SIMPLESMENTE

(última atualização em 27 de junho de 2021)

Por: Karina Freitas

No segundo ano em pandemia comemorar mais um ano de vida é uma grande celebração. Receber e celebrar felicitações de saúde ganhou novo significado. Ter os mais próximos vivos e saudáveis é um motivo de gratidão. Vou querer mais o que neste momento?

Daí paro… olho ao redor e reflito…

O que realmente importa?

Comemorei meu aniversário de 2021 num dos melhores lugares do mundo: na praia, com o primeiro banho de mar do ano. São Pedro deu uma forcinha! Muito obrigada.

Depois de um domingo de chuva, parecia que meus planos estariam cancelados. Nosso encontro fora adiado apenas por um dia. O mar e eu. Eu e o mar.

A terça-feira amanheceu bela, com aquele sol de inverno tímido que se revela aos poucos. De um jeito sem pressa pra nascer que nunca se sabe se sairá um sol frio (daquele engana trouxa) ou ficará um calorzinho de verdade para aquecer o corpo e reenergizar a alma!!!

Ele saiu brilhoso, estonteante com um verdadeiro presente de aniversário. Depois de risoto, chocolate e aipim eu amo o Sol (nem sempre nessa ordem rs). E como gosto do astro rei.

Mal cheguei na praia, que estava simplesmente deslumbrante, e já fui mergulhar! Para molhar o corpo e lavar a alma. No meu ano novo pessoal, um banho de mar veio bem a calhar!

A água não estava gelada, apenas fria. Com uma dose de coragem e disposição para aproveitar e me deliciar com aquele momento ímpar. Aniversário na praia!!! Quero repetir.

Comemos peixe, depois de risoto é meu prato predileto, e aipim frito…hummm (não é mandioca, nem macaxera, rs). Pensa numa pessoa que gosta (com som de “x”) de aipim! Eu mesma. Muito prazer! Tudo orquestrado por uma grande amiga. Seu abraço representou todos os amigos que não pude encontrar e abraçar.

À noite, seguindo as comemorações, virei master chef num jantar em casa. Éramos cinco, uma grande festa nos tempos do Covid. Com meus pais, irmã e cunhado, que representaram todos os parentes que não puderem comparecer.

Cantamos parabéns!!! Ah! Eu assoprei a vela sim! Mantendo a tradição, só que não mais no bolo. A vela foi devidamente transferida para o prato de sobremesa.

E com essa simplicidade completei mais um “outono” e fui feliz!

Sem grandes eventos, jantares, churrascos que foram tema nos anos anteriores.

E no final pensei do que mais precisaria neste dia, no meu dia!!

Nada mais!

Simplesmente assim e tudo bastou em mim!


Crédito da Imagem: Foto por Pixabay em Pexels.com

Os textos representam a visão dos respectivos autores e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

ESCULTURA

Por: Paola Lima

Noite que toma conta da alma e dela extrai uma porcentagem estritamente necessária para continuar. Na mesma medida que te é extraída, tu absorve algo que não sabes o nome, algo que a noite deixa escorrer, um sentimento de fuga.

A noite grita e parece nada dizer. Mas ao se calar nos canta uma grande Odisseia heróica e mentirosa, vinda de nossa própria mente sabotada pelas crenças na vida. Sabotada pelos sentidos irreais de um órgão que pulsa o próprio tempo. 

Ínfima substância de nossos segredos circula no ar. Dessa forma enxergamos o oculto daquilo que se escuta no silêncio. E devoramos o tempo com muita fome cardíaca, lambuzamos a cara e as mãos, negando as máscaras e luvas fantasiosas, pois nos admitimos animais do infinito e da matéria.

A carne pede vida, e a vontade nos afoga no prazer que renuncia cada vez mais a razão da existência. Vivo dentro de uma carência constante de realidade desde que vi coisas que moram nos olhos dela, essas jamais vistas antes por um ser humano, não sabendo mais diferenciar minhas invenções das coisas concretas de fato. Amar o perdido confunde a razão de ser. 

Não era poesia de se ler com os olhos, mas sim de escrever-se com a boca e coxas, percorrendo veias e traçando cabelos embaraçados. Uma obscena carne que nos confunde a memória desagregando a veracidade dos pensamentos. 

