Neruda

“É a manhã cheia de tempestade
no coração do verão.
Como lenços brancos de adeus viajam as nuvens
que o vento sacode com viageiras mãos.
Inumerável coração do vento
pulsando sobre o nosso silêncio apaixonado.”

                                                     (Pablo Neruda)


estava a observar
aquele sebo
entre usados
e novos
folheio páginas
elas exalam
memórias
dos livros
personifica notável
intrigo-me
no silêncio
cabelo desleixado
seboso
de pele pálida
olhos cansados
em mim
a febre de verões
não há trocas
ou diálogos
apenas desejo
oculto
dias sobrepõe
esse eu lírico
paradoxal
refaço caminho
conto passos
me aproximo
de toda poesia
ofegante disfarço
curiosa
reparo gestos
me perco signos
acordo sonho
ouço voz
ofertando gentileza
ressignifico Platão
apressada
escolho miudezas
por sugestão
a geometria
e lirismo português
esqueço nome
aquele Neruda
e o adeus

Eu Caminho, a Vida Corre

Estou sentada à varanda do verão da minha vida.
O som dos coqueiros me lembra a chuva que bate na janela, pau de chuva, canto indígena.
É ele que me confunde e corro para ver se a roupa no varal vai molhar.
As cadeiras estão ali, pra se namorar enquanto a gente espia a vida passar.
É assim minha casa, que tem cheiro de maresia, som de chuva e vento que é brisa.

Tá vendo a menina passar? É a menina que leva o cachorro, é a gente que leva a vida. 
É a vida que passa, embalada no ritmo da onda que quebra na praia da noite clara.

Eu continuo sentada, enquanto posso, enquanto passa.
Mas essa chuva que não vem pra me molhar me tira do lugar.
Me põe em marcha. 
Eu caminho, a vida corre.

De pé observo o outono chegar, folhas vermelhas de amendoeira, “árvore-de-guarda” me diz Drummond.
Os primeiros fios brancos do tempo se apresentam, a lua é minguante.

Varanda abandonada agora é sala aconchegada.

Minha casa tem cheiro de cedro, canela, especiaria. Vento frio assobia.
A chuva finalmente cai, não tem susto: a roupa está guardada.

Crédito de Imagem: Foto por Pixabay em Pexels.com

Ao fechar a porta

Quando uma mulher escreve é preciso fechar a porta atrás de si. Um silêncio profundo me envolve como uma névoa e a aflição da tela em branco é uma velha conhecida. É difícil conter o tsunami de pensamentos que insistem em me levar para o fundo. “Água não tem cabelo”, diziam antigos, para nos encher de medo das águas. Fossem salgadas ou doces. Rasas ou fundas.


É nesse desespero que me vejo, no profundo dessas águas onde não me falta o ar, mas falta o controle. Tento me agarrar a elas que escorrem por entre os dedos das mãos. Reconheço que perdi. É preciso me entregar ao turbilhão e dele extrair tudo de uma só vez. Como uma rede lançada. Um arrastão. E só quando ela chega à tona é possível fazer a seleção.

Trancada no quarto a história aparece na tela. Uma carta, uma crônica, um poema. Milhares de frases e pensamentos pulando ao meu redor feito peixes fora d’água. Nada se perde, tudo se aproveita e quando a bate a fome de escrever é só abrir os arquivos e se fartar.

Ao final de algumas horas, minutos, segundos que seja, abro a porta do quarto para assumir as tarefas do cotidiano. A escritora, sentada em frente a tela do computador, por hoje, sorri satisfeita.

Amanheceu de novo

Entre todas as coisas que quis fazer na vida, algumas foram deixadas de lado inúmeras vezes pelos mesmos motivos. Houveram momentos que eu quis desistir de tudo e até mesmo desaparecer, acho que toda pessoa humana já teve esse pensamento pelo menos uma vez.

Se disser que não, é mentira. A vida me ensinou mesmo quando eu chorava ou ficava extremamente triste, que o amanhã sempre chega. Sempre haverá um despertar. Entendi esse recado depois de muitas lágrimas derramadas.

