meu carinho. A ela peço desculpas por ser tão pequena e tão pouco poder fazer. Sou mãe e sou humana, falível, limitada e pequena frente aos mistérios e dores desse mundo. 

Precisei sair mais cedo do velório e não vi o sepultamento. Despedi-me dos conhecidos e, já quase na saída, conversei um pouco com outra colega que há muito tempo não encontrava. Ela me disse que estava tudo bem com sua família e falou das conquistas recentes dos seus dois filhos. Um deles está estudando medicina e o outro formado e pós-graduado. Tão orgulhosa estava aquela mãe! E solidária nessa corrente de outras mães em volta da mãe enlutada. Fiquei feliz pelas conquistas dos filhos dela.

O outro compromisso que me fez sair mais cedo do velório foi com uma de minhas enteadas. Ela estava voltando de um retiro religioso que fazia parte de sua preparação para a crisma. A escola tinha organizado uma recepção surpresa dos familiares para com os crismandos. Eu participei da pequena comitiva dela, junto aos seus pais. Esperamos por volta de uma hora até que os crismandos chegassem do retiro. Nesse tempo, vi o desfilar de pais, irmãos e avós esperando por seus adolescentes, conduzindo flores, presentes e cartazes. Era uma festa, sem dúvida. Festa de cores alegres, de risadas, de cânticos religiosos e de palavras de esperança e fé. Via-se o quanto os pais estavam sedentos por receber suas crias das quais estiveram sem comunicação durante todo um final de semana. Juntei-me a esse coro de saudação, de comemoração da vida e recebi minha enteada com muita alegria. Feliz pela felicidade dela. Ali, eu era uma coadjuvante: a madrasta. Mas como mãe, estava ali com o mesmo sentimento uníssono de saudação aos jovens que retornavam de uma experiência espiritual.

Mas, no fundo, meu coração de mãe estava dividido. Meus sentimentos oscilavam como um pêndulo desbalanceado. Eu acabara de presenciar a dor pungente de uma mãe que perdera o filho e que nitidamente ansiava por algum entendimento para aquela avalanche que a havia atingido. Praticamente ao mesmo tempo, eu vira o regozijo de outra mãe orgulhosa e que comemorava com toda legitimidade as conquistas dos seus filhos. Estava, ainda, entre as mães coloridas e risonhas da escola que festejavam a chegada de seus jovens crismandos e, ao mesmo tempo, eu refletia sobre a minha própria condição particular de mãe divorciada, o que muito impactava na vivência da minha própria maternidade. Eu estava em meio àquela turba festiva mas havia acabado de presenciar um clamor de lamento e dor em um cemitério há minutos dali. E, por incrível que pareça, em cada um daqueles lugares e situações, eu me senti igualmente parte desse corpo único da maternidade. Eu identifico a dor e a alegria de todas essas mães. E vivencio ambos os sentimentos com a mesma legitimidade, entendendo que não há incoerência alguma nessa identificação quase que simultânea com a dor e com a alegria. Permito-me chorar pela dor compartilhada com a mãe que lutou e não alcançou a saúde do seu filho. E me permito sorrir ao ver minha enteada feliz, retornando de um retiro, recebendo abraços, presentes e aconchego.

Na volta para casa, uma olhada no celular para ver as últimas mensagens que haviam sido negligenciadas pelos eventos (e sentimentos) das últimas horas. Lá, aguardavam resposta uns recados da minha mãe, combinando detalhes da semana vindoura de consultas médicas de rotina dela e do meu pai, para as quais minha participação seria necessária. Estava ali outra faceta da maternidade dela e minha, com uma recente troca de papéis. A filha cuidando da mãe. A mãe cuidada pela filha.

Em tudo isso, sinto a teia invisível da maternidade unindo-me, de certa forma, a todas essas mulheres, em menor ou maior grau. Certamente, nem todas as mães se sentem da mesma forma frente a situações como essas. E não há mal algum se elas sentem de outro jeito. Cada uma conduz às costas sua carga, às vezes leve e com asas que as fazem voar, às vezes pesada que dificulta a navegação por esse rio que é a maternidade. Fluido, dinâmico, caudaloso ou plácido, mas sempre a permear a nossa existência inteira.


