Soa um pouco pesado essa frase: nunca serei mãe. Mas refletindo sobre o tema, me dei conta de que é a mais pura verdade. Além de já estar com a idade um pouco avançada para isso, falta pra mim suporte e o mais importante: um parceiro para esta empreitada.
Nunca verei minha barriga crescer. E a emoção de ter uma criança indefesa em meus braços.
Ver as primeiras lágrimas de alguém. E seus primeiros passos na vida.
Acompanhar seus aprendizados. E suas decepções também.
Poder ver nos olhos de outra pessoa, um pouco de meu olhar. E transcender.
Posso projetar essa ausência em outros. Meu irmão mais novo, meu sobrinho.
De nada vai adiantar.
Porque não é carnal, não e visceral, não é um ser que saiu de mim. Do meu ventre. Que corre em suas veias, meu sangue.
Refleti sobre tudo isso ao conversar com um amigo que me disse: “minha filha é a pessoa mais importante da minha vida”.
Já ouvi isso antes, de outros homens e mulheres. E durante um tempo, contestei. Afinal, não deveria ser você mesmo a pessoa mais importante de sua vida? Ou então, não deveríamos elencar a pessoa mais importante, e sim várias, com o mesmo grau e valor?
Mas hoje eu entendo que é impossível questionar essa frase. Primeiro porque amor não se mede, e cada um sabe de si. Segundo porque, como entenderei, se jamais vivi e viverei a beleza deste momento?
A médica disse que a cada dia é mais improvável que aconteça….
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Porém mais importante que esta conclusão, é todo o caminho ao qual ela leva. Tanto para o bem, como para o mal.
Bate tristeza? Sim. Mas ao mesmo tempo, um sentimento enorme de liberdade. Às vezes, uma verdade pode ser dura, mas liberta.
Como me disse este mesmo amigo, sentado na mesa do bar: “Aceita que dói menos”.
Ditado bobo, mas real.
Posso não ser mãe de uma criança. Mas posso ser irmã, tia, amiga, filha. Posso ser jornalista, escritora, atriz, poeta. Posso ser mulher, posso ser menina, posso ser uma amante da vida. E posso tentar fazer um pouco de tudo aquilo que eu desejo (dentro é claro de uma perspectiva realista).
A verdade, é que existem emoções e experiências sobre as quais nunca conseguirei aprender. E quem consegue?
Ele voltou do passeio com a cadela e tomou a decisão que adiava há um ano e meio: tirou o corpo da esposa da sala.
XXXXXXXXXXXXXXX Ela gostava de homens narigudos. Calvos. De gengiva preta. E brochas. O nariz dele era dos grandes. E foi o que a atraiu. Ele era estranho. Só aparecia na piscina do prédio quando o sol já tinha ido. Ou sábado à noite. Sempre sozinho. Sempre olhando pro nada. Sua fama entre a equipe de limpeza do prédio não era das melhores. Seu apartamento era dos mais fétidos. Ele, porém, parecia não notar. Os vizinhos reclamavam. Mas a culpa recaía sobre os dois cachorros que moravam junto com seu dono. Ninguém imaginava que, embaixo do piso, um corpo permanecia.
XXXXXXXXXXXXXXXX Foram casados por nove anos e, então, acabou. Por responsabilidade dela, dizia. Primeiro, morou num muquifo em cima de um restaurante popular na Glória. Propriedade de um amigo. Dividia os 20 metros quadrados com seus cachorros, lagartixas, baratas e suas plantas. Num impulso, comprou o apartamento do qual se arrependeu. Mas agora era tarde. Condomínio nas alturas, potenciais compradores que desistiam da aquisição logo após a visita. Ele não sabia – ou fingia não saber – que o cheiro da esposa atrapalhava. Logo o dela, tão cheirosa em vida. Alguém que sabia que, para se perfumar, era preciso entrar na nuvem da fragrância – e não borrifar o líquido tão perto da pele a ponto de o alcool escorrer. Ela, morta Ele, na piscina, em horários improváveis. Então, aconteceu.
