Amor não é 8 ou 80

Estaciono a moto e me olha snob um cachorro de rua. Achei-o metido e fui para a aula. No intervalo pediu um pedaço do meu lanche, mas tão digno e humilde que me apaixonei. Agora um assovio e o bichinho vem correndo me sujar de lama antes da aula. Eu sou louca por aquele cachorro, se não o vejo ao chegar fico saindo pro pátio no meio da aula, preocupada, e me parte o coração quando corre atrás da moto no fim da noite.

Será que ele entenderia se eu se lhe dissesse que não posso levá-lo para casa? Que ele não seria feliz trancado em 64m² e sozinho o dia todo? Que o preço de estar comigo é abandonar os gramados, as corujas e os macacos que ele persegue, os outros lanches e carinhos que ganha? Sei que passa frio, fome às vezes, que deve ser duro ser sozinho, sem dono, sem rumo, mas como posso fazê-lo entender que é de sua natureza ser livre e é da minha poder estar com ele apenas alguns minutos por noite? Seria preciso que eu de fato o prendesse para ele entender como é bom para ele não ter dono?

Eu o amo, muito. Desejo para ele todas as alegrias possíveis na vida de um cachorro. Penso durante o dia em encontrá-lo e brincar com ele e acordo sorrindo do devaneio. Ele me faz muito bem, e eu cuido e mimo o magrelo tanto quanto não lhe torne cativo. Mas ainda assim ele corre atrás da moto sempre que vou embora.

Erva de Passarinho

Hoje a tristeza me tomou
Presa em seu visgo
desorientada
Raiz fraca, queda certa
O estômago vazio
Sem sal, sem ceia
O coração em desalinho
Seiva bruta deseja

Cessem os adeuses
Podem as folhas secas
Até que a luz se apague
A energia se esvai de
Pouquinho
Partir é perder o brilho
Sol que se apaga
Dia frio

Não seja a tristeza
Minha companheira
Como planta trepadeira
Erva de passarinho
Sugando de mim a seiva
Que me mantém vivo

Te vi ontem

Ontem foi mais um dia comum
Faz tempo que faço minhas coisas sozinha
Sinceramente, não senti sua falta
No máximo, uma melancolia não identificada
Mas eu ainda te vi ontem
Você estava radiante como quando nos conhecemos
Seu sorriso ainda me deixou sem fôlego
E mesmo assim, você não me viu.

Ainda bem.

Não espere as férias para ser feliz

Quando saí de férias do trabalho pela primeira vez, levei a tiracolo uma lista enorme de atividades que eu planejava fazer durante esse período. Naquela época, as férias significavam um dinheiro extra no bolso e tempo livre para fazer coisas que eu julgava necessário fazer e que não encontrava espaço para acolhê-las durante a rotina laboral. Consertar coisas, providenciar outras, organizar documentos e armários e ir a consultas médicas estavam na fila, esperando a vez. A lista era tão extensa que lembro que passava de uma folha de papel. E recordo também de olhar para ela e ter a consciência clara de que o tempo “livre” seria insuficiente para tantas resoluções, o que de certa forma me frustrou logo de início.

Minha família de classe média de pais servidores públicos não tinha a cultura de viajar nas férias. A não ser as idas à cidade natal de ambos, a poucos quilômetros de onde morávamos. Então, eu não sabia lidar com aquelas primeiras férias de mulher trabalhadora. Minha criação e o mundo em que eu vivia haviam incutido em mim que as férias serviam para ganharmos um dinheiro extra (normalmente destinado a necessidades gerais que não tinham relação com lazer) e termos um tempo livre do trabalho. Daquelas férias, o que ficou guardado na minha lembrança foi a matrícula em uma turma de natação que fiz para mim e para Bia. Ela devia ter uns 4 anos e passamos um mês indo à natação juntas, em uma turma mista de adultos e crianças, no meio da manhã. Nós amávamos aquelas aulas e eu percebia o quanto estar comigo naquela atividade a fazia feliz! Foi o melhor daquelas férias inteiras!