Crédito da imagem:  Foto por Irina Iriser em Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Apenas mais um texto infeliz

Era escritora. Ofício difícil, que carrega muita dor. 

Para escrever, pensava principalmente no passado. Os abandonos que sofrera, a saudade da família, os relacionamentos que não foram para frente… toda a sorte de angústias, desprazeres e frustrações.

Era um dia frio de maio, um domingo daqueles entediantes, arrastados. Foi para a frente do computador com sua xícara de café e pensou: preciso reverter esse quadro.

Queria escrever textos mais animados, motivantes. Xô tristeza!

Mas nossa, como é difícil mudar o quadro quando se tem tendência a depressão.

Abriu então seu word e disse a si mesma: a primeira coisa que vier a minha cabeça vai ser colocada no papel.

Havia acabado de receber um e-mail da revista na qual trabalhava cobrando urgência. Sua coluna já estava atrasada, e bem atrasada.

Era uma baita crise de inspiração.

Até que…

***

Era como se estivesse nas nuvens. Aquele beijo representou exatamente o que ela imaginava por anos.

Eduardo era melhor amigo de uma amiga dela. Tinha os olhos claros, o cabelo castanho, e uma linda voz. Alice era apaixonada por ele há anos. Chegou a ter outro namorado, mas nunca o esqueceu.

Ele martelava em seu pensamento. Martelava, martelava. Às vezes, inclusive, nos sonhos. Quando isso acontecia, Alice acordava assustada, com medo. Não queria que ninguém soubesse do seu segredo.

Segredo tão bem guardado, que nem sua melhor amiga sabia. Ninguém sabia. Alice não queria admitir nem pra si mesma.

Mas naquela noite, quando todos dançavam na festa, algo surpreendente aconteceu. Eduardo, que nunca lhe havia dado a menor bola, de repente começou a olhar pra ela de modo estranho, diferente. Tímida como era, Alice ficou encabulada. Mas ele foi se aproximando, aproximando. E enquanto isso começou a tocar uma música do Los Hermanos: “De onde vem a calma, daquele cara…”

E um beijo aconteceu. Um beijo de amor.

***

Olhando para o arquivo em branco, Alice lembrava-se apenas daquele beijo, e daquela noite inesquecível.

Como já podemos imaginar, aquilo que julgou amor não teve prosseguimento. Foi apenas mais um momento nesta longa vida líquida…

Um momento que marcou tanto, tanto.

Dessa vez, não pensou duas vezes.

Precisava vomitar aquilo.

O prazo estava apertado, precisava entregar a coluna. Com o coração aos pulos, lembrou-se daquela música tão especial, e escreveu.

“De onde vem a calma, daquele cara? Tá se exibindo pra solidão”.

E ali, naquele domingo preguiçoso, acabou escrevendo…

apenas mais um texto infeliz.


Crédito da imagem:  Foto por Ketut Subiyanto em Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Solta

Solta os medos
As limitações
As angústias
Tudo o que te prende
Solta o peso
A sensação de impotência e de não merecimento
Solta o grito
 a respiração contida, o confinamento
Solta as ideias, as emoções
 A gentileza, os afetos
Solta o amor
E OLHE PARA A FRENTE
E ande mais leve
Sinta o sol dentro de você
Veja os caminhos que se abrem
Sinta a explosão de cores
Sinta a alegria
Solte a vida e se encha de vida
Quanto mais damos mais recebemos
De maneira melhor e diferente
Em outro idioma, frequência, universo

SOMOS PRESENTES E RECEBEMOS PRESENTES

Quando voamos sem medo de perder
Somos capazes de levar somente o que importa
E o que realmente faz sentido


Crédito da imagem:  Foto por Ron Lach em Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Fragmentos sociais

