Balões coloridos, mesas decoradas, um cheiro de felicidade invadindo todo o salão.
Barulho de taças para as bebidas
e uma música maravilhosa preenchendo o lugar
Ela queria sair rodopiando, sorrindo, enchendo o pulmão daquela energia boa, daquele tanto faz, daquele lugar onde tudo era único e especial
Um som alto e diferente
Sobressalto
Ela acorda
Olha ao redor
Para onde foi tudo?
Fecha rapidamente os olhos para voltar
Mas já não está lá
O que fazer, pensou ela entre realidade e a busca do sonho
De dentro para fora
Coloque amor
Nas pequenas grandes coisas
Valorize as horas
Agradeça os minutos
Pinte tudo da sua cor preferida
E ali está
De volta
A vida
Crédito da imagem: Foto por Padli Pradana em Pexels.com
“Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”
Se sua saliva, cicatriza minha ferida o que dirás,
do seu corpo sobre o meu?
Não sei, de que essência és feito,
Mas sei, que a nossa história já valeu.
Fez oração em forma de canção,
Dizendo que não és a favor do tempo.
Mas tens que concordar que ele se multiplicou,
quando nos conhecemos .
E se meu lema é servir,
E o seu proteger,
Isso dá samba amor.
Se meu lema é servir
E o seu proteger
Isso dá samba!!!!
O cheiro,a textura, a mistura da nossa cor,
Me faz esquecer do passado e toda dor.
Tenho a impressão que que não deveria
dizer isso em forma de canção e sim
Na surdina dos teus ouvidos.
E sim, na surdina dos teus ouvidos!!!!
E se o meu lema é servir, e o teu proteger isso dá samba amor!
Se o meu lema é servir e o teu proteger isso dá samba!!!!!
LETRA E MÚSICA DE ALESSANDRA GABRIEL
Crédito da imagem: Foto por Anna Pou em Pexels.com
“Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”
Era manhã, mas não de um dia comum. Aquele era especial. Arrumei tudo com a ajuda dos meus queridos familiares e amigos. Comprei comidas variadas. Salgadinhos, confit de tomate cereja, pãezinhos, carne de caranguejo (que adoro) e outras tortas. Encomendei também doces e bolinhos para compor o banquete. A decoração estava linda. Ficou do jeito que imaginei, simples e elegante. Gosto muito de coisas assim. O bolo era pequeno, mas recebeu uma decoração especial, pois naquela tarde iria atrair a vista de todos.
O sorriso estava frouxo e me lembrava a todo instante o privilégio daquele momento. Eu sabia que não importava o desfecho, estaria feliz qualquer que fosse o resultado. Ao longo do dia me ocupei com a roupa que usaria, em como arrumaria o cabelo e escolhi um perfume suave e adocicado, perfeito para essa ocasião.
Cheguei ao local e fiquei ali parada por alguns segundos, só contemplando os detalhes. Aproveitei para fazer uma prece de agradecimento por estar vivendo tudo aquilo. Que momento sublime, tão cheio de significados, tão pleno de vida e de amor.
Os convidados começaram a chegar com os corações repletos de expectativa. As ondas de alegria reverberavam por todo o ambiente. Ouvi os sorrisinhos das crianças correndo, os estalos dos beijos de cumprimentos e o burburinho dos que faziam aposta numa cor ou na outra.
Finalmente a hora mais esperada havia chegado! Uma leve ansiedade se apossou do meu corpo e pude sentir aquele friozinho na barriga que antecede algo bom. Em poucos segundos a grande revelação viria.
Fiquei posicionada atrás do bolo, afastei os arranjos de flores que estavam ao seu redor e, ao final da uníssona contagem regressiva, apertei a mão do meu esposo e o cortamos juntos. A cor rosa surgiu! Viva, linda! E, numa dança suave de emoções, revelou que esperamos a chegada de mais uma filha amada.
