A ESCOLA

Ontem eu passei em frente à nossa antiga escola. Estava sendo pintada. Reformada. Me lembrei dos momentos que passamos dentro dela. Cheios de sonhos. Filhos de uma classe média que tentava nos dar um lugar no mundo. 

Você era alegre, cheio de vida. Eu, tímida, insegura, estudiosa. Alguns anos depois nos encontramos. Você ainda era o mesmo, mas com mil outros adjetivos. Eu também. Buscamos um no outro nosso passado. Quem éramos, quem ainda somos. Mas esbarramos nos novos “eus” que gritavam por espaço. E se colidiram. 

A escola está suja, mas não é só da obra. Entre o entulho encontramos sobras de amizades não prosseguidas, desentendimentos, brigas. Mas também brincadeiras, crianças rindo, correndo, meninos jogando, meninas medindo o comprimento de suas saias, qual tinha o cabelo mais bonito. Perdendo tempo com pequenas futilidades e escrevendo seus primeiros poemas. Eu estava nesse último grupo. 

Na verdade eu odiava aquela escola. Odiava e amava ao mesmo tempo. 

Nela sofri alguns tipos de bullying, fiz e desfiz amizades, faltava muito porque preferia dormir e estranhamente tinha uma mãe que me deixava ficar em casa. Eu detestava as meninas que só pensavam em namoro, roupas, festas. Eu queria viver, sonhar, fazer arte, morar numa cidade grande. Eu era diferente. 

Mas também tive bons momentos. Fui eleita a “prefeita” da escola. Comandei uma coreografia. Organizei trabalhos de grupo. Recebi de um professor a primeira dica da profissão que decidi seguir. jornalismo. Mal sabia ele que eu queria mesmo era ser como ele, e entrar pras letras. Ser escritora. Mas isso também nem eu mesma percebia. 

E é claro, te conheci. O melhor momento de todos.

Essa história está lá, marcada naquelas paredes empoeiradas e desbotadas. Pelos corredores temos também outros pequenos amores infantis. Alguns poucos vividos, outros sufocados pela falta de coragem da pouca idade. Como o meu. 

Mas o prédio hoje já não é mais o mesmo. As vidraças quebradas denunciam. Com o tempo, sofreu com a violência urbana. A crise econômica. A concorrência desleal. As intempéries do mundo.  

Hoje ele está sendo pintado. Reformado. Mas não é pra abrigar uma escola de novo. Eu não sei o que vai ser, mas o negócio acabou. Não teve forças pra continuar. Fica da época da escola a doçura das crianças fazendo suas primeiras amizades, as risadas, os trabalhos feito às pressas, a lembrança do amigo que caiu de roupa na piscina e hoje já nem está mais entre nós. A memória da ridícula lista das meninas mais bonitas. A eleição pra orador de turma na formatura. Ganhei por um voto de diferença. Quem sabe não foi o seu? 

O trabalho de português que fizemos. A placa com erro que foi roubada da porta de uma casa e levada pra apresentação. A prova com uma pergunta sobre uma música de Legião Urbana. Vento no litoral. Até onde me lembro, você foi o único que acertou a resposta. Mas de repente isso é só viagem minha. 

E nossas tentativas de ser descolados. Tropeçando em nosso início de adolescência. Tentando ser gente, quando na verdade éramos só imbecis que mal se olhavam no espelho. Vivendo nossas vidinhas tolas, sem ter a menor ideia do que estávamos fazendo. 

Hoje ainda não temos.  

E eu continuo sendo a menina que sofreu bullying, solitária, que tira dez em redação mas não consegue se declarar. Tentou depois de adulta mas fez tudo errado. Meu professor me daria 10 nesse texto, mas zero na vida. Quem sabe ainda não sou uma garotinha, esperando o ônibus da escola sozinha. Outro dia essa música tocou numa festa e uma amiga me disse: “é você, Nina”. 

Fica meu amor, acima de tudo, o doce frescor dos anos de inocência que não voltam mais. 

P.s: (A escola está sendo pintada. Reformada. Na verdade, eu sonhei com ela. E se essa escola na verdade é o meu coração, que ainda bate por você, mas cansou de ser a menina não correspondida?)


Crédito da Imagem: 

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

HERANÇA

A herança que eu quero deixar
não é feita de BENS, de POSSE ou valor em dinheiro.
É o amor pela vida
O desejo de construir um futuro de afetos e amizades
São as gargalhadas gostosas dos almoços de família
nos dias de domingo
É uma herança herdada de meus pais
A paixão pela música, poesia e tudo que revele
o que há de melhor em nossa alma.
É a alegria de viver e a beleza do sonhar
É o comprometimento com o bem do próximo
É saber e reconhecer que não sou a única no mundo
Que no meu crescimento levo muita gente comigo
E que muita gente me leva também
É o valor do abraço solidário. Das palavras de apoio aos que me cercam
É a FÉ e a CORAGEM de continuar nos momentos mais difíceis
É o exemplo de viver e sobreviver apesar de...
É a memória de que fui muito feliz.