Surge no estômago a necessidade de recompô-la, essa complexa lembrança sensitiva que me invade a cabeça sem permissão. Limpo o vidro embaçado de ilusões e fica claro o reflexo da ausência. 

É preciso moldá-la no ar através de minhas mãos desajeitadas, uma composição fictícia de figurações abstratas com caprichos leves. Tento reconstruí-la nesse momento a partir daquilo que tem de ti em mim, mas ainda me faltam muitos toques esquecidos.

Apesar do cuidado, um suspiro a mais e toda obra viria a desabar. Não será possível te modelar pois não encontro vestes, não encontro matéria.

Eu que me via na forma concreta e viva, me perco dentro da ilusão, essa falsa realidade que me sabota constantemente.

 Há de ser esse fascínio pela utopia que nos mantém vivos por gerações, sempre a imaginar o irreal. 

Contemplo o nada, o ilusório. 

No final das contas, 

o que existe 

é o tempo e sua fuga, 

e nada mais além dele.

10/08/2019


Crédito da imagem: Foto por Sunsetoned em Pexels.com

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Paola Lima

Escritora convidada do Sabático Literário em junho.

ILUSÃO

Por: Julia Quintanilha

Quem me dera poder me apaixonar
Corações nos olhos, borboletas na barriga
Agir de forma estúpida, sentir flutuar
Fazer as pazes depois de uma briga

Passei um tempo dizendo que sentia por você
Todos esses sentimentos confusos que pareciam no ar
Pareciam fortes e era natural como aprender o abc
Mas a verdade, é que eu só queria me enturmar

É irritante não gostar de ninguém quando todo mundo parece apaixonado
Achei que deveria me sentir assim também, parecia o certo
E você estava lá, e parecia que nunca me deixaria de lado

Em um certo momento, tudo pareceu verdade
O olhar fixo, a mão nervosa que segurava a minha por mais tempo do que devia
Mas você também não sabia, que pra nós dois, era tudo vaidade.


Crédito da Imagem:  Foto por Arthur Brognoli em Pexels.com

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LADY IN RED

Por: Elaine Resende

O DJ anunciou a hora do intervalo e colocou uma música antiga, que ele reconheceu imediatamente de um dos discos da sua mãe. Era uma música muito romântica, que falava sobre um homem que admirava uma mulher com a qual dançava, a mais bela de todas, cobiçada pelos homens no salão.

Ela estava de pé em seu vestido vermelho, observava os pares se formarem sem expressão definida. Ele começou a andar em sua direção, o coração batia acelerado. Quando estendeu a mão, ela aceitou. Naquele momento, para ele, não existia ninguém mais além dos dois juntinhos, de rosto colado. Ele encontrou os batimentos do coração dela e sentiu que estavam no mesmo ritmo. Havia espaço para ele, gritava aos solavancos seu peito.

A música era a mais perfeita descrição do que experimentava. Imaginou seus corpos físicos flutuando como uma projeção astral. A cadência de seus passos, a respiração quente, tudo conspirava por essa união. Em seu íntimo, podia ouvir o sussurro do universo em seus ouvidos que dizia que este encontro havia sido escrito muitos anos antes, eram almas que anseiam pelo reencontro.

Quando a música acabou, ele a segurou firmemente em seus braços e a jogou para trás, deixando que a curva de seu pescoço se mostrasse, os cabelos pendendo no ar. Trouxe seu corpo suavemente para cima e, enquanto os casais se dissipavam por aqui e por ali, beijou-a com paixão.

Ela sentiu a tensão daquela noite descer de seus ombros e buscar outros pontos onde se hospedar. Estava desacorrentada, como se o último elo do grilhão que ainda a prendia a outro homem houvesse rompido. Ela encostou sua mão em seu peito e se aconchegou em seu ombro. Ele exalava calor e um cheiro de almíscar inebriante. Ele era algo de delicioso e reconfortante, tão inexplicavelmente gostoso que ela não tinha palavras para descrevê-lo. Ele era fortaleza, uma tarde de outono em maio, o perfume das árvores.

