VALE CARIOCA

Por: Elaine Resende Peguei os exames na gaveta, coloquei na sacola de pano e dei uma última olhada no espelho. Tenho orgulho de parecer uma cobra que engoliu um boi. A roupa não esconde mais a pele lustrosa e o zebrado branco, a mensagem evidente de que o dia tão esperado está próximo. Um arrepioContinuar lendo “VALE CARIOCA”

ELA DISSE SIM

Por: Lidianne Monteiro Disseram-lhe que ela deveria sossegar. Reforçavam quase diariamente que já era hora de se aposentar também dessa inquietude de querer alguma coisa que ela não sabia direito o que era. Mas que sabia que queria. Isso a impulsionava, ainda que passasse por represálias dos que teimavam em condená-la a viver uma vidaContinuar lendo “ELA DISSE SIM”

PORTAL

Por: Lidya Gois Ela adentrou em um desses portais que te fazem viajar no tempo. Quando recobrou os sentidos, reconheceu instantaneamente a familiaridade daquele lugar. Era uma espécie de quintal que abrigava um quartinho cheio de tralhas. Tinha uma modesta plantação de bananeiras e alguns pintinhos empenhados em achar algo para beliscarem. Ela ainda estavaContinuar lendo “PORTAL”

A HUMILHANTE

Mercedes foi convidada a entrar numa sala. De início era para falar de algo do dia a dia, de coisas de menor importância, mas ao adentrar naquela sala lá estava a humilhante que a tentou diminuir com muitas palavras a colocando como uma pessoa que ela não era.  Ela foi chamada de egoísta, de individualContinuar lendo “A HUMILHANTE”

CAMAS CONDENADAS

Naquela noite cheguei por volta das 3 horas da manhã e escolhi uma cama de solteiro que estava disponível entre tantas outras ocupadas. Me parece que havia uma cama de tamanho médio ao meu lado onde dormia um casal que chegou uma hora antes de mim. Aos meus pés havia um berço -em forma deContinuar lendo “CAMAS CONDENADAS”

A onda sônica

Por Elaine Resende Eu olhava incrédula para o noticiário. Seria aquele o momento da nossa extinção? O meteoro vinha em nossa direção e nos esmagaria. As pessoas estavam em suas casas junto às suas famílias acompanhando o noticiário que trazia as imagens em tempo real. Alguns grupos, no entanto, reuniram-se nas igrejas de adoração eContinuar lendo “A onda sônica”

UMA BANDA APENAS

 Procurou um médico. Procurou porque não suportava mais aquela dor no peito, uma dor estranha. Não que doesse, era dolorida, dor palpável, martelante e contínua que permanecia atada à falta de ar. Faltava-lhe o ar, uma respiração sempre entrecortada como que interrompida e que por mais que inspirasse o ar nunca era o suficiente. Pouco,Continuar lendo “UMA BANDA APENAS”

DESPERTAR

Por: Karla Militão Ela acordou, abriu os olhos e sentiu um arrepio estremecer todo o seu corpo. Parecia que todo o seu ser estava sendo aniquilado. Um suor frio percorria seus pelos. Fechou os olhos bruscamente e desejou nunca ter acordado. Sentiu um frio no estômago. Ficou perdida em vários pensamentos acelerados e desconexos. BuscouContinuar lendo “DESPERTAR”

CORPO

Por: Lidianne Monteiro 1- JOELHO Abro os olhos e vejo o teto bege de plástico quase encostando no meu nariz. Talvez não esteja tão próximo assim como parece. Mas a clausura das paredes laterais que sobem em curva sobre minha cabeça reforça a sensação de confinamento. Sinto-me como naqueles filmes de aventura em que aContinuar lendo “CORPO”