XXXXXXXXXXXX Dizem que são as mulheres que escolhem. E nesse caso foi verdade. Ela escolheu dar uma chance para o narigudo da piscina. Primeiro começaram a se cumprimentar O destino ajudou, com encontros aleatórios e inesperados na rua. Puxou a ficha do rapaz com as meninas da limpeza. E foi assim que, quando eles começaram a conversar, ela já sabia mais da metade do que ele contou Seu nome Profissão Estado civil Os nomes dos cachorros, companheiros fiéis Como não havia sido sua esposa
Xxxxxxxx Ele era lerdo pra esse lance de paquera. Fazia tanto tempo… O tempo que a guitarra não tocava, por o pai ter partido Ele sempre falava em divã Mas não deitava em um (Embora precisasse) Foi ao cinema com ela, que o convidou depois de um final de semana na piscina Há quanto tempo não entrava numa sala escura… Teria uma nova chance? Mereceria?
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Ela andava cansada de performar. Se a ex dele descansava morta sob o piso, ela, por sua vez, tinha já visto a morte de perto – e sobrevivido – por circunstâncias que não cabe aqui explicar. O trabalho, os pais idosos, a mãe confusa, o pai senil, o supermercado, a casa lotada de roupas pouco usadas, os treinos, as aulas de tamborim, os amigos pedindo ajuda, os riscos e os seguros Ela se esforçava para estar sempre ocupada A louça para lavar, a máquina sempre batendo, as refeições saudáveis da semana por preparar, a prontidão por atender qualquer pedido amigo, a corrida, as pílulas para dormir e acordar Conversando, descobriram que tinham coisas em comum A mesma profissão A mesma insônia Além do ódio O ódio pelo mesmo bairro O fato de buscarem estar sempre ocupados Fugitivos? De quê?
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Ela gostava de ele ser narigudo e ocupado, com horário para tudo. Menos tempo para ela Menos uma tarefa Mais um item da lista riscado Um crush arranjado Fora de apps, à moda antiga Ele gostava de se sentir desejado E ter com quem conversar Depois de tanto tempo sozinho
Xxxxxxxxxxxxxxxxxx E foi, então, para dar uma chance ao recomeço, que ele deu ghosting logo após o primeiro beijo. Ela achou que era um sinal de que aquele relacionamento não ia dar certo. Mas o que não sabia é que ele faltou ao trabalho, tirou o piso, picou o corpo, encheu uma mala, saiu pela rua e… voltou muito mais leve. Respirou fundo o ar.
Pelo menos dentro da gente, envelhecer tem um tempo para querer acontecer. Pra dar as caras.
Chega de vez e assusta, transforma.
Assusta porque transforma.
Envelhecer causa estranheza em que tá dentro mais do que quem vê de fora.
A beleza, aquela já conhecida, faz que vai embora. A saúde cambaleia, tropeça e pede ajuda. A vida ganha contornos que hora se invertem, hora se reforçam.
Alguns caminhos se abrem e outros a gente fecha. Por escolha. Decisão.
Os desejos se expressam com força lá dentro e ganham nossa atenção. Mais gentileza e aceitação, menos desculpas e mais perdão.
A gente cresce que não cabe em si, naquela antiga definição. E fica amostrada e exibida, contemplante do processo e da renovação.
Envelhecer não retrata só os anos vividos, mas explora o que vem de novo, o que quer acontecer.
É a pressa dos passos firmes, do saber onde pisar, pra onde ir e para que ir. É um novo jeito de caminhar.
Tratar com leveza o que precisa de ajuste, e fazer do retoque um mantra, em sons de agradecimento e de prece.
É se amigar com a culpa, questioná-la ou entendê-la, mas se afastar da autocomiseração.
Envelhecer é calmaria diferente, redefinida. Carrega a potência de uma ebulição latente, que não apressa o tempo mas não quer perder a hora. Quer viver o agora.