Sou alegre mas ás vezes essa é a minha máscara mais comum para enfrentar as adversidades. Quando vou dormir, peço por um mundo melhor. E quando acordo, sinceramente acredito nisso.

Pois Amanheceu de novo.

Diamantes

Fazendo uma pesquisa aleatória na Internet, caí numa página que falava sobre diamantes.

Comecei a ler as informações e pensei: por que o diamante representa o amor e o compromisso?

E ao longo do texto tentei encontrar algo que respondesse a minha curiosidade, porém, era um texto super técnico e confesso: fiquei sem entender muitas coisas. Consegui tirar o essencial para o que eu buscava.

Durante a leitura, o que mais se avivava na minha mente eram as associações entre as informações técnicas e a representatividade do diamante nas relações, ao assumir um compromisso.

Nenhum outro minério ou metal consegue cortar o diamante. Apenas ele mesmo.

Só pode ser lapidado de duas maneiras, sendo uma delas bem rara. É o que determina o “desenho” da joia.

Seu valor agregado é imenso devido ao tempo que demora para se formar na natureza.

Já conseguiu associar essas características ao amor, aos relacionamentos?

Se já, parabéns! Se ainda não, vamos lá!

Entende que, como só o diamante consegue cortar ele mesmo, os envolvidos num relacionamento são os únicos responsáveis pelo sucesso ou pelo fracasso?

A lapidação do diamante é única, assim como a forma que os parceiros se tratam, se olham, se entendem, se resolvem. Até nas discussões e desavenças essa forma tem suas particularidades. E será diferente conforme o companheiro(a). Cada um tem seu jeito, mas existe uma maneira própria em cada relação.

O tempo que demora para se formar na natureza, seu processo de vir a ser é o que lhe atribui um valor inestimável, assim é nos namoros, casamentos, relacionamentos não convencionais (de acordo com regras sociais); o empenho e a energia despendidos para que dê certo é o que faz de cada um único e valoroso.

E sim, o diamante é o símbolo do compromisso, do amor, do envolvimento, por tudo isso: seu valor atribui qualidades como confiabilidade, doação, entrega a quem oferece um anel carregado de simbologia e espero, de amor.

Dos tempos que mergulhei em mim. O sagrado!

No ventre da Terra, onde a vida se inicia,

Reside o sagrado feminino, fonte de energia.

Uma força ancestral, divina e profunda,

Que envolve o universo, em sua dança fecunda.

Na suavidade do toque, na voz que acalenta,

No olhar que transmite amor, na alma que sustenta,

A mulher se revela, em sua essência sagrada,

Um ser de luz, uma deusa consagrada.

Ela é a lua que brilha no céu estrelado,

A água que flui, o fogo que é acalentado,

A terra que nutre, o ar que traz a vida,

Ela é a criação, a cura, a sabedoria.

Em seu ventre, germina a semente da vida,

Ela é a guardiã, a mãe, a protetora querida.

Com sua intuição afiada, ela guia os passos,

Desvendando mistérios, tecendo os laços.

No seu riso, há a alegria que contagia,

No seu choro, há a dor que alivia.

Ela é a força que move montanhas,

A coragem que enfrenta as batalhas.

No sagrado feminino, há uma conexão,

Com a natureza, com a divina criação.

Ela é a voz que clama por igualdade,

A luta por justiça, a busca por liberdade.

Que possamos honrar o sagrado feminino,

Valorizando sua essência, seu poder divino.

Que possamos reconhecer sua importância,

E celebrar sua força, sua perseverança.

Mulher, deusa, ser de luz,

Seu brilho ilumina o mundo, conduz.

Que seu caminho seja de amor e respeito,

E que seu sagrado feminino seja sempre seu efeito.

Que eu desperte a consciência, inspire a mudança,

E celebre a grandiosidade do sagrado feminino em abundância.

Gratidão, gratidão, gratidão

Alessandra Gabriel conecte-se.

A Beleza do Mundo

Dia desses comprei um vestido novo para Internet. Dessas compras por impulso, em que você não mede muito as consequências: o que fala mais alto é o desejo, puro e simples, quase carnal.