Crédito da Imagem: Foto por Askar Abayev em Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

ESCOLHER OU NÃO ESCOLHER, EIS A QUESTÃO…

Sem dúvida é mais fácil viver sem essa preocupação, no estilo Zeca Pagodinho “vida leva eu”, “dançando conforme a música’, “empurrando com a barriga”, usando sempre a forma verbal “queria”.

Quando me demitiram em julho de 2021, fui convidada pela vida a escolher: o que farei agora, já que achava que me aposentaria nessa empresa? Atualizar o currículo e buscar uma nova vaga na área de mais de 30 anos de experiência ou retomar a carreira estudada e nunca exercida?

Não atualizei o currículo!

E não satisfeita em decidir abraçar minha carreira de educadora, também escolhi mudar de estado e de estilo de vida. Troquei bus e barcas pela bike e canela! Partindo do princípio de que toda escolha tem que ser pautada na necessidade, busquei as minhas. Mais do que suporte financeiro, preciso de paz e mar! Então vim pra Navegantes – SC!

E tendo em mente que precisava acreditar nos meus sonhos e desejos, pude enxergar os meios e as capacidades que precisava desenvolver para realizá-los. Fácil assim? Óbvio que não! Desde o dia que tomei essa decisão comecei a estudar loucamente! Troquei a CLT pela LDB apaixonadamente! Revisitei conteúdos, aprendi outros. Concluí uma pós na área educacional e além de outras, já planejo o mestrado!

Primeiros resultados: passei em 6º lugar no Processo Seletivo e em 18º no Concurso Público, um feito e tanto para alguém há tanto tempo fora de uma rotina de estudos acadêmicos. Estou feliz e orgulhosa por essas conquistas!

E já que toda escolha vem acompanhada de consequências, tenho lidado com as minhas. Estar longe da minha filha fisicamente, resultou num amadurecimento surpreendente, pra ela e pra mim! Virtualmente, continuamos íntimas e amigas!

Estar longe das cats (Frida, Nina, Dandara e Serena) está realmente puxado, mas a “cã” Poly tá cuidando de mim com carinho! Família e amigos também fazem falta, estão todos no meu coração e na minha mente e quero todos aqui em casa em breve! Pensar nessas visitas me acalanta!

Para montar meu lar doce lar, precisarei comprar coisas, algumas novas outras usadas, e isso é delicioso. É como brincar de casinha, e dessa vez eu escolho tudo sozinha, porque Mi casa es mi casa mesmo! E ainda tenho garimpado umas coisas bem interessantes para adornar meu refúgio.

Para fazer minhas escolhas darem certo, foi preciso mudar posturas e mentalidade. Mas quando mudamos um comportamento, nos envolvemos no processo de forma comprometida, e vemos pouco a pouco, nossas escolhas se concretizarem! A parte mais difícil é definir quais são as coisas certas a fazer para alcançar nossos sonhos. A parte fácil é usufruir!

Nessa trajetória ainda aprendi umas coisas novas: Menos é menos mesmo! O essencial é suficiente! Construir novos horizontes é fundamental! E minha lição preferida: Deus escreve certo por linhas lindas!


Crédito da Imagem: Foto por @rosicleiasantos

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O SOM DAS CONFISSÕES

Vento,
em tua matéria
dela o perfume.
da minha mãe,
lembras?
quebras as esquinas.
gelado, caliça.
minhas narinas
secas
seguem tua preguiça,
tua parte cerce ao chão.
entras em casas
de portas fechadas
arrepias as águas calmas
dos regatos
fazes gracejo nas flores
até pedras te obedecem.

O vento tem pernas grandes
um sonzinho
de fazer confissões.
atentos, o ouvimos:
um sibilar de verdades.
ninguém decifra.
juntos,
sondamos tua aura,
mãe.
pensei te ouvir falar
quando no meu quarto
zéfiro, que de tudo vê
descansou da lida do dia
preso às cortinas.
.
Sussurras, mãe
em sonhos que não lembro.
longe, como se não houvesses.
rogo dezembros em teus braços.
me cercam, mirram a dor,
seca meu choro de menina.
tive que crescer
mas não sai do teu colo.