Crédito da Imagem: Pinterest
“Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”
Desde criança convivi com muitas mudanças por causa do trabalho do meu pai. Viajamos por muitas cidades do Norte, Nordeste e Sudoeste do Brasil. Conhecemos muitas culturas, diferentes modos de falar, de se comportar e de costumes. Não posso deixar de falar na culinária de cada lugar. Ao chegarmos eram nos apresentados diferentes pratos de comidas típicas completamente desconhecidos para nós. Podíamos gostar ou não e nos deliciar com os preferidos. Cada vez que nos mudavámos para outro lugar, mamãe “cozinheira de mão cheia” como se dizia na época, levava vários cadernos com receitas das gostosuras da cidade. Os tempos mudaram para melhor. Agora contamos com a tecnologia em todos os setores da nossa vida. Tudo o que acontece, em poucos segundos é relatado para o mundo inteiro. Não temos mais segredos nem privacidade. As pessoas rapidamente tornaram o celular um companheiro indispensável 24h por dia. Confidente da dor ou da alegria, linguarudo por natureza, espalha aos quatro cantos do mundo, tudo que lhe é segredado na escrita do teclado ou em fotos, em sua possante lente que substitui a máquina fotográfica. Foi por isto que eu pobre ser humano, diante de tal poder, me senti só e abandonada. Já não preciso encontrar meus amigos para jogar conversa fora. Basta abrir a bolsa e sacar o celular. E há pouco tempo ao chegar na minha terra, percebi que pra lá foi transportada a cidade em que eu morava. Achei estranho e me senti surtar. Ali estavam as mesmas lojas, pessoas vestidas da mesma forma, comidas, costumes, agora iguais e o sotaque quase desaparecido e as gírias as mesmas. Fiquei deprimida. Não me senti no meu torrão natal. Será que fui trocada? Só me resta aceitar que a vida hoje é online e rápida.
Crédito da Imagem: Foto por Ron Lach em Pexels.com
“Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”
Saímos de casa deixando nossas famílias, amigos, referências. Abandonando nossas zonas de conforto, decididas a embarcar numa desafiante jornada!Viemos para um novo estado e para novos empregos, e o universo nos uniu nesse processo.
Uma deixou os pais, a outra deixou a filha;
Uma é divorciada, a outra é solteira;
Uma é católica, a outra é evangélica;
Uma torce para o Flamengo, a outra para o Botafogo;
Uma é extrovertida, a outra mais recatada;
Uma ama bichos, a outra tem medo;
Uma gosta de repolho, a outra de berinjela;
Uma ama plantas, a outra não;
Uma tá na casa dos 30, a outra na casa dos 50;
Uma corre, a outra caminha.
E mesmo sendo tão diferentes, estamos dividindo o apezinho, montando nosso lar com nossa cara, porque algo muito importante nos aproximou e nos uniu: a educação. Acreditar que a educação é o meio para fazer a diferença nesse mundo, trabalhando para que nossos alunos aprendam além do currículo escolar.
Queremos que se tornem indivíduos/seres humanos/cidadãos, plenos e conscientes de seus valores e direitos e possibilidades e oportunidades.
Amamos ser educadoras e enfrentamos os desafios diários do sistema, porque escolhemos esse caminho, e queremos compartilhar nossos saberes e aprender com nossas crianças.
Essa troca tem sido extremamente gratificante! Vida perfeita? Não temos. Mas é revigorante dividir essa caminhada, compartilhar nossas experiências rotineiras e rir das traquinagens dos nossos estudantes da Educação Infantil.
E já que estamos vivendo um momento coralino, encerro com Cora:
“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
O saber se aprende com mestres e livros.
A Sabedoria, com o corriqueiro, com a vida e com os humildes.
O que importa na vida não é o ponto de partida, mas a caminhada.
Caminhando e semeando, sempre se terá o que colher.”
Obs: Dri é professora dos Anos Iniciais e eu sou Supervisora Pedagógica na Creche Julieta.
