AOS MESTRES COM CARINHO

Por: Karina Freitas

Mês passado foi comemorado mais um Dia dos Professores. E veio a reflexão da importância dos professores na minha vida, de como esses mestres contribuíram para a pessoa e profissional que me tornei. Voltemos à educação infantil, começando pela alfabetização. Atualmente a nomenclatura já é outra, com mudanças dos últimos anos, mas isso é um detalhe.

O que realmente importa é que com a “tia” conheci as letras, que se transformaram em palavras, que viraram parágrafos e textos de uma ideia e capítulos de uma história. Que aprendi os sons das letras, cuja fonética me possibilitou pronunciar ideias e defender valores. Também fui apresentada aos números, que viraram um universo de possibilidades de soma, subtração, multiplicação e divisão (e vou para por aí … ).

Qual é a pessoa que não depende das letras e dos números para sobreviver? Quantos estão à margem da sociedade devido ao analfabetismo, principalmente o funcional? Quantos fazem parte de uma massa sem desenvolver o senso crítico porque a eles nunca foi oportunizado este exercício e o desenvolvimento de certas habilidades e potencialidades!

Avançando no tempo … o aprendizado foi se tornando mais difícil e exigindo uma postura menos infantil e mais condizente com a nova fase, era o ensino fundamental. A “tia” de uma única turma deu passagem a professoras e professores configurados por disciplina. Tínhamos grade horária para distribuição das aulas e éramos responsáveis por levar o material do dia certo, sob pena de comunicado para casa. Começamos a experimentar o aperitivo da universidade? Talvez! Mas não passávamos de crianças em corpos de adolescentes nos metamorfoseando.

Eis que chegamos na última série do fundamental! Fim daquela fase. Observávamos as meninas e meninos do ensino médio com admiração: lindos, altos e inteligentes, tão maduros aos nossos olhos, os colocamos num pedestal. Até que eles se formaram e fomos nós que ocupamos os espaços dos primeiro, segundo e terceiro anos. Tivemos medo desse mundo desconhecido, que nos distanciava do começo e nos aproximava do fim de um ciclo.

Finalmente nos tornamos os alunos do tão esperado e temido ensino médio. A fase da pré-faculdade. Ah! Como foi bom! Vivemos muitas emoções! Tivemos um professor que dizia “que éramos felizes e não sabíamos”! Afinal! A vida de adulto era muito mais difícil do que a nota ruim de uma prova ou até mesmo a reprovação. Na verdade, nós éramos felizes e sabíamos.

Soubemos viver e aproveitar cada momento daqueles três anos. Estudamos, nos ajudamos, brigamos, ameaçamos até greve, fizemos festas, rimos e choramos e, principalmente, criamos raízes de uma amizade além do tempo e das distâncias geográficas. Podemos ficar anos sem nos ver ou falar, mas o reencontro vira um encontro de quem ficou poucos dias sem se ver.

O ciclo fechou. Enfim, chegou o ano da tão sonhada formatura. Como soubemos fazer uma boa festa. Boas lembranças de um pé sujo de tanto dançar descalço porque o salto não sobreviveu àquele dia. E depois daquele dia, era cada um por si e vida de adulto.

Formados seguimos caminhos diversos pelos cursos universitários disponíveis aos desejos dos nossos sonhos, conforme a nota do vestibular, das obrigações e responsabilidades domésticas ou questões de ordem financeira. A maioria encontra-se na nossa cidade natal, já outros distribuídos pelo país, alguns estão no exterior. Uns seguem a carreira na área de formação, outros mudaram de rota, também há aqueles que estão buscando a mudança. Cada um trilhando seu caminho e contando sua história.

Mas quando…

…estou trabalhando, redigindo um documento que fique digno de uma bela apresentação de ideias, defendendo uma tese buscando coesão e coerência.

…ou ainda, brigando a favor de uma causa ou discordando de outra exercitando a retórica, a eloquência e a sensatez.

Por tudo isso vejo darem mérito ao curso universitário que escolhi. Mas neste instante, olho pra trás e reflito. Chego a conclusão de que não é justo, isso é consequência de um processo anterior e bem mais consolidado.

Foram as tias e tios, professoras e professores, mestras e mestres que contribuíram cada um em uma fase, com seu potencial e dedicação para nos permitir nos transformar nos profissionais que somos. E não é pelo sucesso, pelo status, pelo salário ou pela empresa que integramos, mas pela consciência e pela excelência que desenvolvemos em tudo o que nos determinamos a realizar.

Por tudo isso e muito mais… Feliz Dia dos Professores!

Muito obrigada é pouco, mas é de coração e com carinho.


Crédito da Imagem: Foto por Stephen Paris em Pexels.com

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Publicado por Karina Freitas

Nascida em Niterói/RJ, residente na Capital Federal, desbravadora do cerrado. Ama natureza, trilha, pedalar, filmes, música, conversar bastante (gêmeos, já entendeu) e vez em quando se perder dentre as letras e as palavras.

3 comentários em “AOS MESTRES COM CARINHO

  1. Parabéns minha filha!!
    Estou orgulhosa de você expressar seu sentimento com tanta sensibilidade.
    E ai, descobri nasce uma escritora em 2014, quando você contribuiu com um texto na ediçao de uma livro.

    Curtir

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