É viver de, viver para, viver com, viver apesar e viver além.
Envelhecer sem se re-conhecer é quase morrer.
Olhar e não se ver por fora, ensina que é preciso mudar a direção do olhar, buscar o que vem de dentro, de onde tudo brota.
Essa história começou há quase 20 anos. Com uma mochila nas costas, muitos sonhos e pouca grana, vim pro Rio de Janeiro estudar.
Em universidade grande, pública. No início estranhei. Os alunos em sua maioria eram mais novos. Levei 3 anos para passar no vestibular. Escolhi um curso concorrido: jornalismo.
Mas logo conquistei amigos. Alguns poucos tenho até hoje. E vieram os primeiros estágios, as primeiras pequenas vitórias.
Até que, pouco depois de já formada, passei no primeiro concurso. Uma grande conquista, pois fui primeira colocada.
Mas era cadastro de reserva e nunca me convocaram.
Não desanimei.
Fiz outras provas e logo passei num segundo concurso, que estou até hoje.
Sou concursada. Alcancei minha independência. E a casa própria.
Olhando pra trás, de nada me arrependo. A cidade grande me deu tudo (ou quase). Sinto o cheiro, o gosto e o tato de cada cantinho deste local que escolhi viver.
E sinto até hoje o encanto de quem atravessou a ponte com tantos projetos na cabeça.
Me tornei também escritora. E as baladas deste local e de tantos outros que tive oportunidade de passar me inspiram.
Acima de tudo, me tornei quem sou. E serei muito mais.
Tivemos um dia de trabalho exaustivo. Eu e Paulo trabalhamos na mesma empresa, em equipes diferentes. A primeira vez que nossos olhares se cruzaram foi durante um almoço – daqueles bem barulhentos e desorganizados, onde todos falam, mas quase ninguém se escuta. Era uma mesa enorme e eu cheguei atrasada. Todos já estavam sentados, e o único lugar disponível ficava bem em frente a ele. Fui me aproximando da cadeira e sentindo aquele olhar sobre mim, me escaneando em detalhes. Baixei os olhos, disse uma saudação discreta em volume baixo e me sentei. Não lembro muita coisa desse dia. Apenas a sensação de estar sendo avaliada por aquele homem que eu nunca tinha visto e não sabia o nome. Entrei na empresa há meses, mas o trabalho em home office faz com que a gente desenvolva alguns relacionamentos sem nunca ver a outra pessoa, se ela assim desejar. Passamos a ser um nome numa lista, num e-mail. Apenas uma voz durante reuniões com a câmera fechada. As pessoas têm direito à privacidade, mas, ao menos uma vez, poderiam nos brindar com sua imagem e seu sorriso. No nosso caso, isso não foi necessário, pois a empatia e a conexão foram imediatas. Eu, novata, precisava de ajuda para identificar o responsável por um novo projeto. Como não conhecia ainda as pessoas e suas funções, escolhi um nome ao acaso para me ajudar. O nome Paulo me chamou atenção por ser nome do meu primeiro namorado, meu primeiro amor. Nome que eu não pronunciava há anos, desde que nos separamos. Pensei que poderia ser uma pessoa agradável, mas depois percebi que eu apenas queria pronunciar aquele nome mais uma vez. A conversa, na verdade uma troca de palavras, foi objetiva, curta e por escrito. Não tive a chance de pronunciar o nome que me despertou saudades. Embora tenha achado sua atitude muito seca, sempre que precisava de alguma ajuda eu recorria ao Paulo, que respondia de forma objetiva, mas a cada resposta, se mostrava mais simpático e divertido. Um dia tomei coragem e abri minha câmera na esperança de que ele fosse recíproco. Aproveitei que eu estava bem vestida e maquiada e podia me mostrar para o colega misterioso sem passar vergonha. Quem trabalha em home office sabe dos perigos de abrir a câmera sem fazer uma verificação para confirmar que se está ao menos vestida e penteada. O mínimo para uma convivência respeitosa. Ele não correspondeu à minha expectativa. Apenas