Tua voz, mamã
xamã,
chega do mar
(amigo de infância)
chega do que é natureza
que a beleza inventar:
da revolução dos teus versos
que pusestes
nas pontas de meus dedos.
chega do teu criar formosuras
quadros, bustos
de massa areia, cimento
ferro, arbustos.
tuas mãos,
gesto farto do pão
cobertor
conselho. labor.

Madre, não me assusta
tua face fora dos retratos
tua voz num sopro quente.
em meus ouvidos
teu declamar de versos
em todo lugar de que me faço

Crédito da Imagem: Foto por Nita em Pexels.com

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FAZ TEMPO QUE NÃO TE ESCREVO

Faz tempo que não te escrevo e espero que ainda esteja por aí em algum lugar. 
Não tenho lembranças de um amor tão bonito quanto o nosso. Vivíamos nos esbarrando e rindo da cara um do outro. Éramos dois em dois, completos e mesmo assim, misturados. Hoje somos apenas lembranças de corredores cheios e barulhos aleatórios. 
Te disse com todas as letras quando soube que te amava, era a primeira vez que amava alguém. Sabe como é assustador? Eu não sabia qual seria sua reação e muito menos o que fazer, eu só te escrevi. 
Aquela coragem de quando era jovem ainda está bem aqui, guardada a 8 chaves pois não quero mais ter essa coragem e sim, quero ser a própria. 
Nosso amor surgiu de momentos cotidianos que são tão corriqueiros que talvez você não saiba como eu decorei cada reação sua para cada coisa. Mesmo depois de anos, é como a cada reencontro a gente pudesse recomeçar do zero. Da primeira piada infame ao primeiro café juntos. 
Não é sobre platonismo e sim, sentimentos que me motivam a melhorar 

Crédito da Imagem: Foto por Ron Lach em Pexels.com

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A CIDADE QUE CHORA TAMBÉM SORRI

Parte 1 - A chuva

Chove há tantos dias…que parecem meses, que viram anos.

a cidade está cinza escuro, às vezes branca, ou ainda cinza claro,

outras vezes um azul alaranjado aparece entre as nuvens …

parece lembrar que o céu está lá!!!!

E que o Sol um dia voltará a brilhar

Lentamente a água escorre pelo vidro, se fossem lágrimas,

os dias são tristes:

as manhãs frias, as tardes monótonas e as noites longas!!!

Fico reflexiva … olhando pro nada … buscando o relógio,

penso em aproveitar o tempo:

  • talvez estudar;
  • ou colocar a leitura em dia;
  • ouvir música;
  • quem sabe organizar o armário;
  • também limpar a casa;
  • ou assistir uns filmes ou séries;
  • melhor ainda, aprender um prato novo;
  • ou inclusive me exercitar em casa;

mas nada faço !!!! 

Apenas fico alí, parada, hipnotizada, só olho pela janela…

observando o movimento da rua:

vejo as pessoas molhadas correndo para se proteger da chuva;

o trânsito engarrafado enquanto o sinal abre e fecha;

um cachorro perdido entre buzinas;

crianças brincando na poça;

assisto a tudo como um filme preto e branco, em câmera lenta,

como se a cena acontecesse num tempo diferente do momento presente. 

A cidade chora!!!!

Chora…a miséria de seu povo,

a decadência moral;

os flagelos da vida;

as dores da alma;

o egoísmo do ser humano;

a mesquinhez dos afortunados;

as inundações, as tragédias;

as doenças, as epidemias;

a morte de seus habitantes;

[….]

Mas ela volta a sorrir porque ainda há esperança…

[CONTINUA ….]


Crédito da Imagem: Foto por Aleksandar Pasaric em Pexels.com

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OBRIGADO MOÇA

Moça, lembro de você desde o início, as primeiras sensações… Lembro do calor do seu corpo, das batidas do seu coração. As vezes ele batia tão acelerado que se confundia com o meu. O som das suas risadas eram como o badalar convidativo dos sinos das igrejas ao chamar os seus fiéis. Lembro também do seu choro contido e do sentimento de dor que abraçava seu corpo e me enchia de medo. Nesses momentos moça eu ficava bem quietinha para não machucar mais ainda o seu viver. Lembro de vozes que gritavam com você e sentia um banho de gelo tomar conta da sua alma, vozes que sempre diziam não a você e a mim. Nesses momentos desejava ter forças para embalar você e lhe colocar dentro de mim, assim como você fazia comigo. Nessas horas sentia o calor das suas mãos acariciando o próprio ventre, sentia o seu amor tão infinito.

Moça, de repente tudo ficou tão claro, falta ar nos meus pulmões, uma força estranha me coloca para fora e não reconheço mais nada. Está tudo tão diferente. Luzes, ferros, barulhos estridentes, vozes que não reconheço e muito frio. Estou sozinha sem você.