Já faz quase vinte anos daquelas primeiras férias. E, felizmente, desde aquela época, sempre tive um trabalho que me permitiu levar a vida com dignidade e que me proporcionou ter periodicamente essas pausas. Mas, de lá para cá, muita coisa mudou.

Com minhas duas meninas ainda crianças, descobri que era possível (e importante) viajar em família nas férias. Sempre haveria uma necessidade que aguardava a vez de ser suprida com o dinheiro extra desse período. Mas por que o lazer da família não poderia reivindicar seu lugar de importância em minha lista financeira e de tempo? Não precisava ser uma viagem para fora do país e nem precisava ser de avião para um lugar famoso. Mas tinha que ser para um lugar novo em que a gente visse coisas que não tinha o costume de ver, que saboreasse novos gostos, que respirasse novos ares, que deixasse o tempo fluir sem consultá-lo no relógio e que, principalmente, convivesse e construísse memórias. Minhas garotas cresceram tão rápido que nem deu tempo de eu perceber que chegaria o dia em que elas não poderiam mais me acompanhar nesses momentos, ocupadas que estariam com suas próprias vidas e compromissos independentes de mim. Mal me dei conta e aportei nessa realidade de praticamente não conseguir mais conciliar nossas agendas de férias juntas.

Ao longo desses anos, as férias passaram de um mero período sem trabalho e destinado a resolver coisas pessoais a um momento aguardado ansiosamente para desfrutar de experiências que o cotidiano de compromissos laborais parecia não permitir. Então, passei a projetar nelas a pesada responsabilidade de renovar minhas energias e me conferir novo fôlego para a jornada seguinte que se iniciaria depois delas. Então, lancei-me a férias aguardadas e planejadíssimas, com viagens com programação intensa, tentando aproveitar cada minuto. Mas a fórmula mostrou-se incompleta também.

Como disse um antigo professor meu: “o mundo não é preto nem branco, é cinza”. Já faz um tempo, então, que percebi que o caminho parece ser seguir pelo centro dessa trilha, transformando esses dois extremos (de lazer quase zero a viagens intensas – e até um pouco exaustivas) em decisões que contemplem a ambos, de cada vez e sem exageros.

Passados todos esses anos, ainda sigo instigada na ilusão de descobrir a fórmula mágica que possibilite a máxima otimização do tempo livre que as férias proporcionam, dividindo-as na tríade resoluções, descanso e lazer. Esta fórmula é tão difícil de ser definida (quiçá impossível) porque nossas necessidades e desejos são dinâmicos e a cada momento são diferentes. Às vezes, peso mais a mão em apenas um vértice desse triângulo e o tripé acaba ficando um pouco desequilibrado. Porque a cada período de férias sou uma pessoa diferente daquela das férias anteriores e em uma fase da vida que me solicita de uma forma distinta. A maturidade também me deixou mais complacente quando a programação sai dos trilhos. Atualmente, aproveito esse “descarrilhamento” do planejamento para ver o que de bom ele me trouxe. O inesperado pode sair melhor do que o planejado. E deixar o universo decidir por você, às vezes, pode ser bom. Afinal, a gente não tem (e nunca vai ter) todas as informações necessárias para a decisão perfeita. Se o controle não é todo nosso, deixá-lo de lado conscientemente, de vez em quando, pode ser libertador.

Sem dúvida que as férias são um oásis no deserto de obrigações. E, por serem uma pausa no ritmo habitual da vida, também podem ser um excelente momento para refletirmos sobre o que somos e o que queremos, possibilitando pensar (ou até agir) em uma mudança de curso, ainda que pequena. É a academia que decidimos retomar, é a visita àquela pessoa especial que nunca mais tínhamos visto, é o ócio que nos permite observar aquilo que está a nossa frente mas que seguia camuflado pelas urgências do dia-a-dia… Contudo, as férias são curtas para a maioria das pessoas. Para muitos, apenas uma ilha de 30 dias no meio do mar de 365. Para aqueles que não usufruem dos direitos trabalhistas em sua labuta, às vezes extenuante e invisível, nem isso. Então, porque esperarmos as férias para sermos felizes e fazermos o que nos faz bem?

