HERANÇA

De mim meus filhos herdarão todos os nomes.

 As dores.

E todos os amores.

Herdarão o fruto e a semente.

De mim meus filhos herdarão o que há por vir.

Herdarão o fim e o começo.

 O que fui.

O que quis.

Herdarão tudo o que há de juntos.

Tudo o que há de tudo.

Tudo o que há de nada.

E tudo que não posso dar.

E que não posso ser.

E tudo que ainda há de ser.

Herdarão de mim o que são.

Herdarão de mim o livre.

Da leveza ao fluído.

Herdarão as asas.

 E os pousos.

 E as pérolas.

 Herdaram as telas e as tintas.

 Desenharão para si o próprio mundo.

Crédito da Imagem: Pexels

Os textos representam a visão dos respectivos autores e não expressam a opinião do Sabático Literário. ”

DIARIAMENTE

Por: Lidianne Monteiro

Tenho que lavar o cabelo.

Agora estou sem paciência.

Será que dava para aguentar sem lavar até amanhã?

Olho no espelho. Reparo na cor dos fios. Ora gosto. Ora duvido se a última cor ficou boa mesmo. Mas eu ia apenas decidir se estava sujo. Foco.

Lembro que amanhã terei um compromisso muito cedo.

Melhor lavar logo o cabelo hoje. Mas estou atrasada. Não vai dar.

Amarra o cabelo e vai!

Preparo a marmita do almoço e dos lanches da manhã e da tarde. 

Deixa eu lembrar o que levei ontem e nem comi. Ah! Com certeza deve ter algo na geladeira do trabalho que não deu tempo comer essa semana, feito aquela maçã sem graça que segue escapando de ser devorada. Sorte dela.

Acho que estou engordando de novo. Qual meu peso na semana passada? Esqueci de anotar. Peso agora. Mas já tomei café. Então melhor só me pesar amanhã. Na próxima vez, não esquecerei de anotar.  

Interfone toca.

O taxi chega.

Pego o kit de sobrevivência “fora-de-casa-o-dia-todo-na-pandemia”. Da máscara não esqueço mais. E a maquiagem pela metade já virou costume. A gente se acostuma com tudo. Reflito. A máscara fica amarelada na parte interna por conta do protetor solar com cor e do pó. Às vezes tasco um batonzão vermelho também. Ninguém vai ver mas eu sei que estou com ele. Eu sinto que estou com o batom dos superpoderes.

Tenho que descer. Falta tomar as vitaminas e o colágeno dissolvido na água para dar uma animada na cartilagem do joelho. Esse é o tipo 2, conforme o ortopedista comentou. Não vai dar tempo. Só uma vezinha sem tomar não vai atrapalhar o tratamento. 

Lembro que talvez precise resolver umas pendências na hora do almoço. Então preciso trocar a sandália de salto por uma sapatilha mais confortável. Volto para o quarto e troco o calçado. A sapatilha não combina com o resto do look. O taxi já está lá embaixo. Vou de sandália alta mesmo.

Na saída do quarto, driblo a cachorrinha que me quer um pouquinho só para ela. Mas não vai ser agora.

Entro no quarto da pequena que está sonolenta em sua aula online. Beijo sua bochecha e desejo um excelente dia. 

Coloco a máscara e os óculos escuros. 

Entro no elevador que está com a cabine deteriorada. Esse prédio precisa de obras. Quando vim aqui pela primeira vez nem me importei por ser antigo. Agora, penso se foi um bom investimento.

Olho para os pés e a sandália dá sinais de que não vai ser condescendente com minha correria. As unhas dos pés estão bonitas. Mais tarde preciso cortar as unhas dos pés da minha caçula. Estão horríveis. Só me lembro quando ela não está comigo. Então não devem estar tão horríveis assim. Tenho que cuidar mais dessas coisas todas. Escovar os dentes do cachorro todo dia. O gatinho eu sei que não vai deixar. Ainda fui inventar de criar cachorro. Mas eu amo os bichinhos, fazer o quê? E quem vir dizer que fui procurar sarna para me coçar, nem vou me importar.

