Ao fechar a porta

Quando uma mulher escreve é preciso fechar a porta atrás de si. Um silêncio profundo me envolve como uma névoa e a aflição da tela em branco é uma velha conhecida. É difícil conter o tsunami de pensamentos que insistem em me levar para o fundo. “Água não tem cabelo”, diziam antigos, para nos encher de medo das águas. Fossem salgadas ou doces. Rasas ou fundas.


É nesse desespero que me vejo, no profundo dessas águas onde não me falta o ar, mas falta o controle. Tento me agarrar a elas que escorrem por entre os dedos das mãos. Reconheço que perdi. É preciso me entregar ao turbilhão e dele extrair tudo de uma só vez. Como uma rede lançada. Um arrastão. E só quando ela chega à tona é possível fazer a seleção.

Trancada no quarto a história aparece na tela. Uma carta, uma crônica, um poema. Milhares de frases e pensamentos pulando ao meu redor feito peixes fora d’água. Nada se perde, tudo se aproveita e quando a bate a fome de escrever é só abrir os arquivos e se fartar.

Ao final de algumas horas, minutos, segundos que seja, abro a porta do quarto para assumir as tarefas do cotidiano. A escritora, sentada em frente a tela do computador, por hoje, sorri satisfeita.

Amanheceu de novo

Entre todas as coisas que quis fazer na vida, algumas foram deixadas de lado inúmeras vezes pelos mesmos motivos. Houveram momentos que eu quis desistir de tudo e até mesmo desaparecer, acho que toda pessoa humana já teve esse pensamento pelo menos uma vez.

Se disser que não, é mentira. A vida me ensinou mesmo quando eu chorava ou ficava extremamente triste, que o amanhã sempre chega. Sempre haverá um despertar. Entendi esse recado depois de muitas lágrimas derramadas.

Sou alegre mas ás vezes essa é a minha máscara mais comum para enfrentar as adversidades. Quando vou dormir, peço por um mundo melhor. E quando acordo, sinceramente acredito nisso.

Pois Amanheceu de novo.

Diamantes

Fazendo uma pesquisa aleatória na Internet, caí numa página que falava sobre diamantes.

Comecei a ler as informações e pensei: por que o diamante representa o amor e o compromisso?

E ao longo do texto tentei encontrar algo que respondesse a minha curiosidade, porém, era um texto super técnico e confesso: fiquei sem entender muitas coisas. Consegui tirar o essencial para o que eu buscava.

Durante a leitura, o que mais se avivava na minha mente eram as associações entre as informações técnicas e a representatividade do diamante nas relações, ao assumir um compromisso.

Nenhum outro minério ou metal consegue cortar o diamante. Apenas ele mesmo.

Só pode ser lapidado de duas maneiras, sendo uma delas bem rara. É o que determina o “desenho” da joia.

Seu valor agregado é imenso devido ao tempo que demora para se formar na natureza.

Já conseguiu associar essas características ao amor, aos relacionamentos?

Se já, parabéns! Se ainda não, vamos lá!

Entende que, como só o diamante consegue cortar ele mesmo, os envolvidos num relacionamento são os únicos responsáveis pelo sucesso ou pelo fracasso?

A lapidação do diamante é única, assim como a forma que os parceiros se tratam, se olham, se entendem, se resolvem. Até nas discussões e desavenças essa forma tem suas particularidades. E será diferente conforme o companheiro(a). Cada um tem seu jeito, mas existe uma maneira própria em cada relação.

O tempo que demora para se formar na natureza, seu processo de vir a ser é o que lhe atribui um valor inestimável, assim é nos namoros, casamentos, relacionamentos não convencionais (de acordo com regras sociais); o empenho e a energia despendidos para que dê certo é o que faz de cada um único e valoroso.

E sim, o diamante é o símbolo do compromisso, do amor, do envolvimento, por tudo isso: seu valor atribui qualidades como confiabilidade, doação, entrega a quem oferece um anel carregado de simbologia e espero, de amor.

Dos tempos que mergulhei em mim. O sagrado!

No ventre da Terra, onde a vida se inicia,

Reside o sagrado feminino, fonte de energia.

Uma força ancestral, divina e profunda,

Que envolve o universo, em sua dança fecunda.

