Hoje amanheci com vontade de entrar em um útero de aluguel. Daqueles que a gente escolhe e paga sem dar muitas explicações. Simplesmente ficar lá o tempo que achar necessário para estabilizar o caos dessa vida de altos e baixos. Ficar lá sem compromisso com nada, sem calcular, sem pensar. Respirando somente. Depois quando for a tempo sentir as contrações da hora da saída e sair livremente sem dar satisfações. Acerta a conta na recepção e vai embora sem deixar resíduos; ou melhor, ter a certeza que os resíduos ficaram lá dentro do útero momentaneamente meu.
Acho que o homem apesar da sua inteligência e criatividade ainda não construiu um espaço desses. É uma pena poderia até pagar com PIX, garantindo mais ainda a imparcialidade e impessoalidade dos fatos. Gostaria mesmo de um útero de aluguel hoje. Mas devido à impossibilidade do meu desejo sigo adiante. Marco uma sessão de terapia e descarrego tudo que aperta o peito, afoga a alma.
Passo na recepção acerto a conta. Dou um sorriso para a recepcionista, enfim ha tempos encontro com ela na recepção. Abro a porta do consultório e sigo em frente de alma lavada, de cabeça erguida pronta para os novos desafios.
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