Minhas primeiras lembranças de alteridade, de brincadeiras com amigas, trazem a imagem da “Bel”. Uma menina preta. Linda. Altiva. Dois ou três anos mais velha do que eu. Inteligente. Prática. Estudiosa. Olhos incrivelmente brilhantes. Cabelos partidos, trançados, presos – sempre. Organizava todas as nossas brincadeiras, que na época eram bastante restritas. Talvez por falta de espaço, externo. Ou, quem sabe, exatamente pela amplitude dos espaços internos. Casinha, bonecas, maquiagem, comidinha, desenhos, escola … ela adorava brincar de escola, e era a professora, claro. Nunca queria dançar, correr ou se esconder – não compreendia suas razões; mas não me importava; eu adorava brincar com ela. Ela pensava em cada detalhe, todas as etapas de nossos dias partilhados, e a mim cabia divertir-me, inclusive com suas incisivas e rotineiras ordens. Quando pintava, era sempre uma obra de arte. As cores vivas. Os desenhos multicoloridos. Os meus lápis de cores e canetinhas margeavam as linhas impecavelmente nas mãos dela. Eu invejava isso. Quando acabava o dia, a brincadeira, ela ia dormir com a avó, a Maria, no quartinho dos fundos da casa dos meus avós. À noite eu me encontrava com meus sonhos; ela com sua realidade.

Hoje? Ela brinca de ser professora e eu continuo minha busca por diversão. Mantenho a inveja da força e da destreza daquelas mãos pretas. Espero que ela se lembre de mim, se possível, com algum bom afeto.


Crédito da imagem:  Foto por Pixabay em Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Vento

O vento soprou forte

Balançou todas as árvores ao redor

Os meus cabelos foram-se na ventania

Arrepiaram… Embaraçaram…

A vontade de fazer o coque para disfarçar o frizz

As folhas vieram em minha direção

Eram folhas verdes, amarelas e marrons porque também tinham as folhas secas.

Um vento impetuoso vindo dos ares

Esforçava para arrancar coisas de um lugar para o outro

Me veio na mente que a vida é como o vento: uma constante mudança; há coisas que não podemos arrancar, outras podemos soprar para longe e outras que levamos onde for.


Crédito da imagem:  Foto por Masha Raymers em Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Banquete aos vermes.

Banquete aos vermes

Banquete aos vermes

A irregularidade
Da ordem dos dias
é cada átomo gritando
(Des) acelerar!!!
Tempo urge
brada as horas irreversíveis
pêndulo imperfeito
ranhuras insistentes e obrigatórias,
comemoradas ano a ano
Por quê?
o entregar seu respirar ao desconhecido?
aplaudir a dor dos dias contados?
Acelerar
comer a vida com as mãos
Sem etiqueta
Sem permissão
só então…
…aos vermes mal passado.

Crédito da imagem:  Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Uma lista para chamar de minha

Sou a mulher das listas. Tenho lista para tudo: a lista de ideias para textos, a lista de livros para ler, a lista dos livros que emprestei e para quem emprestei, dos filmes para assistir, dos lugares para conhecer… Essas listas não me cobram uma ação imediata, ficam ali à mão esperando o prazeroso momento de serem consultadas para, a partir delas, nascer uma viagem ou uma nova história para contar. Mas tem também as listas de tarefas e compromissos. E é sobre elas que preciso falar.

Tenho a lista semanal e diária das tarefas pessoais (o que inclui a vida doméstica e financeira, o planejamento de estudos, os afazeres de mãe, o meu autocuidado e o cuidado com os meus, etc) e a lista pessoal de resoluções a médio e longo prazo também. No trabalho, são várias: a lista de tarefas da semana, a lista diária, a lista de ideias para implementar, a de assuntos para estudar, a de pautas possíveis para a próxima reunião e tantas outras mais… As pessoas que convivem comigo mais de perto sabem da existência das listas e de como minha vida, de certa forma, gira em torno delas. Minha caçula sempre aparece dizendo assim: “Mãe, põe tal coisa na sua lista” ou “Mãe, tem como colocar no topo da sua lista esse meu pedido?”. No trabalho, é muito comum alguém chegar com uma demanda para a qual respondo: “Já estava na minha lista. Vai chegar a vez”. Essa semana um colega de trabalho soltou uma risada depois que falei isso, o que me fez refletir que talvez eu falasse essa frase mais do que imaginava ou, ainda, que talvez o que vai para a lista esteja ficando desacreditado, como se o fato de colocar na lista signifique que talvez demore a ser resolvido… 

De tantas listas, ultimamente tenho andado para lá e para cá com três caderninhos a tiracolo. Sim, três. Poderiam ser menos e mais bem organizados, de forma que apenas um fosse necessário? Talvez. Mas, por enquanto, são três. Meu marido, que também é meu colega de trabalho, me pergunta: “Por que todo dia você leva e traz esses caderninhos?”  Porque tudo o que eu acho que preciso fazer está lá e porque preciso estar sempre com eles para anotar as coisas que vão surgindo e aproveitar o tempo disponível (que é escasso) para ir matando as coisas da lista. 