O elevador pára e entra outra mulher tão carregada de objetos quanto eu.

Ela pega o celular e envia um áudio com várias instruções. Está ofegante pelo esforço de todo o movimento. Cai uma planilha impressa e eu me ofereço para ajudar. Lembro do artigo que uma amiga me incentivou a escrever sobre uma metodologia nova que criei. Um dia o artigo sai! Não sei quando.

Minha companheira de elevador está de tênis. Que inveja! Comprei um tênis que fica bem bonito com essa minha roupa de hoje. Mas esqueci que tinha essa opção.

Sobressalto-me lembrando do taxi me esperando.

Checo se estou com meu celular. Sair de casa sem ele seria o caos.

No caminho até o taxi, olho para o céu e está um azul esplendoroso. O vento balança as folhas no jardim, derramando algumas em meu caminho. Que lindas! Só tenho esses minutinhos para ver o céu azul? Depois que me internar no trabalho, só saio à noite, com o céu escuro de estrelas.

Olho para o táxi e reavalio se é a melhor opção para os deslocamentos diários. O combustível está tão caro! Aonde vamos parar com esse custo de vida? O táxi é um conforto que me poupa um pouco do stress de dirigir nos engarrafamentos.

Faz sentido essa correria toda? Vou ser mais leve. Preciso. Consigo? Quero?

Entro no taxi. O motorista é daqueles de muita conversa. Lembrou que me buscou outro dia. Lembrou até com quem eu estava. Eu hein? Prefiro ficar quietinha para ver se ele desiste de interagir. “Meu senhor, já tem coisa demais na minha cabeça! Deixe-me quietinha por favor!”.

Aproveito a trégua do motorista e olho o celular. Começo também a enviar minhas mensagens de resposta ou pedindo respostas. Todos querem resposta. Vamos começar pelas mais importantes. Ou urgentes. Melhor, pelas urgentes e importantes. Penso que não deveria agitar minha mente tão cedo. Mas ainda tenho que decidir se essa minha agitação matutina é boa ou não. Já pensei nisso outras vezes. Lembro de respirar. Resolvo olhar a vida pela janela. Parece um filme sem sentido em uma tela em movimento. Mas quem se movimenta mesmo não é a janela ou as árvores. Sou eu. Essa constatação me intriga. Reflito novamente. Guardo o celular na bolsa. Mas bem que eu podia adiantar aquele assunto pendente, né? Mas adiantar para quê? Para quem? Precisa mesmo? Precisa não. Vou relaxar um pouquinho.

Chego no destino. Já? Nem relaxei nem respondi às mensagens. Nem tomei as decisões importantes. Fazer o quê? E ainda são 8h da manhã. Checo se saio do carro levando comigo tudo que estou carregando, inclusive os pensamentos. Saio e olho no entorno para ver se é seguro prosseguir. O que vou fazer com essa minha tela toda em branco hoje? Repetir a pintura de ontem e de anteontem? Ao menos uma pincelada diferente vai ter. Espero. Desejo. Sigo.


Crédito da Imagem: Foto por @danielaecheverri

Os textos representam a visão dos respectivos autores e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Atenção Plena

Nesses últimos tempos, estou na vibe da atenção plena. Atendendo às necessidades do meu ser, após inúmeras mudanças, acredito piamente que esta prática pode realmente nos ajudar a driblar a ansiedade e o desassossego.

Descobrindo a nova mulher que me tornei, de 10 meses pra cá, busquei inúmeros conhecimentos: xamanismo, umbanda (antiga paixão), cachimbo sagrado, medicinas da floresta, tabaco sagrado…e a prática do mindfulness também.