usufruiu da minha imagem e me deixou ainda mais curiosa. Mas, ao menos escutei sua voz, que não me despertou mais curiosidades. Pelo contrário, me fez pensar que ele seria jovem demais. Os dias foram correndo e o volume de trabalho aumentado. E as trocas de mensagem entre nós cresceu na mesma proporção. O tom estava cada vez mais descontraído e começamos a estabelecer uma amizade e até uma cumplicidade, pois estabelecemos uma rede de apoio entre nós, cada um colaborando com sua expertise. Eu com minhas habilidades de design e ele com sua intimidade com a tecnologia. Mas não passou disso. Até este almoço. Passado um tempo da minha chegada, o homem que estava sentado à minha frente e que me observava insistentemente, me perguntou se eu não iria escolher o prato. Minha coluna gelou, a boca secou e a língua travou. Eu, que sou tagarela, não consegui emitir um som em resposta àquela pergunta. Não por não saber o que queria comer, mas por susto, vergonha e outro sentimento que não consegui identificar naquele momento. Euforia, talvez. Era ele, o Paulo. E eu só consegui sorrir com o canto da boca e abaixar os olhos, mais uma vez. Passei um tempo sem falar diretamente com ele, pois não conseguia encará-lo, pois eu queria observar cada centímetro daquele rosto anguloso, a abertura do sorriso e o brilho dos olhos. Quem desenha sabe como os detalhes são importantes. Mas eu temia que as outras pessoas descobrissem que, naquele momento, eu era um turbilhão de sentimentos duvidosos. Finalmente, o almoço acabou e voltamos ao escritório. No caminho, na confusão de pessoas e risos, ele encostou em mim. O dorso da sua mão passou raspando no meu quadril por um segundo. O tempo necessário para riscar o desejo e acender todo o meu corpo. Fingi que não senti. A tarde transcorreu normalmente, com a insensatez de uma equipe presa a um escritório. Cada um em sua mesa, todos vidrados em seus lap tops e com seus fones que os afastam ainda mais do mundo real e os faz afundar no virtual, apesar do corpo estar no presencial. O híbrido sem sentido. Ao final do dia, meu chefe me encarrega de elaborar um projeto imenso e complexo. Sem opção, aceito. Mas imediatamente me preocupo, pois necessita de desenvolvimento tecnológico que não domino. Começo a fazer o trabalho e, de repente, me dou conta de que estou sozinha no escritório. A hora passou e todos foram embora. Fecho tudo e corro para casa onde tomo um banho relaxante e preparo meu jantar, na companhia de meus gatos. Minha rotina é leve e gostosa. A música me acompanha pelas horas e as tarefas são realizadas cada uma em seu dia da semana correspondente. Tudo se encaixa e funciona. Após eu e meus gatos estarmos alimentados e termos cumprido nossos rituais noturnos, resolvo revisar o novo projeto para planejar o dia seguinte de acordo com minhas novas necessidades. Assim que abro o lap top vejo a mensagem de Paulo. Toda a eloquência que nos faltou durante o almoço, no momento que finalmente estivemos frente a frete, estava presente nessa conversa noturna. E me dei conta de que era a primeira vez que nos falávamos fora do horário de expediente. Perguntei-me qual seria o motivo dele estar on-line, mas não tive coragem de verbalizar a dúvida e a guardei numa das quinhentas caixinhas abertas em minha cabeça. Num determinado momento me deu conta de que Paulo poderia ter a solução para algumas questões do novo projeto que envolviam tecnologia. Tomei coragem e perguntei se ele poderia me ajudar, e ele prontamente se disponibilizou. Assim transcorreram dois dias com sessões pontuais de ajuda e conversas bobas, que escondiam um desejo de entender o que estaria passando na cabeça dele. Impossível descobrir. Ele parece mais fechado que um cofre de banco suíço. Na véspera da primeira