Dia desses, saí mais cedo do trabalho para tomar um café com amigos que não via há bastante tempo. No próximo feriado, levarei meus pais para uma cidade que eles sempre quiseram conhecer. Hoje, estive com minha caçula em uma sessão de fotos de formatura que a encheu de sorrisos e a mim de emoção. Neste momento, estou escrevendo, algo que me aquece a alma. Se seu trabalho tem um propósito alinhado com o que você acredita e se você se sente desafiado, valorizado e reconhecido, melhor ainda! Seja feliz enquanto está lá e também ao fim do expediente, quando bater seu ponto, pegar sua bolsa e seguir para casa. A sensação gostosa das férias pode estar na outra esquina, na bilheteria do cinema, na lágrima emocionada ao fim do filme, na mensagem de quem você ama contando sobre uma conquista, no jantar especial no meio da semana, no sono prolongado numa manhã sem compromissos ou simplesmente em um telefonema apaixonado no meio do dia. São as pausas que permitem, de uma vez só, olhar para dentro da gente e, também, enxergar o que há por cima do muro das ocupações, descortinando um horizonte de possibilidades para buscarmos o que nos faz bem em qualquer época do ano.

Dos tempos em que mergulhei em mim. A terra!

No ventre da Terra, um segredo profundo,

Uma história ancestral, um mistério fecundo.

A Terra, nossa mãe, em seu silêncio sábio,

Nos convida a refletir, a questionar o que é verdadeiro.

Ela é a guardiã dos segredos antigos,

Das eras passadas, dos tempos perdidos.

Em suas entranhas, guardou os segredos da criação,

E nos convida a desvendar sua complexa composição.

Olhe para além da superfície, mergulhe em suas camadas,

Descubra os tesouros escondidos, as histórias entrelaçadas.

Cada pedra, cada grão de areia, carrega consigo uma memória,

Uma conexão com o passado, uma lição de sabedoria.

A Terra é um livro aberto, cheio de páginas por explorar,

Cada paisagem, cada ecossistema, um capítulo a desvendar.

Das florestas exuberantes aos desertos áridos,

Cada canto revela segredos, mistérios e conexões.

Mas a Terra também nos desafia a pensar,

A refletir sobre nossas ações, sobre como agir e amar.

Pois somos parte dela, somos seus filhos e herdeiros,

E temos a responsabilidade de cuidar de seus tesouros verdadeiros.

Olhe para o céu estrelado, sinta a brisa no rosto,

Contemple a grandiosidade, deixe-se envolver pelo gosto.

Pense nas gerações futuras, nas pegadas que deixamos.

A Terra, nossa mãe, nos convida a despertar,

A olhar além do óbvio, a questionar e a transformar.

Ela nos ensina a valorizar a vida em sua plenitude,

A respeitar cada ser vivo, a nutrir a gratidão e a atitude.

Que possamos mergulhar nas profundezas da Terra,

Explorar seus segredos, sua essência que encerra.

Que possamos ser agentes de mudança, de amor e respeito,

Para que a Terra, nossa mãe, continue a nos acolher em seu peito.

Pense, reflita, aja com consciência e empatia,

Pois a Terra, nossa mãe, merece nossa poesia.

Que possamos honrá-la, em cada gesto e decisão,

Para que sua beleza e mistério perdurem, em perfeita comunhão.

Saudade

Hoje eu acordei mais velha. Trinta e dois. E lembrei das aulas de teatro da adolescência. Um dia, o exercício era montar uma cena em que todos os sons tinham que ser expressos por números. E uma aluna inventou uma campainha que tocava: “trinta e dooois”. Morremos de rir! Naquela época, eu nem imaginava como seria essa idade. Te conheci poucos anos depois, em uma dessas aulas ou ensaios. Você era pequeno, mas talentoso como um gigante. E ao completar trinta e dois, percebi que é o dobro de dezesseis, a idade em que te perdi. Todos perdemos.

