A caixinha de som na traseira da moto vibrava ao solo da guitarra. Parecia uma súplica, que chovesse naquela hora, aplacando o sol escaldante do Ceará, e lavasse sua alma empoeirada da estrada, que acumulava as traças da falta de contato, da distância que aquela missão havia imposto aos dois. Ele havia voltado apenas porContinuar lendo “Eu gostaria que chovesse agora”
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Minha mão agora
Minha mão agoraé quase tão exigentequanto meus olhosleitores e vorazes Minha pena hojeNão profere maisquaisquer palavras E o papeldiante de mimnão provocaansiedade No silêncioe na virtude intocadada superfície brancadistante do trânsitode letras e pontos Descobri:É o lugar onde encontrominha alma poéticadormindo e sonhando Porque a vida é repleta deAntíteses que se completamO movimento é importantetambémContinuar lendo “Minha mão agora”
Hospedeiro de palavras
Ela tinha a ligeira impressão de que sempre era escutada por ele, mas nunca ouvida. Ficava sempre presa na contingência do pensamento dele e não vivia o real das palavras que sua boca reproduziam. Sensação de desespero, sensação de eco ineficaz. Definitivamente ele era o opressor da sua linguagem, ele era um hospedeiro das suasContinuar lendo “Hospedeiro de palavras”
RECOMEÇO
Três da manhãpesou-lhe a mão que lhe fezfilhos.da cama ao chãosubsolo da humilhaçãocaída. alma e camisolaem desalinhoo quarto, arco de entradaporta de saídadizia o dedo em riste.ela, rainha em seus desejosela, rama de lenha molhadafoi o que lhe dera a existência.A mulher há incontáveis sóisnão pescava caranguejos na lamanão comia peixe salgado para o mêsarrancadoContinuar lendo “RECOMEÇO”
Grito eloquente
Quer tudo para o mesmo instante Não sabe esperar nem poucos minutos Balança as mãos e respira ofegante Essa é a vida do impaciente. É o trabalho, a casa, o financeiro. Um turbilhão de coisas na memória; Não sabe se dá um passo a frente Ou se acalma e espera. Vidas do século XXI TerapiasContinuar lendo “Grito eloquente”
Troca de roupa
Troca de roupa Todo mundo dizia Que chegava a época Onde as coisas não cabiam Não é que não servissem Longe dessa inverdade Mas era algo desconfortável Sei lá Um incômodo Eu bem que tentei limpar a lente E por um tempo até achei que estivesse tudo no lugar Mas eis que o botão daContinuar lendo “Troca de roupa”
Presença
Se puder escolher um caminho em tua vida, escolha se emocionar. Escolha a experiência que te levará para além; afora de tuas margens concretadas. Sempre. Para longe dos sentimentos diários e atitudes orquestradas. Opte por aquela viagem que sonhou, muito antes de poder viajar. Retire da estante o livro que te desafia. Pés no chão;Continuar lendo “Presença”
Salto para o desconhecido
A sombra projetada de seu próprio reflexo contra a água lhe dava medo. Via-se pálida, com escuras olheiras, a pele seca. Era jovem, mas sentia-se velha, cansada. Antes do momento final, sentou-se e refletiu. Sentia dentro de si uma forte pulsão de morte. Estudou tudo isso no curso de psicologia. Mas nem a graduação, nemContinuar lendo “Salto para o desconhecido”
Banquete aos vermes.
Banquete aos vermes Banquete aos vermes A irregularidadeDa ordem dos diasé cada átomo gritando(Des) acelerar!!!Tempo urgebrada as horas irreversíveispêndulo imperfeitoranhuras insistentes e obrigatórias,comemoradas ano a anoPor quê?o entregar seu respirar ao desconhecido?aplaudir a dor dos dias contados?Acelerarcomer a vida com as mãosSem etiquetaSem permissãosó então……aos vermes mal passado. Crédito da imagem: Pexels.com “Os textos representam aContinuar lendo “Banquete aos vermes.”
Dualismo
Acordei ainda atordoada. Minha cabeça pulsava deixando meu rosto contraído de dor. Continuar ali deitada me traria mais desconforto. Levantei meio tonta. Caminhei até à cozinha e tomei um gole d’água bem devagar, tentando alinhar meus pensamentos. Aconteceu de novo. Qual será a razão disso tudo? Porque esses sonhos perturbadores insistem em me atormentar? TalContinuar lendo “Dualismo”