Ela olhou dentro de seus olhos e viu quando seu olhar encontrou sua alma. Sua íris, de um caramelo cristalino e marcante, parecia única. Lembrou da música que sua mãe cantava sobre os olhos castanhos… raios de luz. Abriu um sorriso bobo, era a noite adequada para isso, sorrisos bobos. Ele sorriu de volta.

Ainda estavam no meio do salão quando a música eletrônica recomeçou, acordando ambos do transe em que se encontravam. As pessoas adentravam freneticamente no ambiente, que estava muitos decibéis acima do que a audição humana deveria suportar.

Ele beijou a parte de trás de seu pescoço, próximo a sua orelha, e segurou sua mão com confiança. Ela podia ler seus pensamentos. Caminharam juntos de mãos dadas, lado a lado. Ele agora sabia o que nunca havia se permitido sentir, mas estava lá. Nunca mais a perderia para ninguém, ele a amava, mesmo que isso significasse magoar outra pessoa. Mesmo que essa outra pessoa fosse seu irmão.


Crédito da Imagem:  Foto por Anton H em Pexels.com

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NUM BECO SEM SAÍDA

Por: Angelica

Era assim que me sentia quando alguém me perguntava na frente dos meus pais: você já tem namorado?

Queria dizer que sim com vergonha de assumir que não. Ficava horas da minha adolescência sonhando acordada que aquele garoto da casa vizinha era o meu namorado.

Em meus devaneios de menina ele se aproximava de mim na calçada e me convidava para dar uma volta na rua. Era o máximo que eu podia pensar.

Sempre que ia para a escola levava uma esperança de conhecer algum novo colega e que naquele momento tornava-se meu príncipe encantado.

Na minha adolescência e juventude vivíamos estes sonhos encantadores embalados por lindas melodias. Estes amores fugazes que nasciam tão de repente, despareciam no ar. Não sofríamos porque tínhamos certeza de que logo encontraríamos outro.

Hoje, vejo as meninas que já não sonham porque perderam o direito de serem simples meninas e cedo, muito cedo, por causa de uma impressão errada ou porque acreditaram nas promessas segredadas em seus ouvidos, com toda a força de uma voz rouca e suave, transformam-se em notícias de jornal.

Nossas meninas estão em perigo e precisam saber disto. Nossas meninas não podem mais acreditar naquela voz que diz palavras de amor e depois mata. É hora de chamar atenção para os cuidados que devem ter e não pensarem que aquele homem que jurou amor, há tão pouco tempo, não será capaz de machucá-la, quando o ódio ocupar o coração dele.

As nossas mulheres precisam ser salvas, dos amores mal vividos, das palavras mentirosas, das mentes loucas e da falta de cuidados. Precisam recuperar o direito de falar, o direito de viver e ser feliz e principalmente o direito de amar por vontade própria.

Crédito da Imagem:  Pexels

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BORBOLETAS

Por: Karla Militão

Admiro as borboletas. Elas vivem cada momento intensamente.

Admiro as borboletas. Elas são discretas, belas e voam sempre em busca do colorido das suas queridas flores. Na sua frágil beleza dão exemplo de simplicidade e elegância. Não gostam de alarde, ao contrário são silenciosas e no silêncio quando nada parece acontecer elas passam por um processo de abandono e transformação, onde deixam seus corpos pesados de lagartas e transformam-se em bailarinas dos ares. De suas crisálidas inertes brotam sonhos leves e repletos de fantasias.

Admiro as borboletas. Elas vivem cada momento intensamente. Sabem que suas vidas passam em um breve instante por isso não podem desperdiçar tempo com banalidades.

Quero ser borboleta. Quero passar por metamorfoses e por fim tornar-me uma criatura mais bonita. Com minhas asas suspirar pelos jardins da vida. E com minhas cores divertir os dias cinzentos daqueles que esqueceram que a vida pode ser multicor. Com minha leveza desejo embalar os pensamentos acelerados do nosso dia a dia e acalmar os corações com a sutileza do meu voar.

E assim de flor em flor, de cor em cor, de voo em voo irei espalhando mensagens de amor e esperança para uma humanidade ensimesmada presa dentro do seu próprio casulo.

Admiro as borboletas. Na sua finitude seus corpos encontrarão a última transformação. E assim a alma se tornará pronta para gozar da eterna felicidade.