Na suavidade do toque, na voz que acalenta,

No olhar que transmite amor, na alma que sustenta,

A mulher se revela, em sua essência sagrada,

Um ser de luz, uma deusa consagrada.

Ela é a lua que brilha no céu estrelado,

A água que flui, o fogo que é acalentado,

A terra que nutre, o ar que traz a vida,

Ela é a criação, a cura, a sabedoria.

Em seu ventre, germina a semente da vida,

Ela é a guardiã, a mãe, a protetora querida.

Com sua intuição afiada, ela guia os passos,

Desvendando mistérios, tecendo os laços.

No seu riso, há a alegria que contagia,

No seu choro, há a dor que alivia.

Ela é a força que move montanhas,

A coragem que enfrenta as batalhas.

No sagrado feminino, há uma conexão,

Com a natureza, com a divina criação.

Ela é a voz que clama por igualdade,

A luta por justiça, a busca por liberdade.

Que possamos honrar o sagrado feminino,

Valorizando sua essência, seu poder divino.

Que possamos reconhecer sua importância,

E celebrar sua força, sua perseverança.

Mulher, deusa, ser de luz,

Seu brilho ilumina o mundo, conduz.

Que seu caminho seja de amor e respeito,

E que seu sagrado feminino seja sempre seu efeito.

Que eu desperte a consciência, inspire a mudança,

E celebre a grandiosidade do sagrado feminino em abundância.

Gratidão, gratidão, gratidão

Alessandra Gabriel conecte-se.

A Beleza do Mundo

Dia desses comprei um vestido novo para Internet. Dessas compras por impulso, em que você não mede muito as consequências: o que fala mais alto é o desejo, puro e simples, quase carnal.

O vestido era preto e branco, com leves estampas coloridas. Na modelo, tinha um caimento suave, nem muito justo, nem muito folgado. O decote deixava os seios bem modelados, quase sensuais. E a pequena parte das pernas a mostra ficavam delicadas e bem delineadas.

Vesti.

E apareceu a dura realidade.

Em meus braços quase nus devido às alças da roupa, percebi pequenos contornos, resultante o envelhecimento das carnes e da falta de fortalecimento dos músculos.

Em minhas pernas finas, ficou de fora uma canela que destoava do todo. Já com 10 quilos a mais que o devido, mas ainda com as perninhas bem magras, o vestido realçava a desarmonia entre as partes.

No rosto, o cansaço de uma mulher de vestido novo, mas alma já antiga. A pele já um pouco gasta pelo sol, mas principalmente pela vida, não reluzia tanto quanto aquela roupa pedia, quase gritava.

Com tudo assim, meio dissonante e até mesmo quase caótico, pensei:

– Envelhecer não é fácil.

Mas não me deixei abater.

Peguei um lenço e coloquei em volta dos braços. Um salto alto que me deixava mais delineada. Passei também um pó compacto no rosto e um batom.

E saí, sentindo-me não apenas a mulher mais bela do mundo, mas também a mais jovem.

Afinal, a beleza do mundo, percebi eu, estava dentro de mim. E não em cinco ou seis notas de estilismo ditados pela moda, pela blogueira digital, ou pelo que “dizem por aí”.

A beleza do mundo está em me amar, me cuidar, e me dar o valor que sei que eu tenho.

(Passo em frente a uma vitrine e mais uma vez me olho no espelho, que, desta vez, brilha. Sorri também).

Este texto é da autora Carolina Pessôa. Instagram @carolinapessoa25 e site oficial http://www.carolinapessoa.com.br

Noite

Eita menina-moça de vestido preto e pele escura! Você me tomou nos braços. Enlaçou-me em seus cachos negros. Banhou-me nas suas águas mulatas. Fui fisgada por seu brilho infinito. Seu sorriso discreto me devolveu a paz.

Eita lindeza! Deitei um sono profundo em seu colo. Por vezes tive medo de você, mas agora não mais. Agora não. Agora gosto da sua sedução, dos seus mistérios, da sua magia. O prenúncio da sua chegada me inebria.

Ah! Você é brisa suave. Minha divindade, quero lhe viver.

Hoje estou louca

Hoje estou louca
e vou plantar a loucura nas brechas
do passeio, nas lacunas do concreto.

Assim passeando,
dançarei na praça nua!
Falo de mim, é claro, mas da praça também.

