VIDA

Por: Rosi Santos

Dormi triste, acordei triste. A notícia veio às 10:30 h. Menos uma tia no mundo, na minha vida. Inevitável não chorar, não lembrar dos momentos que passamos juntas nas minhas férias escolares, era a tia predileta.

A canja mais gostosa, o feijão mais saboroso, o frango perfeitamente assado e o melhor doce de laranja da terra do mundo. Com ela foi-se embora a receita da família. Como faremos agora? Não faremos…

A longevidade é uma herança genética e foi preciso um tombo inesperado no quarto para levar embora minha tia de 98 anos que nunca ficava doente, nem resfriada. Logo a tia mais cuidadosa e zelosa, partiu depois de uma queda. Ironia ridícula da vida. Faceta dolorida que teima em surgir vez ou outra na nossa realidade, nos desestabilizando. Esfregando na nossa cara que tudo é muitíssimo efêmero.

Ela me ensinou a importância da mulher “trabalhar fora” e ser independente. Preconizava o empoderamento feminino financeiro numa época em que as mulheres eram criadas para serem somente esposas e mães. Aprendi bem essa lição e a propago a todas! Sejamos independentes, livres, audaciosas, verdadeiras, guerreiras, sensíveis, amorosas, persistentes, determinadas, sejamos mulheres em toda a plenitude.

A morte é uma companhia bem esquisita, está sempre espreitando, além de ser a única certeza da vida. Não sei lidar com isso ainda, e ela está sempre me desafiando. Avós, pai, mãe, primos, tios, amigos. Tantas perdas, tantas lágrimas, tantas saudades. Um choro só, longo, profundo, quieto…

Ao acordar não sabemos se vamos dormir. Ao dormir não sabemos se vamos acordar. No espaço entre essas ações, a gente vive, planeja, projeta, realiza, ri, chora, ganha, perde, conquista, ama, odeia. Cada vida é uma odisseia, um emaranhado de caminhos, de aventuras, de eventos únicos e preciosos, de momentos singulares, singelos ou fantásticos, alegres ou taciturnos, importantes ou insignificantes, que determinam quem somos. E verdadeiramente somos a lembrança que deixamos ao partir.

Sendo assim, minha tia Martha foi fantástica, pois tenho as melhores lembranças dela, tanto da infância quanto de agora! Certeza que lá no céu tá um furdunço com a reunião da família Soares! Vovó, mamãe, papai, tios e tias, primos e primas, ouvindo as últimas novidades aqui da terra!

Então, mesmo triste e desanimada, prosseguirei na caminhada…


Crédito da Imagem: Foto de ROMAN ODINTSOV no Pexels

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.”

Publicado por rosicleiasantos

Sempre sonhadora e intuitiva, interpreto na vida o papel de mãe da Manu e o de amiga de muitos seres especiais! Buscando me desafiar, aceitei o convite de mergulhar no universo mágico da escrita!

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