Saudade.
Admirava seu talento. E sua luta. E o dia da sua partida foi o contato mais forte que tive com a morte. A pior delas. A de um jovem. Cheio de vida.

Saudade.
Lembrei de uma aula que você chamava meu nome pela janela e se escondia. Brincadeira idiota. Engraçada.

Saudade.
E lembrei das festas em que você era DJ. Da cena que você largou e eu substituí. Da louca correria do palco para a cabine de luz. Dupla função. Executada perfeitamente bem.

Saudade.
E pensei também naquela época. Em mim, você, e todos nós. Nosso grupo. Nossa família. Uma fase em que tínhamos esperança. Saímos pelas ruas de nossa pequena cidade com adesivos do candidato a presidente. Aquele que mudaria o país! E daria as condições para vivermos da nossa arte.

Saudade.
De uma fase em que havia lirismo. Havia fé. Havia alguma coisa de romântica que não encontro mais. Na qual escrevíamos cartas de amor. E sentíamos saudade de alguém. Diferente de hoje, em que temos saudade de sentir saudade de alguém. Não temos tempo pra sonhar, nem para amar. Até porque, tudo isso está fora de moda.

Saudade.
De acreditar em política. Em mudança social. Em direitos humanos. Em teatro. Em amor.

Saudade.
De você, dos nossos amigos, da nossa vida. De mim mesma.

Saudade.
“De tempos idealistas que não voltam mais”.

(Quisera eu poder voltar atrás. Ou então, trazer um pouco daquela beleza para o agora. Quisera eu. Mas se não posso, pelo menos escrevo. Se você estivesse aqui hoje, com certeza estaria puto. Tá tudo um saco. Esse tempo não tem nada a ver com você, meu doce artista.)

Áudio de meia hora


Para quem tem curiosidade de saber o que tanto as amigas falam quando trocam áudios imensos.

Amiga, quando você estava casada, quando você sentiu que era hora de terminar?


Quando fiz terapia.Mas até chegar ao ponto de tomar uma atitude assim, foi rápido? Até porquê vocês tinham filhos, torna tudo mais delicado…

Não foi rápido. Com a terapia, primeiro tive que perceber a quantidade de projeções que eu fazia. Como cresci numa família disfuncional e sozinha, joguei sobre o relacionamento todas as expectativas de sucesso e felicidade. Exigi que fossem tapados todos os buraquinhos que a vida fez no meu coração (“tenho um coração com buraquinhos” ), isso tudo porque eu
colocava o relacionamento como sendo a parte mais importante da minha vida, do jeitinho mesmo que é ensinado a todas as mulheres fazerem. A minha falta de mãe fez eu querer ser uma mãe excepcional. E como parte dessa perfeição eu me dava a responsabilidade de oferecer aos filhos uma família padrão. Daí segurei um milhão de coisas para viabilizar isso.

Tô aqui te acompanhando e aprendendo.

Então primeiro eu tive que desfazer minhas projeções, e tive que reencontrar a mim mesma, como pessoa individual, mais que só 1/2 casal. Porque eu também jogava no “projeto casamento” o boleto de tudo que eu não fiz. Não fiz porque não quis, por preguiça, por incapacidade, por escolhas outras, por fatos alheios ao meu controle. Mas eu gostava de ter alguém de carne bem perto para eu acusar. “eu não _____ para estar aqui com você!” Injusto,
né? Faltou autorresponsabilidade. Outra coisa era querer ter tudo sem ter que abrir mão de nada. A vida é escolher. Para ter uma coisa a gente abre mão de outra. De todas as outras. De um infinito universo de outras. E a gente não pode (não tem o direito de) jogar sobre a coisa escolhida o peso de todas as outras não escolhidas. Um custo de oportunidade imenso! A comparação que vale sim fazer é: coisa escolhida X nada. Porque o nada também é uma possibilidade, saca?