Crédito da Imagem: Fotomontagem por Manu
“Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”
O que você não entende
Você guarda
Em lugar escondido
Escuro
Indefinido
De quando em vez
Pelas frestas da alma
Ele passa
Fragmentado
Um filete
E te desloca
Incomoda
Domina
Ei, volta para lá
Ordeno
Não posso
diz sereno
Sou parte de você
Ou me reconhece
Ou ...
O passado é assim
Uma releitura
Fosca
Do presente
Que um dia foi
Crédito da Imagem: Foto por Karina Freitas @kvdfreitas – Cerrado em sépia
“Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”
… para lembrar que nada permanece do mesmo jeito por muito tempo
Triunfante, poderoso, iluminado…o astro rei
Durou poucos dias, mas o suficiente …
para aquecer o corpo e alegrar o coração.
Foram dias bonitos…o sol surgia num tom amarelo dourado meio alaranjado
o céu azul, sem nuvens, um legítimo céu de brigadeiro, desejado por muitos
pilotos;
daquele que se vê um horizonte longe…longe a perder de vista;
e se perder nos pensamentos;
às vezes surgiam nuvens branquinhas que brincavam de desenhar lembrando algodão doce;
à tarde um laranja para anunciar que era hora dele se despedir.
Ah… como eram belas aquelas tardes
com pôr do sol merecedor de Oscar de melhor fotografia e roteiro original
uma aquarela de laranja, rosa, amarelo, azul…pintavam aquele céu com esmero
fazendo esquecer os dias cinzas de outrora.
Chegou o dia do sol voltar a brilhar!
Veio para lembrar que “depois da tempestade vem a bonança”.
E que amanhã estará mais uma vez, eu sei!!!
Ele há de nascer!!!!
Era cedo…
lentamente se erguia por de traz do horizonte…parecia sorrir!!!
Os dias são alegres;
As manhãs são longas, as tardes prósperas e as noites aconchegantes!!!
Fico admirada … olhando para aquela beleza … me perdendo nas horas
quero aproveitar o máximo do momento…os pensamentos me atropelam…
correr, talvez pedalar e malhar também;
melhor ainda, pegar um sol, dar um mergulho, fazer belo passeio ao ar livre;
ou ler um pouco, passar na cafeteria, ouvir jazz;
organizar o lar, fazer o momento do desapego; e
ir à feira, fazer um prato novo.
Fico perdida com todas as opções, quero fazer tudo !!!!
Busco o relógio, olho pra janela … e corro para sair
o tempo não para, o dia não espera por minhas escolhas
pensar demais me faz perder tempo, não quero perder tempo, o tic tac do relógio me lembra que já se passaram minutos preciosos
simplesmente vou…porque há vida lá fora
sinto o movimento da rua:
vejo as pessoas sorrindo;
caminhando para aproveitar o sol;
algumas correm, outras pedalam;
os rapazes jogam bola;
as crianças brincam no parquinho;
um jovem ajuda um idoso atravessar a rua;
um motorista fecha o trânsito para ajudar a criança resgatar a bola fugitiva;
buzinas não tocam porque não é necessário.
Cada pessoa cumpre seu papel ninguém precisa lembrar o que precisa fazer.
Assisto a tudo como um filme colorido, em câmera acelerada
como se a vida se resumisse a uma fração de sessenta segundos;
aquela cena parecia um quadro em movimento do tempo presente.
A cidade voltou a sorrir!!!!
Sorri…a prosperidade de sua gente;
o progresso moral;
as bênçãos da vida;
as curas da alma;
a caridade do ser humano;
a generosidade dos afortunados;
a solidariedade das pessoas;
o acolhimento da comunidade;
a beneficiência, o humanitarismo;
o perdão, o amor; e
o nascimento de seus habitantes;
Voltou a sorrir porque ainda há esperança!!!!