apresentação do projeto, estávamos em nossa conversa noturna que se tornara cotidiana, faço algo que me tira do prumo. Não sei exatamente o que fiz, e o trabalho de dias sumiu. Desintegrou-se num piscar de olhos. Vendo meu desespero, Paulo tenta me acalmar e me orientar, mas entro em pânico. Ele me ensina um mantra e pede para que eu sincronize a respiração com a emissão de cada sílaba do mantra. Ficamos repetindo por alguns minutos, até que o interfone toca. Me assusto mas peço para ele aguardar, e, para minha surpresa, era ele quem estava na portaria esperando para subir. O pânico volta e de uma forma avassaladora. Fico confusa, com medo e lisonjeada ao mesmo tempo. Ele se preocupa comigo! Mas… e se for um tarado paranoico¿ Ele entra e vai direto ao lap top, correndo contra o tempo. Demora, mas consegue identificar o que ocorrera e ainda reverter o estrago. Depois de uma hora e de eu ter dado tantas voltas na minha pequena sala que daria o percurso de maratona, ele terminou o salvamento do trabalho quase perdido. Bem a tempo de me ressuscitar, pois eu já estava na vala dos esquecidos. Depois de tanta tensão, abrimos uma cerveja para relaxar e nos demos conta de que já era madrugada. E o silêncio reinou. Nos demos conta de que todos os assuntos que usávamos para esconder nossos sentimentos, já haviam se esgotado. Nos olhamos e baixei a cabeça. Reconhecendo que é o momento. Aquele momento que alguém precisa tomar a iniciativa. E que, se não tomar, essa história pode ser apenas uma história sem fim. Segundos que parecem séculos. Pensamentos que se atropelam na velocidade da luz. Até que resolvo sair dessa situação da forma que eu sei: colocando uma música. Baixinha, pois já era madrugada. Ele me puxou para perto dele e começamos a dançar. Não sei dizer quantas músicas foram. Mas, aquele tempo que há minutos atrás se arrastava, passou a correr. Queríamos que ele parasse, mas não tem tecnologia para isso ainda. E ficamos nesse flash mob, um musical quase silencioso, madrugada adentro.
A carioca Alessandra Carreiro faz aqui sua estreia como escritora, publicando pela primeira vez um de seus escritos. Apaixonada por leitura, costuma fazer resenhas dos livros que lê em seu perfil @alessacarreiro. Mãe do Breno, tem como hobby as artes plásticas como pintura e colagem, além da costura, que a levou ao desenvolvimento de sua própria marca, a @womn-rio, voltada para o público feminino. Graduada em Publicidade e Propaganda, com MBA em Marketing e cursando Neurociência e o Comportamento Humano, é especialista em branding e atualmente trabalha com patrocínios culturais e corporativos.
É por amor que você acorda de madrugada para preparar a merenda do seu filho na escola, ou o almoço no trabalho.
É por amor que você fica em um emprego ruim de salário ou benefícios, mas que te preenche no seu sentido de bem-estar social.
É por amor que você perdoa alguém que agrediu uma pessoa que você ama. Afinal, o agressor pode ser uma pessoa também importante pra você, nessas incoerências da vida.
É por amor que você busca um ente querido na cadeia, mesmo que saiba que ele é culpado.
É por amor que você empresta dinheiro, mesmo inseguro.
É por amor que você se rasga, se entrega, se arrisca. E quando se dá conta, está no IML segurando a mão de alguém que está com medo e você acha que pode ajudar, mas na primeira oportunidade que tiver, vai te despedaçar sem dó.
É por amor que nos dedicamos às pessoas, nos entregamos a elas, damos sucessivos votos de confiança, mesmo sabendo que em algum momento elas vão nos decepcionar.
É por amor que damos passos inseguros, mas tentamos recomeçar a vida a dois, mesmo depois de vários traumas.
É por amor que atravessamos vários cansativos quilômetros, para estar perto de nossos familiares.