 “Acho que preciso fazer…” 

“Ir matando as coisas da lista…” 

Já tive algumas listas no celular. Mas de uns tempos para cá, voltei-me para as listas no papel mesmo, vendo o desenhar da minha letra me cobrando resoluções. Às vezes me pego olhando as listas anteriores e as tantas coisas que já fiz e que, por terem sido realizadas, transformaram, de alguma forma, minha vida. Para o bem ou para o mal. Absorto-me nostalgicamente admirando o caminho percorrido, orgulhosa da minha trajetória, refletindo o que poderia ter sido diferente mas que não foi.  

Foi do jeito que foi e pronto. 

Dizem que se pode conhecer alguém pelo seu lixo. Eu diria que se pode conhecer alguém muito mais pelas suas listas ou até pela falta delas. As do passado, com os itens prazerosamente riscados por terem sido realizados, bem como pelas presentes e futuras, com seu clamor silencioso pelas urgências da vida adulta. Seu DNA mais honesto está na lista. 

Sempre fui uma pessoa de muitos afazeres em praticamente todas as fases da vida. Fazia curso técnico, estudava espanhol e, ao mesmo tempo, estudava por conta própria para o vestibular. Fazia faculdade, curso técnico, inglês e estagiava. Já fui universitária, estagiária, esposa e mãe, com pouco mais de 20 anos. Para em seguida ser trabalhadora, concurseira, pós-graduanda, dona de casa e mãe de crianças pequenas. Tudo ao mesmo tempo, junto e misturado, almejando conquistas, achando que esse era o único caminho: me virar em mil para exercer tantos papéis que eu própria me impunha. E como conseguir dar conta de tudo sem planejamento?  Por isso as listas. 

“Dar conta de tudo…” 

De uns tempos para cá, contudo, estou vendo o fenômeno enigmático das listas crescendo assustadoramente rápido. Estão aumentando em progressão geométrica. E minha capacidade resolutiva nem de longe faz cócegas nesse monstrinho taciturno que dorme na minha cabeceira, tão perto e sorrateiro. Estou quase vendo essas listas me engolirem de uma vez por todas, como uma folha de papel gigante que me envolve em uma grande bola de papel amassado e se joga no incinerador. Ou nunca vi antes esse fenômeno das listas cujos itens se reproduzem como coelhos ou já aconteceu antes e eu é que não me dei conta porque era mais jovem e tinha mais energia ou mais ilusão na minha capacidade de resolver problemas. O “x” da questão é que essa situação tem me inquietado profundamente e me deixado a incômoda sensação de que estou nadando, exausta, para morrer na praia. 

“Mais ilusão na minha capacidade de resolver problemas…” 

O fato é que já tentei resolver essa questão de algumas formas. Já fiz a lista semanal no domingo para não perder tempo de execução na segunda-feira, já me dispus a delegar parte das coisas possíveis e para as quais eu tenha alguma rede de apoio, já tentei ser mais rápida nas resoluções e simplesmente já cortei coisas que reavaliei como menos importantes. Mas tudo se mostrou paliativo e a lista permanece crescendo sem parar.

Já busquei as causas desse fenômeno das listas medusas, aquelas que quando cortamos uma cabeça várias outras nascem a partir do corte. Tentei entender o porquê de estar tão sobrecarregada, crendo que, caso descobrisse essa pólvora, pudesse debelar esse incêndio que consome meus dias. Será que foi a pandemia? A mudança de casa? O novo casamento? Os pets que adotei? A condição de saúde dos meus pais? O momento profissional de tantas demandas e responsabilidades? A situação do país? Acho que nenhuma dessas causas pode receber a sentença condenatória da culpa. Parece que todas essas coisas se deram as mãos e decidiram, em conjunto, tomar meu tempo de assalto, como uma gangue sedenta por fazer meu ócio de refém para nunca mais liberá-lo… Mas, no fundo, não são as coisas (as listas e obrigações) que me comandam. Sou eu a senhora do meu destino. Essa constatação libertadora, contudo, carrega consigo o peso de que só eu, e ninguém mais, conseguirá fazer algo por mim e pela almejada leveza dos meus dias.   

