Eu alimentava um desejo secreto. Desses que a gente não fala pra ninguém. Não porque fosse proibido, mas porque acreditava ser inalcançável. Um sonho de produzir artes. E quando digo artes, me refiro a tudo o que o homem transforma e torna belo por meio de seus sentimentos e habilidades. E por belo me refiro,Continuar lendo “SOBRE GIGANTES, DESEJOS E SONHOS NOSSOS DE CADA DIA”
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Casa de Memórias
Admiro aquelas pessoas que nascem e morrem na mesma casa. Nunca tive uma tenho uma. Tenho várias. Não porque seja proprietária, mas por não ter uma. Filha de pai militar e depois casada com um militar, morei em muitas casas. De cada uma, várias lembranças. Umas boas outras nem tanto.Em todas elas havia a solidão.Continuar lendo “Casa de Memórias”
Ao fechar a porta
Quando uma mulher escreve é preciso fechar a porta atrás de si. Um silêncio profundo me envolve como uma névoa e a aflição da tela em branco é uma velha conhecida. É difícil conter o tsunami de pensamentos que insistem em me levar para o fundo. “Água não tem cabelo”, diziam antigos, para nos encherContinuar lendo “Ao fechar a porta”
A CAIXA
Abri o armário à procura de uma blusa para combinar com a saia estampada.Não podia chegar atrasada e queria causar uma boa impressão no primeiro dia de trabalho. Na pressa da procura da roupa perfeita para a ocasião, tomei um susto quando a caixa rosa com flores azuis e laço de fita caiu aos meusContinuar lendo “A CAIXA”
Meu querido adversário
O medo é um sentimento que costuma me rondar vez ou outra. É a ele que chamo, carinhosamente, de Querido Adversário. Querido, porque, se não fosse ele, eu não teria conseguido enfrentar algumas situações em minha vida. Situações que exigiram coragem, muita coragem e determinação. E foi por causa dele também, medo de me expor,Continuar lendo “Meu querido adversário”
Querido Basílio
Lisboa, um dia qualquer de junho Querido Basílio, O abismo entre nós fez minhas lágrimas secarem, porém, ainda sinto na boca o gosto frio do punhal da humilhação, da chantagem e do abandono que cravaste em mim. Ainda me consumo de arrependimentos, quando lembro que devia ter deixado no passado, aquele amor que chamastes deContinuar lendo “Querido Basílio”
Rocambole, recheio de amor
A cozinha é o meu lugar sagrado de magia, lembranças e meu cômodo preferido da casa. E é desse lugar a lembrança mais nostálgica que carrego comigo. A lembrança do Rocambole de Goiabada que minha mãe fazia, nas raras vezes em que cozinhava. A receita é simples: massa de pão de ló e goiabada cremosa.Continuar lendo “Rocambole, recheio de amor”
A Despedida
É cedo, muito cedo. Ele levanta da cama devagar e os estalos no joelho lembram que a decadência chega para todos. Debaixo do chuveiro a água fria se confunde com lágrimas teimosas que insistem em lhe visitar nos últimos meses. No quarto, sobre a cama de lençol esticado, a roupa preta preferida. Enquanto calça suaContinuar lendo “A Despedida”