E qual será essa cidade? Qualquer uma, a minha, a sua ou aquela chamada Vida que passa seus dias de chuva, mas também possui seus os dias de sol. Aquela que por dias amanhece cinza, mas que numa bela manhã está um verdadeiro céu de brigadeiro!
Como tem passado, menina? Sei que ainda não nos conhecemos, mas ouvi teu nome muitas vezes nesse ano que passou. Em todas essas vezes que perguntaram por você, aqui em casa nos perguntamos por você também. Fizemos piada e os meninos passaram vários trotes para quem queria apenas seu contato.
Sou velha, reconheço, então o mais adequado a se dizer é que fizemos troça com as suas ligações. Talvez se você estivesse ao lado achasse graça das nossas imitações do que seria a sua voz, ou gargalhasse abertamente das vezes em que informamos que você havia viajado num programa espacial para algum lugar distante, tipo Marte ou Lua, e que não sabíamos a data do seu retorno. Ainda não tem 4G no espaço!
Até essa semana.
Foi nessa semana que me perguntei seriamente se você está bem. Tive vontade de saber se não haveria outro telefone de contato para falar contigo, se…
Nessa semana me lembrei que estamos atravessando um lago pantanoso, escorregadio e cheio de bichos peçonhentos, que podem a qualquer momento depositar seu veneno sem que a gente perceba.
Me preocupei que talvez, ao cruzar para a outra margem, você tenha sido abatida, ou a pessoa responsável por prover sua família tenha ficado desempregada, ou que esse papel de provedora da família seja seu, e tudo possa estar um pouco caótico agora.
Desde o início dessa semana passei a pensar em você como uma pessoa, não mais como um número de telefone que herdamos aleatoriamente. E por isso decidi te escrever, porque não foi apenas o seu número de telefone que você perdeu, mas também sua matrícula na faculdade de engenharia civil, naquela mesma cidade sorriso onde um dia lecionei para jovens e adultos com a esperança de que seriam engenheiras e engenheiros respeitados ao terminar a graduação.
Tão perto.
Essa semana, quando os cobradores ligarem, direi a eles que tenham paciência, que entendam que a sua condição atual de devedora não é algo de sua natureza, mas da natureza dos eventos extremos que estamos vivendo. Vou lembrar ainda que a vida anda dura, mas que temos que acreditar na ciência, nas vacinas, e não desperdiçarmos nossa fé, que sei que sofre com a escassez. E esperançosa que sou, espero que você possa ter um novo número de telefone, pagar seus débitos e retomar seu projeto de se tornar engenheira civil. Um novo começo, como o novo ano sugere.
Seja forte, Ingrid. Cuide-se bem, mantenha-se segura e saudável dentro de suas possibilidades. E que em breve você possa me responder essa carta dizendo que entendi tudo errado, que você descobriu que arquitetura tinha mais a ver com você, e que trancou sua matrícula antiga porque passou para uma universidade federal.
Queria muito te ouvir dizer que trocou seu número porque seu ex-crush era um pé no saco e que você desejava ferozmente que as mensagens dele queimassem no inferno. E que os cobradores que te ligam são sempre os mesmos, a respeito do pagamento daquela mensalidade infeliz que, por uma razão desconhecida, não foi baixada no sistema.
Queria ler em tuas palavras que você atravessou o lago de braçada e chegou tranquila do outro lado, sem intercorrências, sem perdas, com a respiração forte e fôlego para aguentar driblar os novos bichos peçonhentos que poderão surgir.
Queria te ouvir dizer tudo isso e achar graça do meu jeito velho de me preocupar, como se fosse sua mãe ou algo assim. E no fim você me diria “sua loka, não se meta!” ou ainda “te respondi por educação, por favor não me escreva novamente”. Ao que eu suspiraria aliviada pensando, “que bom, menina, que você está bem!”
Crédito da Imagem: Foto por cottonbro em Pexels.com
“Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”