Estou em um quarto que falam que é meu, onde uma mulher muito meiga e carinhosa fala com carinho olhando dentro dos meus olhos. Sinto uma sensação gostosa de líquido quentinho na boca.  A voz não é a sua, o calor do corpo dela não é o seu. Onde você esta moça? Onde esta sua jovem e encantadora voz que me chamava de meu amor?

O tempo passou e a saudade provocada por sua ausência foi apagada por tanta dedicação daquela mulher que me criou. Mas o vazio da sua falta ficou e junto com ele uma revolta por não saber o que aconteceu com você. Por que não se despediu?

Moça o tempo passou mais ainda e hoje sou uma senhora que depois de muita análise compreendeu o quanto o seu amor por mim foi maior do que as vozes que tentaram lhe silenciar. Mesmo sozinha você permitiu que eu existisse dentro de você e que foi por amor que eu vim ao mundo.

Quero lhe pedi perdão porque não fui forte o bastante para lhe proteger assim como você me protegeu. Obrigado moça porque você acreditou em mim, no meu potencial de vida, nos meus sonhos de vir a ser. Obrigado moça por ser corajosa e generosa de partilhar a minha vida com outras pessoas que também me amaram tanto como você me amou. Obrigado moça pela vida.

Crédito da Imagem: Foto por Isabela Catu00e3o em Pexels.com

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DESTINO

Nunca acreditei nas linhas,
no traçado inquieto
dos gestos ocultos.

Nunca a amargura do medo
me causou tanto espanto,
quanto esse vazio constante.

Nunca havia sido tocada pela sanidade,
a ponto de desejar e temer a loucura…
Entrelaçar-me fio a fio nos cabelos do vento,
libertando assim os meus segredos,
meu pensar mais sincero, puro e insano.

Nunca pensei sentir tão profundamente a dor,
o peso da lâmina me arrancando as flores…
Quando deveriam ter-me cortado as raízes.

Porque eu nunca soube, como agora,
o quanto meus pés precisam ir além
dessas amarras relutando em meu peito…
Além do desejo de permanecer…
Ou de nunca mais voltar…

Lívia Maria (05/07/2018)

Crédito da Imagem: Foto Pexels.com

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Reencontros 

Olhou profundamente no espelho

Para além da imagem, quem estava ali?

Reconhecia nos traços mais delicados a menina que fora aos 07 anos

Na leveza do olhar

 a moça dos 18

Na força, a mulher de 30

Na altivez, a de 40

Eram como camadas sobrepostas 

da mesma pessoa

Mas que ganhavam contornos diferentes

E ali, brindando os 50,

Todas elas foram convidadas

Chegaram como um pouco donas da própria festa 

Cada uma a seu modo 

e se juntaram 

De repente 

uma pergunta feita  entre risos e muita música 

Ei, diga, qual de nós vc prefere?

Silêncio

Respiração pausada

Escolha difícil 

Olho atenta para todas

(Im)perfeitas…

 Um brinde…proponho

À vida que virá

Crédito da Imagem: Foto Pexels.com

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O Gato

O Gato.

Sabe, eu nunca gostei muito de gatos, creio que a independência deles me agride um pouco. Então decidi: nunca terei gatos. E lá estava aquele. Um dia apareceu em cima do muro, lá ficou com seu passo lento e calculado, me olhando, de longe; Petulância.

No outro dia, o “desgramado” estava dormindo no capacho da porta de entrada, não ousou se mexer quando me aproximei, só me restou pulá-lo. Tenho coração. Deixei-o lá, era tão quieto.

No terceiro dia ele miou, saltou do muro, se enroscou entre minhas pernas, deslizou os pelos macios por entre meus tornozelos, sedutor, confesso. Deixei à porta uma fresta. Não sou culpada por ele entrar, entrou por conta. Sento no sofá o gato se aninha no colo, o tamanho exato do corpo leve. É quente. Ele se agrada disso, eu sei. Me peguei lendo em voz alta esses dias e entre palavra e outra minha mão alisava o seu arfar lento e barulhento. Me ouvia como outra voz dita. Dia desses estava tomando café, assim, de um salto alcançou a mesa e me encarou, me olhou nos olhos. Tive medo. Do amarelo dos seus olhos. Não, tive medo do verde dos seus olhos. Não, eu tive medo do mar revolto dos seus olhos. Eu tive medo.

Na minha cama ele me segue. Se aninha na dobra dos meus joelhos. É quente, então deixo, às vezes me apalpa e deita no ventre. É quente então deixo.

O gato não tem dono. A independência dele me agride um pouco, não depende de mim. Eu tenho medo; Da cama vazia.

Crédito da Imagem: Foto Pexels.com

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