Fui muito relutante, a princípio, pela modinha de coaches que tomou conta do mundo, mas, participando de uma banca de trabalho de conclusão de curso de psicologia, percebi no trabalho e na fundamentação teórica utilizada pela aluna, que a atenção plena poderia, realmente, ser uma boa ferramenta contra ansiedade e a favor do autoconhecimento.

Gente, não é tão simples assim!!!!!

Tudo bem que comecei há pouco tempo, porém, nunca pensei que seria tão desafiador.

Darei um exemplo prático: hoje mesmo, fiz um café, sentei no sofá e me propus a apenas tomar o café

Ha ha ha!!! Doce ilusão …

Prestei atenção nos ruídos que meu filho fazia no quarto, questionei se havia fechado a janela do escritório pois começava uma chuva torrencial, coloquei a mão no celular três vezes (no automático), elaborei uma breve teoria sobre a atenção plena em minha mente, pensei no planejamento alimentar da semana e, por fim, gerei o início deste texto que você lê agora.

E olha que era só um espresso…

Conseguiu entender?

Bem parecido com o início da prática de meditação descrito com toda perfeição em uma cena do filme Comer Rezar Amar.

A prática da atenção plena coloca-se como um desafio para mim; mas como boa filha de Ogum, vou desbravando os caminhos e seguindo confiante na evolução como ser humano.

Deixo a você o convite: experimente também! Apesar do desafio é transformador.

Próximo passo?

Escuta ativa.

Crédito da Imagem: Pexels

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Corpos nus

Corpos nus olhando um ao outro

De repente o abraço apertado

O toque pele a pele

O coração disparado

Nada mais bonito

Olhos estão fechados

Sentimento correspondido

E o amor está lançado

A loucura com um passo à frente

Duas criaturas em chamas de paixão

Se lançam sem pensar

No fogo do amor e da sedução

Crédito da Imagem: Pexels

Os textos representam a visão dos respectivos autores e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

CAFÉ COM AMIGAS

Por: Lidya Gois

Bem cedo uma amiga sugeriu um encontro. Não demorou muito para o burburinho começar. Várias mensagens palpitando na tela.

Quando será? Onde? Que horas? Posso amanhã, eu também. Desculpa, meninas, amanhã irei com a Mimi à casa de uma amiguinha. E se fosse almoço, você poderia? Puxa! Se for almoço eu é que não posso. Tudo bem, podemos mudar o dia. Sexta no final da tarde, todas podem? Eu sim. Também consigo. Que bom, eu posso. Vamos naquele café que inaugurou semana passada? Amiga, lá é meio ruim de estacionar. Ah, é verdade. Poderíamos ir naquele que dá para ver o pôr do sol, o que acham? Eu adoraria. Eu quero. Ótima dica. Que horas vocês estão pensando em chegar? Posso a partir de 16h30. Chego 17h, preciso ir ao supermercado antes. Quem pode me dar carona? Vamos comigo, amiga, passo às 16h40 na sua casa. Obrigada. Espero na porta do prédio. Chegamos! Cadê vocês? Chegando em 5 minutos. Estou entrando, já estou vendo vocês.

Cessam as mensagens. Começam os abraços e as boas conversas que trazem deleite para a alma.


Crédito da Imagem: Foto por Lidya Gois

Os textos representam a visão dos respectivos autores e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Margarita

M argarida é a flor mais simples e perfumada do meu jardim.

A calanta meus sonhos e perfuma minha alma com seus encantos.

R apidamente me faz lembrar que sou uma mulher responsável por minhas escolhas.

G rata sou por seu ventre abençoado que me fez morada e preparou minha entrada na vida.

A mar sem medidas é a cobertura de suas pétalas que facilitam a polinização do amor no mundo.

R iqueza é partilhar momentos de sabedoria ao seu lado.

I cone de mulher, mãe e avó.

D edicada, incansável, memorável, ahhh Margarida você tem tantos sobrenomes. Tantas cores.