“Sou eu a senhora do meu destino” 

Já faz décadas que perdi a ilusão de que daria conta de tudo e de que conseguiria ter um planejamento que refletisse a realidade das incertezas da vida. Quem consegue pegar o dia de amanhã pela mão? Quanto tempo eu tenho para viver? Vou gastá-lo todo nesse latejar inclemente de listas e resoluções sem fim? E se amanhã fosse meu último dia, qual seria meu legado para os que amo?  

A vida é tão preciosa e de duração tão incerta que não posso me dar ao luxo de gastá-la apenas com coisas ordinárias que me consomem e que, egoisticamente, não deixam espaço para as coisas extraordinárias reivindicarem sua vez. Leia-se ordinário como algo comum e rotineiro e não como algo depreciativo.

Preciso também das coisas extraordinárias e encantadoramente simples. Do café da tarde sem pressa com o bolo quentinho saído do forno. Do contemplar a lua e as estrelas e sentir a brisa do vento que balança as folhas. De ir ao cinema no meio da semana. De bater papo com a Bia até tarde sem pensar nas coisas da lista que tinham que dormir resolvidas. De dar um passeio com minha cachorrinha e na volta parar para tomar um sorvete. De levar meus pais para passear. De viajar romanticamente com meu marido um fim de semana inteiro. De dormir uma tarde inteira sem despertador. De fazer um trabalho voluntário que ajude alguém ou as tantas causas que julgo importantes e me emocionam. De visitar meus sobrinhos e afilhados. De me encontrar com minhas amigas sempre que precisar de colo e de um ombro para chorar. De estar disponível para apoiar os que amo quando estiverem precisando de mim. De estudar um assunto de trabalho (ou não) com profundidade. De escrever. De aprender a cantar. De assistir animes com a Bel. De implementar ideias novas no trabalho. De fazer diferença de verdade na vida profissional dos meus colegas. De ensinar a alguém (ou alguns) o pouco que aprendi… Porque todo mundo tem o que ensinar e o que aprender… 

É impressão minha ou acabo de criar uma nova lista? Definitivamente a culpa não é das listas. Sou eu que as inflo desprevenidamente e não observo, na construção delas, o que é verdadeiramente importante e coerente com o que acredito. Impressiona-me que aos 40 e poucos anos ainda estou aqui nesse conflito sobre o que eu vivo e faço e sobre o que eu verdadeiramente almejo.

Viver resolvendo problemas aleatórios ininterruptamente se assemelha mais a um barco à deriva sem farol. Posso estar extremamente empenhada em remar e, ainda assim, não conseguirei chegar na praia paradisíaca com a qual sonhei.

Lá vem de novo o equilíbrio mostrando sua importância na condução da vida diária.

Sem ele, como mataremos os leões diários sem o oásis das pequenas grandes coisas extraordinárias?

 Sei que ainda que ninguém faça por mim a maioria das coisas da vida prática (seguirão aparecendo na lista para serem resolvidas e riscadas depois), eu preciso focar naquelas que darão verdadeiramente sentido a minha vida. E prazer. E vontade de realizar tanto o ordinário (ocupando seu devido espaço) como o extraordinário (raro – ou nem tanto – mas sempre especial). 

Enfim, viva as listas. Absolvo-as! 

Eu não sou delas. Elas é que são minhas. 


Crédito da imagem:  Foto por Bich Tran em Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

MÃE, ME OUVES

( Jovina Benigno)

Mamã,

quero te dizer palavras

inauditas. presentes.

alqueires

tua  presença

nas noites em que vago

sem ti.

te amo, mãe!

eu  te dizia.

Hoje,

incompleta pela tua ausência

total te enxergo .

declaro meu amor

seguro  teu rosto

em minhas mãos vazias.

é exato que te amo.