Em especial em relacionamento. Enquanto você é gata, capaz e autossuficiente há muitas alternativas. Só nos momentos em que você fica “indesejável” ou passa a necessitar de apoio é que você percebe que quem realmente aposta em estar do seu lado são poucas pessoas.

Contadas. Se pá… uma só. Então é preciso dar muito valor a quem está do seu lado. A pessoa que continua te escolhendo todo dia. Depois que eu voltei a ter uma vida própria, então sim, passei a ver o relacionamento com o tamanho que ele deve ter: uma parceria para um intervalo da vida, que pode ser de meses ou de décadas. E que vai acabar, seja por tédio, seja pela morte de um.

Fiz um paralelo com minha descrição poética do que é a vida: uma viagem de intercâmbio, aonde estou indo para me maravilhar, turistar, sorrir, aprender… mas também preciso trabalhar e cuidar de mim, dos outros, do lugar. E de onde vou embora, porque meu lugar não é ali.

Parceiro é a pessoa que senta do seu lado no trem. É quem vai vigiar suas malas enquanto você vai ao banheiro, é quem cuida da sua segurança enquanto você cochila. E você retribui. Só que mais profundamente: é para quem olho, que me olha de volta. Nesse trem não há espelhos! A gente só consegue saber quem é quando se olha através do outro. Seu espelho está muito sujo? Ou tem moldura de flores?

E você, que espelho é?

Zelia Barbosa é mãe de dois meninos, trabalha num escritório e dá aula de matemática para crianças. Aplica Reiki, cultiva sonhos e escreve abobrinhas.

Neruda

“É a manhã cheia de tempestade
no coração do verão.
Como lenços brancos de adeus viajam as nuvens
que o vento sacode com viageiras mãos.
Inumerável coração do vento
pulsando sobre o nosso silêncio apaixonado.”

                                                     (Pablo Neruda)


estava a observar
aquele sebo
entre usados
e novos
folheio páginas
elas exalam
memórias
dos livros
personifica notável
intrigo-me
no silêncio
cabelo desleixado
seboso
de pele pálida
olhos cansados
em mim
a febre de verões
não há trocas
ou diálogos
apenas desejo
oculto
dias sobrepõe
esse eu lírico
paradoxal
refaço caminho
conto passos
me aproximo
de toda poesia
ofegante disfarço
curiosa
reparo gestos
me perco signos
acordo sonho
ouço voz
ofertando gentileza
ressignifico Platão
apressada
escolho miudezas
por sugestão
a geometria
e lirismo português
esqueço nome
aquele Neruda
e o adeus

Eu Caminho, a Vida Corre

Estou sentada à varanda do verão da minha vida.
O som dos coqueiros me lembra a chuva que bate na janela, pau de chuva, canto indígena.
É ele que me confunde e corro para ver se a roupa no varal vai molhar.
As cadeiras estão ali, pra se namorar enquanto a gente espia a vida passar.
É assim minha casa, que tem cheiro de maresia, som de chuva e vento que é brisa.

Tá vendo a menina passar? É a menina que leva o cachorro, é a gente que leva a vida. 
É a vida que passa, embalada no ritmo da onda que quebra na praia da noite clara.

Eu continuo sentada, enquanto posso, enquanto passa.
Mas essa chuva que não vem pra me molhar me tira do lugar.
Me põe em marcha. 
Eu caminho, a vida corre.

De pé observo o outono chegar, folhas vermelhas de amendoeira, “árvore-de-guarda” me diz Drummond.
Os primeiros fios brancos do tempo se apresentam, a lua é minguante.

Varanda abandonada agora é sala aconchegada.

Minha casa tem cheiro de cedro, canela, especiaria. Vento frio assobia.
A chuva finalmente cai, não tem susto: a roupa está guardada.

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