Se puder escolher um caminho em tua vida, escolha se emocionar. Escolha a experiência que te levará para além; afora de tuas margens concretadas. Sempre. Para longe dos sentimentos diários e atitudes orquestradas. Opte por aquela viagem que sonhou, muito antes de poder viajar. Retire da estante o livro que te desafia. Pés no chão;Continuar lendo “Presença”
Arquivos da categoria: Crônicas
Receitas de Família
Chá de capim-santo com bolacha água e sal: Dia quente e de ócio Com primos-irmãos O vento quente e empoeirado do sertão O corpo de criança que não se cansa das brincadeiras do dia Mas que sucumbe à dor do ventre na noite sem fim “O que comeu? O que aconteceu?” A avó com olharContinuar lendo “Receitas de Família”
Quando percebi meu fim
Me peguei pensando que comecei a morrer, após um pesadelo. Nele, eu mergulhava no fundo de um mar, e não mais voltava. Acordei assustada, suando. Mas afinal, quando começa a vida, e quando ela de fato termina? Seria viver estar preso a um corpo material, que apodrece aos poucos? Ou a vida teria um significadoContinuar lendo “Quando percebi meu fim”
Eco
Dentro de mim tem um Eco que repete a mesma fala, a mesma voz, o mesmo comando. Esse Eco que percorre meus pensamentos desagua no meu corpo histérico que escandaliza e cancela minhas possibilidades de ser. Só sei que não sou. E não sendo me atormento, me paraliso e mobilizo aqueles que de mim estãoContinuar lendo “Eco”
Gotas
Olhei para fora e as gotas da chuva escorriam pelo vidro da janela na mesma sintonia das minhas lágrimas. Por um instante, me perdi nessa visão e esqueci um pouco da dor. O dia estava cinzento e melancólico. A música ao fundo também inspirava uma atmosfera tristonha. O trinado lamentoso de um pássaro me tirouContinuar lendo “Gotas”
Expresso da Meia-Noite
Sabe aquela receita do insucesso que todos, inclusive eu, recomendam não fazer porque é quase certo que o resultado dê errado? Não seria exatamente uma tragédia anunciada, mas a chance de “dar bom” seria bemmm improvável. Mas uma chance mínima ainda é uma chance, então me apeguei a ela com disposição. Me inscrevi para participarContinuar lendo “Expresso da Meia-Noite”
Uma mãe por todas. Todas por uma mãe
Deixei minha caçula em casa com o compromisso de lavar a louça gigante que estava sobre a pia desde muito cedo. Era a tarefa dela, meio indigesta, eu sei, mas ela parecia resignada. Deitada no sofá, ela tentava reunir coragem para enfrentar a pilha de pratos e travessas enquanto a cachorrinha a puxava pelo vestidoContinuar lendo “Uma mãe por todas. Todas por uma mãe”
Fragmentos sociais
Minhas primeiras lembranças de alteridade, de brincadeiras com amigas, trazem a imagem da “Bel”. Uma menina preta. Linda. Altiva. Dois ou três anos mais velha do que eu. Inteligente. Prática. Estudiosa. Olhos incrivelmente brilhantes. Cabelos partidos, trançados, presos – sempre. Organizava todas as nossas brincadeiras, que na época eram bastante restritas. Talvez por falta deContinuar lendo “Fragmentos sociais”
Vento
O vento soprou forte Balançou todas as árvores ao redor Os meus cabelos foram-se na ventania Arrepiaram… Embaraçaram… A vontade de fazer o coque para disfarçar o frizz As folhas vieram em minha direção Eram folhas verdes, amarelas e marrons porque também tinham as folhas secas. Um vento impetuoso vindo dos ares Esforçava para arrancarContinuar lendo “Vento”
Uma lista para chamar de minha
Sou a mulher das listas. Tenho lista para tudo: a lista de ideias para textos, a lista de livros para ler, a lista dos livros que emprestei e para quem emprestei, dos filmes para assistir, dos lugares para conhecer… Essas listas não me cobram uma ação imediata, ficam ali à mão esperando o prazeroso momentoContinuar lendo “Uma lista para chamar de minha”