Escrevo no bronze

teu verbete

pendor a cada detalhe teu.

precioso elo.

Fecho os olhos

sinto teu corpinho.

eu te abraço, mãe

querendo

te trazer para meu útero

Na  escolta ao portão

de minha casa de infância

tu, alteza

de bengala na mão

passo curtinho

abraços. teus braços

estirpes de nossas vidas                                           

a calma de sentir-te

pede teu olhar

tua voz.

Nós, filhos, netos

toda  tua descendência  

confusos com tua ida

assustados.

perdidos na  partida,

buscamos

em cada canto da  vida

o  teu regaço

teus passos voltados  para nós.

O toque dos teus dedos mágicos

fazendo gentes

teus versos envolventes

quantas histórias, mãe,

quantas tu nos contaste!

saudades, mãe!

estais  perto,

embora nas estrelas.

Escrevo no bronze

teu verbete

pendor a cada detalhe teu.

precioso elo.

És  flor, mãe

bandeja do céu te exibe

rosa de todas as cores

de preferência vermelhas e brancas

(embora às flores devamos a todas preferir )

A aura  tua

Iluminada alma

sinto aqui onde estou

onde sou

aqui mãe, no meu coração.

Crédito da imagem:  Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Se eu fosse…

Se eu fosse…

… um fruta

… uma flor

… um lugar

… uma bebida

… uma comida

… um personagem

… um animal

… uma música

… uma cor 

…. uma estação

E assim, seguindo a nova modinha do Instagram me vi refletindo como sou ou o que me representa!! Foram boas reflexões!

1. Se eu fosse… uma fruta: manga!!!!

Fruta doce, saborosa, diversificada, que vai em pratos doces e salgados, que vai sozinha ou acompanhada, em qualquer momento, mas principalmente no verão. É possível comer in natura, como sorvete, sacolé (ou dindin), picolé, mousse, suco, vitamina, com queijo, iogurte, granola e mel, na salada de frutas, salada verde, no ceviche, vinagrete, etc. Lembra-me a infância de chupar a manga colhida do pé e ficar com os dentes sujos dos fiapos, da boca escorrendo do sumo e as mãos amareladas, mas a alma feliz. Experimentei suco de manga com maracujá: original, ousado e uma explosão de sabores inimagináveis. Até como música nos versos de Alceu Valença está registrada. Atenção: contra uma antiga lenda  manga com leite é bom e não mata!!!

2. Se eu fosse… uma flor:crisântemo.

O crisântemo tem vários significados. Na Ásia, significa felicidade e é sinônimo de uma vida cheia e completa. O branco, simboliza verdade e sinceridade. De acordo com o taoismo, é um símbolo de simplicidade e perfeição. Originalmente é de cor amarela, e por isso em grego o seu nome significa “flor de ouro“. Estando ligada ao Sol, na China a flor muitas vezes está ligada à nobreza.  Acredita-se que o crisântemo foi levado para o Japão pelos budistas e é mesmo um dos símbolos do país do sol nascente, sendo que o próprio trono do Imperador era conhecido como o “Trono do Crisântemo”. Essa flor é utilizada para representar tanto a vida quanto a morte, o sol e a chuva, sendo a preferida para ser oferecida no dia de finados e no dia de todos os santos.

3. Se eu fosse… um lugar: a praia!!!

O mar tem seus mistérios, tem seus dias calmos e destemperados e dias de beleza inimaginável. Sua paisagem, o som das ondas desmanchando na areia, as luzes do Sol refletindo sobre a água, seu horizonte a perder de vista, tudo isso, me renova, me acalma, me preenche. Nasci e fui criada no litoral, meu relacionamento com a praia é desde de muito pequena. Nossos programas de feriados e férias por muuuuito tempo foram exclusivamente viagens a regiões de praia. Eu sou muito do Sol (reveja o conceito do crisântemo), gosto de caminhar bem na beirinha d’água, sentir molhar os pés, fazer pegadas que se desmancham. Fico na areia me bronzeando por horas, até atingir a cor desejada, meu sangue latino não nego. Não sou tanto de ficar na água muito tempo, entro e saio várias vezes, quando a temperatura está fria então esquece: preciso de muita coragem para entrar. Mas nos dias quentes, um banho refrescante é tudo que preciso para me energizar. Hoje moro longe do litoral, mas minha relação com o mar continua a  mesma. 