Crédito da Imagem: Foto por Daniela Echeverri Fierro

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A CARTA

Oi…

   Como tem sido sua vida? Me conta, mesmo que não ache importante.

    Mandei arrumar o carro. Ficou bom, você tinha toda razão, estava precisando. Não entendo porquê relutei tanto.

   Ainda não consegui ler os livros que me indicou, abro-os, cheiro-os e percebo que não querem ser lidos, só embalados no meu colo vazio e fico a observar o vazio que eles deixam na estante.

    Pintei a casa. Laranja. Não como do poema “Impressionista” (sempre amanhecendo), mas entardecendo. Teria gostado, logo é noite.

   Refiz o jardim. Abandonei as orquídeas, são melindrosas demais, sou por demais incompreensiva para com elas e seus melindres de excentricidade. Hoje, cultivo as violetas, a janela da cozinha está florida, elas me dão a chance de acreditar que estou no caminho certo. Se falho, substituo por uma nova, já em botões e tenho a impressão de que tudo continua sempre igual.

   Ontem encontrei aquele nosso amigo de longa data. Perdemos a intimidade. Senti essa perda, não somos mais crianças. Sabe… chego à conclusão: o tempo realmente passou, assim, feito ventania, destelhou casas, levantou poeira…

   E sigo assim. Como se nada nunca tivesse fim.

 Carinho.

                                        Da sempre sua;

 PS: As portas continuam sem chaves.

Crédito da Imagem: Pexels

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A SEMENTE DO ACOLHIMENTO

Por: LIdianne Monteiro

EM TODAS AS SITUAÇÕES, A DUREZA DO ABANDONO PODE TRAZER A LIÇÃO REDENTORA DA ACOLHIDA, A DEPENDER DE COMO REAGIMOS A ELE.

Temos um gatinho em casa. Adotado há quase três anos. Fruto do desejo antigo da minha menina mais nova, ele chegou em um momento em que nossa família se reestruturava e se acomodava a mudanças difíceis. Ele trouxe um ar de frescor e vivacidade à casa e preencheu nossos dias com ternura e traquinagens. Antes dele chegar, já tínhamos decidido que adotaríamos um bichinho abandonado que precisasse de uma família. Divulgamos com alguns amigos esse nosso desejo e o universo o fez chegar aqui por meio de uma rede de amigos onde um fala para o outro que fala para mais alguém e, quando a gente vê, está se comunicando com alguém que nem conhece e que estava cuidando do nosso bichinho enquanto a gente ainda nem sabia que ele existia.

Charlie foi abandonado por sua mãe, uma gata que vivia nas ruas. A primeira pessoa que o resgatou, moradora das proximidades dessa rua em que a gatinha transitava, viu a ninhada e observou, por diversas vezes, que a gata mãe o rejeitava, deixando-o para trás ou até mesmo machucando-o. A humana (com todo os sentidos da palavra “humana”) que teve compaixão por ele já cuidava de outros animais e o resgatou para proteger sua vida frágil enquanto conseguia um lar definitivo para ele. E assim ele chegou para nós.

Por que queríamos um gatinho abandonado? Por que não fomos a um pet shop comprar um gatinho de raça, perfumado e lindo? Também amamos os bichinhos de pet shop. Mas a probabilidade desses bichinhos conseguirem um bom lar é bem maior do que a de um gatinho abandonado, sem raça definida, sem histórico de saúde conhecido, muitas vezes magrinho e sujo, talvez doente. Além disso, há indícios recorrentes de exploração animal nesse tipo de comercialização, o que, obviamente, não posso generalizar como regra.