A parentemente frágil e assim como teu significado representa pureza, bondade e afeto.

Crédito da Imagem: Pexels.com

“Os textos representam a visão dos respectivos autores e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Virando a página

Encontrou um pendrive com fotos antigas, em uma bolsa velha. Nem sabia mais que ele existia. Por um instante, hesitou. O que será que havia naquela modalidade de caixa do século 21? Tomou coragem. Abriu.

Dentro, uma pasta “fotos”. Clicou. E um mar de lembranças surgiram. De repente, viajou para seu aniversário de 30 anos. E para seu feriado em Campos do Jordão. E para sua época de repórter. E para seu antigo casamento.

E pensou: “caralho”.

Era como se fizessem parte de um outro eu. Uma outra versão. Uma outra vida. Não mais reconhecia a si mesma. Via, por meio das imagens coloridas, uma menina tão linda. De nome Nina. Uma jovem que acreditava em tantos sonhos. Em mudar o mundo, talvez. E esbarrou em uma foto descendo as escadas do trabalho com sua pauta na mão e sua camisa preferida.

Azul, com blazer preto.

Meu Deus, como desejou todos aqueles momentos. Quanta alegria sentiu em cada passo que dava, em cada porta que se abria.

Portas que ela mesma fechou.

Como em uma tempestade de areia, enterrou seu passado. O azul virou cinza. O microfone caiu. O amor, secou. Surgiram rugas em sua testa. E uma lágrima desceu.

Não pelo passado que já não queria mais. Mas pela força da emoção que marcou aqueles tempos. Épocas mais inocentes, que já não voltam mais. E pensou na canção “Just stop crying, it’s a sign of the times”.

Seguir em frente ainda era um mistério para a menina. Como reinventar-se no trabalho? Como declarar-se para seu novo amor? Mas sentia uma garra dentro de si que quase a sufocava. Sim, já estava dando seus primeiros passos em direção a mudança. E nossa, como ela amava mudar!

Virando a página. Escrevendo seu livro. Amando seu novo amor. Conseguindo uma nova oportunidade no trabalho. Tendo uma nova terapeuta. Uma nova bolsa. E por que não, um novo pendrive?

Crédito da Imagem: Pexels.com

“Os textos representam a visão dos respectivos autores e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

ELOCUBRAÇÕES

Por: Rosi Santos

Não foi fácil ser Maria, não foi fácil ser Frida, não é fácil ser Rosi, mas sigo tentando. Longe de mim querer me comparar a essas duas mulheres incríveis, fortes, que marcaram presença na história e que significam muito na minha vida. Só enalteço mesmo a grandeza delas e procuro me inspirar diariamente…

Sou filha de Maria antes mesmo de ser católica e o desejo da maternidade foi inspiração dela. Com Maria aprendi a doçura, a cobrança gentil, a persistência nas minhas verdades, a empatia, a sororidade! Amou sem medida os seus e a humanidade! Eternamente será pra mim “vida, doçura, esperança nossa”!

Já Frida chegou aos meus ouvidos pela música da Calcanhoto nos anos 90. De cara fiquei intrigada, apaixonada, emocionada, impactada. A força de Frida me impulsiona todo dia, e vejo atitudes “fridianas” em várias mulheres “phodas” que eu conheço!

Aquela mulher que sorri feliz quando vê a cara chorosa de seu filho pela primeira vez depois de horas de dores inimagináveis ou depois de ter inúmeras camadas de sua pele cortadas e costuradas; que tem jornada dupla, tripla; que cuida e educa sozinha os filhos porque o pai é ausente; que sofre mensalmente com a gangorra hormonal do ciclo e dores infernais da menstruação; que ganha menos que o colega de profissão porque tem “pepeca” e não “piupiu”; que é assediada e ainda é acusada de provocar o assédio; que fica viúva e decide criar seus filhos sozinha em outro lugar, só pra que eles tenham uma condição melhor de vida; que teima em conseguir a vaga na faculdade pública e tenta o ENEM mil vezes até conseguir; que sofre de transtornos psiquiátricos e tem coragem de assumi-los publicamente e tratá-los; que se divide diariamente no papel de mãe/esposa/mulher/filha/neta/amiga/etc; que é multifacetada e se lança em “vários projetos tudo ao mesmo tempo agora”; que decide mudar de carreira, fazer uma pós e uma segunda graduação depois dos 50… Todas essas mulheres são “phodas” e “fridianas”! Muitas vezes elas dormem chorando, mas acordam dispostas a sorrir e conseguem com a ajuda do poder do batom vermelho!