4.  Se eu fosse… uma bebida: água de côco!!

É a bebida tipicamente do litoral! Universal da turma saudável!!! Uma água adocicada, que repõe os minerais, hidrata os atletas, mata a seca dos andarilhos, cura os doentes, dá um sabor interessante para os sucos. Na praia bem gelada, não há nada melhor!

5. Se eu fosse… uma comida: risoto de camarão!!

Porque amo!!!! Simples assim!!!

6. Se eu fosse … um personagem: Mérida (Valente) !

Da Mérida só me faltam os cabelos vermelhos. Rs. “Mulher que alcançou um lugar de honra”. Esse é o forte significado do nome da princesa Merida, do filme Valente. Ela é uma menina impetuosa, que ao contrário do desejo de sua mãe, não se interessa pelos assuntos da realeza e quer assumir o controle do seu próprio destino. Rebelde e aventureira, dona de excelente pontaria e agilidade, muito engenhosa e criativa, gosta de contar histórias de batalha aos irmãos e de tortinhas de geléia. A teimosia e a persistência também fazem parte de sua personalidade, e é o tipo de pessoa que nunca dá o braço a torcer. A protagonista de Valente se diferencia de todas as princesas da Disney.

7. Se eu fosse… um animal: um felino!!

Qualidades e virtudes dos gatos: São limpos, familiares, independentes, hábeis, curiosos, excelentes caçadores, sentimentais, inteligentes, alertas. Nada mais a acrescentar. Rs. 

8. Se eu fosse… uma cor: lilás!!

O significado da cor lilás é a purificação mental e física, além disso, a tonalidade também simboliza respeito, dignidade, sinceridade e espiritualidade. A cor é ideal para criar uma atmosfera serena e intimista na decoração porque representa mistério e elevação espiritual. É derivada da mistura entre o vermelho e o azul e por ser uma tonalidade delicada, muitos místicos utilizam essa cor para decorar os ambientes de meditação. Minha atração com essa cor vem desde de pequena. Enquanto a maioria das meninas escolhiam rosa, eu não. Roupas e acessórios sempre na cor lilás e suas variações.

9. Se eu fosse… uma estação: Outono!!!

Apesar da relação com o mar e gostar bastante dos dias de sol, o Outono traz dias de glória após a luta pela sobrevivência no Verão. É uma estação acolhedora. São lindos dias de sol, com a temperatura mais agradável e noites amenas anunciando a chegada do Inverno.

10. Se eu fosse… uma música: Simples Desejo (Luciana Melo)!!!

Que tal abrir a porta do dia, dia

Entrar sem pedir licença

Sem parar pra pensar

Pensar em nada

Legal ficar sorrindo à toa, toa

Sorrir pra qualquer pessoa

Andar sem rumo na rua

Pra viver e pra ver

Não é preciso muito

Atenção, a lição

Está em cada gesto

‘Tá no mar, ‘tá no ar

No brilho dos seus olhos

Eu não quero tudo de uma vez

Eu só tenho um simples desejo

Hoje eu só quero que o dia termine bem

Hoje eu só quero que o dia termine muito bem

Hoje eu só quero que o dia termine bem

Hoje eu só quero que o dia termine muito bem

Legal ficar sorrindo à toa, toa

Sorrir pra qualquer pessoa

Andar sem rumo na rua

Pra viver e pra ver

Não é preciso muito não

Atenção, a lição

Está em cada gesto

‘Tá no mar, ‘tá no ar

No brilho dos seus olhos

Eu não quero tudo de uma vez não

Eu só tenho um simples desejo

Hoje eu só quero que o dia termine bem

Hoje eu só quero que o dia termine muito bem

Hoje eu só quero que o dia termine bem (muito bem)

Hoje eu só quero que o dia termine muito bem

Hoje eu só quero que o dia termine bem

Hoje eu só quero que o dia

Já pensou o que você seria ?????

Hoje eu só quero que o dia termine bem pra mim e pra você!!!!

Crédito da imagem: Foto por Vie Sia em Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”