Cuidado: Aqui a palavra é dual

Declaro: Somos todas um trisal!
Eu, a praça e a palavra. Se não quiser ver

– Que se vire!
Nossa união aqui é de sentimento, terra e é carnal:
Amor, amora, amoral.

Daqui de onde moro
planejo ainda hoje mirar e alcançar a lua 

-É que eu sou de lua mesmo.
E será antes do almoço!
Que tenho mais o que fazer.

Montarei num corcel alado
ao lado da sandice,
sem amarras ou freio
pois o meu cavalo…
-Ah! Esse não tem viseira, sequer arreio.

Se eu cair
tem nuvem embaixo para me amparar.
Uma barreira natural…
Dessas que a gente mesmo constrói
dentro da própria cabeça.

Escrevendo pela vida

Escrever é mais que um hobby

Mais que um trabalho

E ainda mais que apenas ordenar palavras e letras até formarem um texto

Escrever vem da alma, ás vezes não sabemos da onde vem a inspiração ou qual seja o destinatário

Escrever é para mim algo que ainda me mantém viva e com vontade de continuar, é a força de vontade nos dias ruins e alegria em dias bons.

Seja qual for a sua razão para continuar escrevendo, continue neste caminho.

Ele é o melhor de todos.

Feliz dia da Escritora para todas nós!

Três em nós dois



Vi-te com ela
Eufórico
Desinibido
Dono de ti
Tu a abraçavas
E a engolias, sedento
Como se não existisse o porvir

Fundias-te a ela como se fosse a única
E como se fosse a última vez
Sem hesitar
Para, no dia seguinte, desdenhares dela
E me prometeres amor eterno

No teu sussurro
Entorpeces-me com esperanças frágeis
De que não mais a verás
De que não sucumbirás novamente ao feitiço
De quem nada devota a ti

Só eu te velo o sono
As lembranças e os temores
Só eu suavizo as dores
Que ela insiste em despertar
Eu te alimento a alma
E a ti me entrego transbordante do que sou

Seco as lágrimas que ela semeou em teu peito
E que tu nem percebeste
Tão lúgubre que estavas tu sem mim
Nesse trio, eu me encolho
Afasto-me quando a vejo em teus olhos
E percebo que soltaste minha mão

Os outros riem contigo
Ou será que riem de mim?
Fingem não entender o triângulo que se fez
E que tem nela a ponta cega e obtusa
Que te alucina
E ofusca a mim

Se clamo para que a deixes
É porque sei que é o melhor para ti
Para nós
Ela nada sofrerá, asseguro-te
Vez que não tem coração nem sangue nem carne nem osso
Sendo apenas um alinhavo de retalhos
Das almas das quais se apoderou
Nas noites vazias
No consolar das mesas frias

Receio que finalmente te decidas por ela
E percebas que nosso amor não resistiu
À excitação inebriante
E fugaz
Que ela em ti desperta

Eu, porém,
Libero-te
E me permito
Que voes e pouses onde quiseres
Se te decides por uma
Alija-te da outra
O triângulo se desfaz
Dissolve-se no prazer do corpo frio
Que ela, um dia, te deu
E que te levaste
Ainda que por um instante
Para longe de mim

Imagem:Priscila Barbosa/VivaBem

Resenha de filme: “Barbie” traz assunto de gente grande

Se por algum motivo você ainda não leu nada sobre o filme Barbie mas está sendo atropelado pela “onda rosa” nas redes sociais, nós lhe alertamos: veja o filme (ou leia sobre) antes de combinar com sua filha de 10 anos ou menos  para irem ao cinema vê-lo (a censura no Brasil é 12 anos mas crianças menores podem ir ao cinema acompanhadas pelos pais). Barbie não foi feito para crianças. Foi feito para mulheres. Para as nostálgicas que brincaram com a boneca, para as que a detestam porque acham que impõem um padrão de beleza e feminilidade que não nos abarca a todas, para as que amam a mensagem de que a “Barbie pode ser tudo que quiser” ou para as curiosas que querem entender o porquê de tanta celeuma em torno de um filme sobre uma boneca de plástico. Para os homens, um alerta adicional: preparem-se para ver na tela uma caricatura da sociedade patriarcal, com os exageros que toda caricatura tem.  Às vezes, o artifício do exagero é necessário para que saltem aos olhos os absurdos que vemos por aí e que, por terem uma frequência tão recorrente, acabam se revestindo de “normalidade”.