O vestido era preto e branco, com leves estampas coloridas. Na modelo, tinha um caimento suave, nem muito justo, nem muito folgado. O decote deixava os seios bem modelados, quase sensuais. E a pequena parte das pernas a mostra ficavam delicadas e bem delineadas.

Vesti.

E apareceu a dura realidade.

Em meus braços quase nus devido às alças da roupa, percebi pequenos contornos, resultante o envelhecimento das carnes e da falta de fortalecimento dos músculos.

Em minhas pernas finas, ficou de fora uma canela que destoava do todo. Já com 10 quilos a mais que o devido, mas ainda com as perninhas bem magras, o vestido realçava a desarmonia entre as partes.

No rosto, o cansaço de uma mulher de vestido novo, mas alma já antiga. A pele já um pouco gasta pelo sol, mas principalmente pela vida, não reluzia tanto quanto aquela roupa pedia, quase gritava.

Com tudo assim, meio dissonante e até mesmo quase caótico, pensei:

– Envelhecer não é fácil.

Mas não me deixei abater.

Peguei um lenço e coloquei em volta dos braços. Um salto alto que me deixava mais delineada. Passei também um pó compacto no rosto e um batom.

E saí, sentindo-me não apenas a mulher mais bela do mundo, mas também a mais jovem.

Afinal, a beleza do mundo, percebi eu, estava dentro de mim. E não em cinco ou seis notas de estilismo ditados pela moda, pela blogueira digital, ou pelo que “dizem por aí”.

A beleza do mundo está em me amar, me cuidar, e me dar o valor que sei que eu tenho.

(Passo em frente a uma vitrine e mais uma vez me olho no espelho, que, desta vez, brilha. Sorri também).

Este texto é da autora Carolina Pessôa. Instagram @carolinapessoa25 e site oficial http://www.carolinapessoa.com.br

Noite

Eita menina-moça de vestido preto e pele escura! Você me tomou nos braços. Enlaçou-me em seus cachos negros. Banhou-me nas suas águas mulatas. Fui fisgada por seu brilho infinito. Seu sorriso discreto me devolveu a paz.

Eita lindeza! Deitei um sono profundo em seu colo. Por vezes tive medo de você, mas agora não mais. Agora não. Agora gosto da sua sedução, dos seus mistérios, da sua magia. O prenúncio da sua chegada me inebria.

Ah! Você é brisa suave. Minha divindade, quero lhe viver.

Hoje estou louca

Hoje estou louca
e vou plantar a loucura nas brechas
do passeio, nas lacunas do concreto.

Assim passeando,
dançarei na praça nua!
Falo de mim, é claro, mas da praça também.

Cuidado: Aqui a palavra é dual

Declaro: Somos todas um trisal!
Eu, a praça e a palavra. Se não quiser ver

– Que se vire!
Nossa união aqui é de sentimento, terra e é carnal:
Amor, amora, amoral.

Daqui de onde moro
planejo ainda hoje mirar e alcançar a lua 

-É que eu sou de lua mesmo.
E será antes do almoço!
Que tenho mais o que fazer.

Montarei num corcel alado
ao lado da sandice,
sem amarras ou freio
pois o meu cavalo…
-Ah! Esse não tem viseira, sequer arreio.

Se eu cair
tem nuvem embaixo para me amparar.
Uma barreira natural…
Dessas que a gente mesmo constrói
dentro da própria cabeça.

Escrevendo pela vida

Escrever é mais que um hobby

Mais que um trabalho

E ainda mais que apenas ordenar palavras e letras até formarem um texto

Escrever vem da alma, ás vezes não sabemos da onde vem a inspiração ou qual seja o destinatário

Escrever é para mim algo que ainda me mantém viva e com vontade de continuar, é a força de vontade nos dias ruins e alegria em dias bons.

Seja qual for a sua razão para continuar escrevendo, continue neste caminho.

Ele é o melhor de todos.

Feliz dia da Escritora para todas nós!