Nesse contexto, salta-me aos olhos de forma muito contundente a questão do abandono em geral, do estar sozinho, do ser preterido, rejeitado, de não ter ninguém para lhe acolher e de estar entregue à própria sorte. Isso acontece com todos, humanos e animais, em determinados graus e em muitas situações ao longo da vida. É o emprego do qual se foi dispensado; é a dificuldade em alimentar a família quando não se tem recurso e falta ajuda de terceiros ou do Estado; é a falta de assistência à saúde e o abandono em um corredor de hospital; é o idoso abandonado ou explorado pelos familiares; é a criança cujos pais não dão a devida proteção; é a mãe chefe de família com sua prole e sem a assistência dos pais de seus filhos; é o morador de rua; é o estudante esforçado e sonhador que não consegue uma oportunidade de ingressar na universidade porque o Estado não provê vagas suficientes; é a pessoa que sofre discriminação pela cor da pele, origem ou orientação sexual; é o bichinho abandonado também, ou porque algum “humano” o descartou ou porque cresceu na rua sem contar com a eficácia de uma política sanitária que abordasse de forma responsável a questão animal, que também é uma premissa de saúde pública.

Seguimos todos desdobrando-nos para superar esses abandonos porque em todos nós há, latente, o instinto pela sobrevivência. Não importa qual o abandono que estejamos buscando superar, seja aquele protagonizado por alguém próximo do qual se esperava compromisso ou empatia ou, ainda, o abandono do próprio Estado e das instituições. Em todos podemos atuar em alguma escala e, de preferência, de mãos dadas. A ilustração trazida pelo exemplo concreto do bichinho abandonado é um caso dentre tantos de várias naturezas e gravidades distintas.

Em todas as situações, a dureza do abandono pode trazer a lição redentora da acolhida, a depender de como reagimos a ele. Na minha pequena e limitada esfera doméstica, a lição de acolher um bichinho e de fazer dele um membro da família amado e digno de cuidado e carinho desperta o compromisso com outro ser, o exercício da nossa capacidade de ter empatia e a iniciativa de fazer algo com nossas próprias mãos, ainda que demande energia, esforço e dedicação. E isto pode e deve ser extrapolado para outras causas também. A escolha pela acolhida beneficia tanto ou mais a quem acolhe.

Minhas filhas vivenciaram a lição da acolhida com a decisão pela adoção do Charlie. As lições construídas sobre a base do bem podem permear tantas outras decisões e prosseguir em outras causas, ainda que nem sempre consigamos ou possamos atuar de forma eficaz e no nível em que desejamos. Mas a semente da boa vontade e do acolhimento foi plantada e é regada todos os dias. Ainda que seja com um regador de conta-gotas, a terra estará sempre molhada e essa plantinha pode prosseguir e florescer.

 Agora, em meio à pandemia, vimos nossa família receber uma cachorrinha recém-nascida abandonada em uma caixa de papelão com outros filhotes. É tão pequena que ainda nem abriu os olhos. Não sabemos se ficará tão grande que não caberá no apartamento, nem podemos predizer nada de sua futura condição de saúde. Mas aceitamos o desafio com amor. Fomos ao encontro dela também sinalizados por uma rede de proteção da qual não conhecíamos ninguém presencialmente. E estamos aqui, as três, alimentando-a com uma seringa a cada duas horas. A acolhida demanda esforço e ações concretas sempre. Envolve também resistências, medos, críticas e dificuldades que, apesar se fazerem presentes, nem de longe fazem frente à terra viva e fecunda lançada à semente do acolhimento.


Crédito da Imagem: Foto por Snapwire em Pexels.com

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Mulher

Mulher que faz de tudo em seu lar

Que ama o que faz

 Que deixa o seu reflexo por onde passa.

Mulher que transforma sua casa, sua família colocando amor em cada detalhe.

Mulher que acorda cedo para preparar o café a todos da casa.

Mulher que em frente ao espelho fica olhando o seu olhar belo.

Mulher que trabalha fora e ainda rege o seu lar.

Mulher cheia de sonhos, de expectativas.

Mulher que luta por suas realizações.

Mulher que fala, mulher que faz.

Mulher que é mãe, mulher que é pai.

Mulher que é esposa

Mulher que batalha

Mulher vencedora!  Parabéns a todas as mulheres empoderadas de amor, de luz; enfim mulheres cheias de vida.

Crédito da Imagem: Pexels

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INTEIRA

Por: Sônia Souza

Ela estava lá
Não inteira
Arena de duas forças que insistiam em ficar
E teve início ao que talvez nunca mais tivesse fim
Não eram dois ou três
Era o mesmo um que indistinto 
Se multiplicava e era indivisível

Crédito da Imagem: Daniela Echeverri Fierro

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