Hospedeiro de palavras

Ela tinha a ligeira impressão de que sempre era escutada por ele, mas nunca ouvida. Ficava sempre presa na contingência do pensamento dele e não vivia o real das palavras que sua boca reproduziam. Sensação de desespero, sensação de eco ineficaz. Definitivamente ele era o opressor da sua linguagem, ele era um hospedeiro das suasContinuar lendo “Hospedeiro de palavras”

RECOMEÇO

Três da manhãpesou-lhe a mão que lhe fezfilhos.da cama ao chãosubsolo da humilhaçãocaída. alma e camisolaem desalinhoo quarto, arco de entradaporta de saídadizia o dedo em riste.ela, rainha em seus desejosela, rama de lenha molhadafoi o que lhe dera a existência.A mulher há incontáveis sóisnão pescava caranguejos na lamanão comia peixe salgado para o mêsarrancadoContinuar lendo “RECOMEÇO”

“O que você deixou de ser quando cresceu?”

O domingo corria apressado enquanto eu tentava inutilmente impor a ele um ritmo de leveza que eu própria nem tenho. O fim de tarde era morno, com as estruturas pesadas de concreto dos viadutos da cidade expurgando todo o calor que receberam ao longo do dia. Em um deles, uma frase de letras inconstantes cravou-meContinuar lendo ““O que você deixou de ser quando cresceu?””

MUNDO

O mundo é uma mistura de tudo que existeMeu sonho é viajar para todos os lugares que existem,Dos mais famososAos mais remotos Quero ver a vidaEm todas as distinçõesE com todos os significados que já existemRessignificar cada crençaÉ entender o propósitoDe tantas diferenças e belezas Vou pôr a minha vida em uma malaE só comContinuar lendo “MUNDO”

Presença

Se puder escolher um caminho em tua vida, escolha se emocionar. Escolha a experiência que te levará para além; afora de tuas margens concretadas. Sempre. Para longe dos sentimentos diários e atitudes orquestradas. Opte por aquela viagem que sonhou, muito antes de poder viajar. Retire da estante o livro que te desafia.  Pés no chão;Continuar lendo “Presença”

Salto para o desconhecido

A sombra projetada de seu próprio reflexo contra a água lhe dava medo. Via-se pálida, com escuras olheiras, a pele seca. Era jovem, mas sentia-se velha, cansada. Antes do momento final, sentou-se e refletiu. Sentia dentro de si uma forte pulsão de morte. Estudou tudo isso no curso de psicologia. Mas nem a graduação, nemContinuar lendo “Salto para o desconhecido”