Com ela aprendi que sem amor não vale a pena manter nenhum tipo de relação, é pra pular fora mesmo! Correndo! Mesmo que o bonde esteja em movimento! Que nossos sonhos importam, que vale a pena lutar por eles, vale a pena todo sacrifício para conquista-los! Que as adversidades são pontes para alcançarmos momentos melhores e que mesmos incertos, podem ser surpreendentemente maravilhosos!

Sou uma mulher órfã/mãe/irmã/amiga/vivente, passei dos 50 e tenho sonhos e vontades infinitos! Minha lista de projetos para 2022 não para de crescer! Óbvio que nem sei se vou realizar metade deles, mas já vale querer, desejar!

O grande ensinamento de Maria e Frida, é que A DOR FORJA, tanto pro bem quanto pro mal, e quero ser sempre uma versão melhorada de mim, então sigo tentando…


Crédito da Imagem: Foto por Roy Reyna em Pexels.com

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IDENTIDADE

Por: Karina Freitas

Quem sou? O que sou? 
Quem somos?
Será que somos ...
Os papéis que representamos no grupo social a que fazemos parte?
A profissão que escolhemos?
O trabalho que nos escolheu?
A forma como encaro meus desafios?
Ou o sorriso que eleva meu dia?
Ainda as lágrimas que derramei?

Talvez seja...
A criança que chora;
A menina que dorme tarde;
Ou a mulher que perde o sono;
Quem sabe, ainda, a senhora que acorda cedo. 

Sou...
A mãe que embala o berço;
A jovem no show;
A atleta na competição;
A estudante no exame;
A empresária, a manicure, a motorista, a professora, a cientista;
Somos muitas.

Sou…
O filme que assisti;
O livro que li;
A música que ouvi;
O lugar para onde viajei;
O restaurante que gosto;
Meu prato preferido.

Sou...
A roupa que visto;
O perfume que uso;
A cor do meu cabelo;
A cor da minha pele;
O carro que dirijo;
O gosto pela montanha ou pelo mar;
O desejo em fazer trilha ou a vontade de ir ao cinema.

Mas…
Pego-me refletindo que ...
também sou aquilo que não fiz!!!
Posso ser a soma das experiências que tive;
Como também as que não tive;
Mais ainda as que terei.
Sou muitas possibilidades;
Uma análise combinatória das inúmeras combinações que me tornei.
A soma de tudo que torna a parte.

Ainda busco uma resposta simples para uma pergunta complexa.
Enquanto não encontro uma resposta que me defina respondo apenas que…
Sou uma experiência metamorfósica ambulante.

Crédito da Imagem: Foto por Miriam Fischer em Pexels.com

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Galway

Amor você não sabe

Por onde andei

Onde passei

Para te encontrar

Amor

Nadei nas pedras

Voei nos montes

Andei nas águas

Corri com o vento

Amor você não sabe

Quanto eu chorei

Ah! Quanto chorei

Ao te encontrar

Amor

Revi meus sonhos

Olhei os barcos

Refiz meus passos

Abri meu coração

Amor você não sabe

Quanto amor cabe

No peito da solidão

Amor você não sabe

Quanta dor cabe

Da alma da canção

(Lívia Maria – 2018)

Crédito da Imagem: Foto Lívia Maria

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