E se é por amor, por amor mesmo, vale à pena, vale à luta, vale o risco, vale a alma.
Mesmo que não consigamos enxergar. Que dê raiva do outro. Ou até de si mesmo.
Não existe amor sem entrega. E entrega, ah, a entrega…
Ela é sempre incerta, e por tantas vezes, ingrata.
Tenha consciência, tenha paciência.
A vida é inexata.
(Jamais se arrependa do amor que você deu. Ele não foi só ao outro, ele foi por você, tentando ser um bom sujeito)
De um tempo pra pensar De muitas noites de sono De colo, de carinho De amigos, de amores De provar novos sabores E remédios pra tantas dores… E precisei me curar
Precisei Aprender dizer não E precisei ser forte Negar desejos Assumir ensejos Virar-me do avesso Recomeçar do chão
Precisei amor, acima de tudo Bloquear, desamar Esquecer, recusar Ser firme, ser dura Ficar muda Me amar
“Amor de carnaval desaparece na fumaça, saudade é coisa que dá e passa… “ A marchinha de carnaval diz assim, mas eu conheci um rápido amor de carnaval que deixou uma saudade pra sempre. Paul era o seu nome. Americano, turista, mal falando o Português e conseguindo se comunicar melhor em Espanhol. Eu, recém saída da adolescência, exibindo em meus 18 anos uma vontade louca de encontrar um amor. Éramos uma turma de 10 amigos, dançando e desfilando pelas ruas do Rio. As escolas de samba se apresentavam ali perto e o samba nos embalava e enchia de alegria. De repente alguém tocou no meu braço. Olhei e vi um rapaz muito bonito me pedindo uma informação, ou será que tanta beleza era só eu mesma que via? Tentando se comunicar comigo, experimentou o inglês, mas eu não era boa nisso e acabamos no Espanhol, um pouco aportuguesado. Paul, logo entrou na nossa turma e se tornou amigo de infância de todos nós. A noite, pelo menos para mim parecia ter horas a menos que o normal, pois foi tão curta. Pulamos carnaval, sambamos, conversamos e nos divertimos muito. O dia amanheceu e com ele trouxe a despedida. Um abraço apertado, um beijo rápido e o nosso encontro acabou. Naquela manhã Paul voltou para sua Terra e nunca mais nos vimos. Até hoje, muitos anos depois, ainda guardo esta lembrança linda de um breve AMOR DE CARNAVAL.
AMOR DE CARNAVAL
“Amor de carnaval desaparece na fumaça, saudade é coisa que dá e passa… “ A marchinha de carnaval diz assim, mas eu conheci um rápido amor de carnaval que deixou uma saudade pra sempre. Paul era o seu nome. Americano, turista, mal falando o Português e conseguindo se comunicar melhor em Espanhol. Eu, recém saída da adolescência, exibindo em meus 18 anos uma vontade louca de encontrar um amor. Éramos uma turma de 10 amigos, dançando e desfilando pelas ruas do Rio. As escolas de samba se apresentavam ali perto e o samba nos embalava e enchia de alegria. De repente alguém tocou no meu braço. Olhei e vi um rapaz muito bonito me pedindo uma informação, ou será que tanta beleza era só eu mesma que via? Tentando se comunicar comigo, experimentou o inglês, mas eu não era boa nisso e acabamos no Espanhol, um pouco aportuguesado. Paul, logo entrou na nossa turma e se tornou amigo de infância de todos nós. A noite, pelo menos para mim parecia ter horas a menos que o normal, pois foi tão curta. Pulamos carnaval, sambamos, conversamos e nos divertimos muito. O dia amanheceu e com ele trouxe a despedida. Um abraço apertado, um beijo rápido e o nosso encontro acabou. Naquela manhã Paul voltou para sua Terra e nunca mais nos vimos. Até hoje, muitos anos depois, ainda guardo esta lembrança linda de um breve AMOR DE CARNAVAL.