Dei apenas um tempo

Peguei a mochila velha guardada no canto do quarto. Preenchi com roupas de verão, mas também não esqueci o velho casaco de lã. Precisava me preparar para todas as possibilidades. Chuva forte, sol, garoa, o que fosse. Queria sentir a plenitude de uma nova cidade, com sua natureza, seu patrimônio, sua gente, e até mesmoContinuar lendo “Dei apenas um tempo”

O vestido branco, fio por fio

Ela enfim comprou o tão sonhado vestido branco. Passou semanas envolvida em tecidos, rendas e modelagens. Um mais bonito que o outro. Mas não bastava ser belo, precisava ser perfeito. Como seus sonhos. Aqueles em que estava ao lado de seu príncipe encantando, celebrando a mais bela das uniões. Aqueles em que enfim, depois deContinuar lendo “O vestido branco, fio por fio”

Cerveja Amarga (Rebeca Maia, Ipê Amarelo, 2022, 80 páginas)

“Há três anos eu não esperava que estaria aqui, neste bar, tomando cerveja sozinha enquanto observo o ambiente, as pessoas e reflito sobre tudo o que aconteceu e o que pode acontecer. Há três anos eu não me permitia experimentar sequer esse copo de cerveja amarga…” Solidão, amor, dúvida, melancolia, traumas, e uma série deContinuar lendo “Cerveja Amarga (Rebeca Maia, Ipê Amarelo, 2022, 80 páginas)”

Eu, mulher

Eu, mulher Incorporo o canto de gerações na voz Que gritam, protestam E entoam toda uma ancestralidade FORTE Eu, mulher Escrevo como escravas, mães, negras, domésticas Que reivindicam o próprio corpo Que choram Não querem ser: MORTAS Eu, mulher Cuido, limpo, trabalho, organizo Corro, resgato E digo: NÃO É NÃO! Eu, mulher Tô sempre devendoContinuar lendo “Eu, mulher”

A menina no terraço

De longe ela apreciava parte de sua pequena cidade. Via os telhados compridos e os muros descascados. As pessoas caminhando, ora apressadas, ora tranquilas. Os carros, ônibus, bicicletas e até mesmo carroças. Lina morava em uma cidade pequena, em que ainda persistia a existência destes veículos. E o céu azul e um sol escaldante, típicoContinuar lendo “A menina no terraço”

Fuga

A mão apertada contra o meu pescoço esmagava-me.Meu fôlego ia diminuindo e uma sensação de pânicotomava conta da minha mente. Aquele relacionamento abusivo já durava anos. Porinúmeras vezes apanhei, mas nunca tive coragem dedenunciá-lo. Agressões verbais, pressões psicológicas, socos, tapas… Passei pelo inferno nas mãos daquele homem. Mas ainda assim eu persistia, persistia. Sempre alegandoContinuar lendo “Fuga”

Sobre chaves, chaveiros, portas e ressaca (muita ressaca)

Alice acordou de ressaca. Física e moral. Mais uma vez se atirou em um sentimento forte. E dessa vez, a queda parecia pior que das outras. Estava estava ficando velha, e quanto mais se arriscava, piores as dores. E mais forte o efeito colateral da cerveja para esquecer. Ela era supersticiosa com chaves, tinha umaContinuar lendo “Sobre chaves, chaveiros, portas e ressaca (muita ressaca)”

Redecorando minha casa e minha alma

O amor não sobreviveu a força do tempo. Foi eterno enquanto durou, chegou ao fim. Agora é hora de recomeçar. E redecorar minha nova casa, meu novo quarto, e minha alma. Alguns quadros eu já tenho, outros vou comprar. Também pretendo trocar o capacho com aquela imagem da sua série preferida. Talvez escolha um rosaContinuar lendo “Redecorando minha casa e minha alma”

A vida em um abraço

Quem nunca recebeu um abraço apertado daqueles de quase quebrar os ossos deveria experimentar. Às vezes nenhuma palavra é suficiente para expressar um sentimento. Mais vale ele, simples, de graça, super fácil de dar. Quanto mais forte melhor. É engraçado gente que não gosta de abraçar. Que se sente desconfortável ou algo assim. Fico pensandoContinuar lendo “A vida em um abraço”