Não se poderia esperar um filme bobinho da cineasta norte-americana Greta Gerwig, a mesma de “Lady Bird” e “Adoráveis Mulheres” . Barbie, de bobinho, não tem nada. Cada fala das bonecas e dos “humanos” têm a intenção de nos fazer repensar porque reproduzimos (ou aceitamos) comportamentos repressores protagonizados, no filme, por ambos os “lados” (das Barbies sobre os Kens, em Barbielândia; e dos homens sobre as mulheres, no “mundo real”). Eu arriscaria dizer que o tema central do filme é sobre opressão, ainda que permeado por cenas e falas realmente engraçadas e por um visual na paleta de cores “Barbie” – com muito rosa e tons pastéis. 

Na excursão de Barbie pelo “mundo real”, a boneca que era acostumada com um mundo em que suas companheiras Barbies (“mulheres” de todos os corpos e raças) são protagonistas e atuam como escritoras, operárias, médicas, presidente, etc se vê, de repente, em um contexto em que é considerada como um mero pedaço de “carne” desejável e totalmente sexualizado, a ponto de precisar dizer, em uma das falas, “eu não tenho vagina”, na tentativa de chocar e de afastar sobre si o assédio que a acompanha por onde quer que vá no “mundo real”.

Nesse “mundo real”, o boneco Ken, completamente desprestigiado em Barbielândia, apropria-se de como a sociedade vê os homens e de todo o poderio que está nas mãos masculinas, a ponto de achar que apenas o fato de ser homem o credencia a ocupar qualquer espaço de poder, ainda que nem tenha a qualificação ou o conhecimento para tal. Nesse ponto, é sobre privilégios que o filme quer falar. Ainda sobre o mundo do trabalho, a cena onde Barbie questiona aos diretores da empresa Mattel onde estão as mulheres na diretoria da empresa que a fabrica, o filme mostra um CEO abobalhado que não sabe onde elas estão (servindo o café, talvez?) e que não cai em si quando a desigualdade de gênero lhe é escancarada pelo seu “produto”, que nada mais é do que uma boneca “mulher” vendida para mulheres ao redor de todo o mundo. A empresa Mattel é quase uma personagem e escancara paradoxos que poderiam fragilizá-la enquanto empresa. Interpreto, contudo, que ilustraram com ela a realidade do mundo corporativo, independente dela reproduzir ou não essa realidade (não conheço nada sobre a empresa em si). Mas pelo alcance que o filme tem tomado, sou levada a crer que a representação da Mattel no filme foi uma jogada de marketing cirúrgica, apesar de todo o deboche.

Em Barbie, “os super-poderes” que apoiam as heroínas de Barbielândia a lutarem por seu mundo não são os que vemos comumente em filmes de heróis ou heroínas, como força física descomunal ou raio congelante ou, ainda, a capacidade de ficar invisível. O que faz as “Barbies” saírem do transe da “inferioridade” é o discurso feminista que vai despertando cada uma delas e unindo-as em prol do que consideram justo e correto. Um recado e tanto!

Ainda estou esperando os homens corajosos que conheço irem ao cinema e me dizerem como se sentiram ao verem na tela uma representação bem extremada de sociedade machista que, infelizmente, todos nós alimentamos, de alguma forma, mas que indubitavelmente tem a mola propulsora principal acionada por mãos masculinas. Vendo “Barbie”, lembrei de outras referências do cinema como “Eu não sou um homem fácil”, filme francês de 2018. Nele, o mundo é invertido e todo o assédio e discriminação que as mulheres sofrem passam a ser praticados por elas contra os homens. E esse extremismo escancara o quão danoso é a opressão sobre qualquer um dos gêneros.

Fui de rosa ao cinema ver Barbie. Iria de novo. E de rosa. E na confiança de que minha feminilidade e a forma como me apresento para o mundo como mulher não minam o que quero realizar em outras áreas da vida. Homens e mulheres que querem construir uma sociedade melhor para homens e mulheres precisam edificar esse castelo da igualdade de direitos e oportunidades, assistindo “Barbie” ou não.