Cuidado comigo. Porque eu não ando só. O bloco de notas do celular está aí para isso mesmo e cada gatilho eu transformo em ideia. Minha literatura é da revanche. Meu contragolpe é na forma de letras. Mexe comigo para você ver só. Te transformo em personagem e na digitação rápida do teclado você vaiContinuar lendo “Literatura da revanche”
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Microcrônicas de capital #6
Como eram muitas pessoas para receber marmitas já descemos os três do carro, um pegou os agasalhos para distribuir. Juliana me mandou olhar para trás: vinham policiais. Pior: polícia montada! Ai, meu Deus! Vão jogar os cavalos sobre as barracas, se não jogarem sobre as pessoas! – Quem é a pessoa responsável pela distribuição? UmaContinuar lendo “Microcrônicas de capital #6”
Pé e mão
Garganta ruim. Acordei tarde e rouca. Arli veio fazer minha unha… Disse que eu estava com voz de quem acabou de acordar. Eram 11h30 da manhã. Com um pouco de vergonha, mas também com raiva da impertinência da pergunta, respondi nem que “sim” nem que “não”: “Estou com uma gripe daquelas”.Mal sabe Arli, mas talvezContinuar lendo “Pé e mão”
Despedidas Breves
Minha amiga vai se aposentar. É uma amiga de trabalho, uma nova amiga, recente na convivência que nem mesmo diária é, afinal, somos empregadas em uma empresa moderna, com direito a trabalho remoto e tudo mais. Ela decidiu se aposentar depois de um longo período pensando a respeito. É uma artista, com lindas pinturas, numaContinuar lendo “Despedidas Breves”
Carnavrau
Terça-feira de carnaval. Saí de casa no horário do almoço do porteiro porque não queria ver nenhum rosto conhecido. O vizinho sentado na portaria atrapalha meus planos. Há fila no mercado que fica em frente à praça onde o bloco toca marchinhas de carnaval. Cruzo com os foliões. Só esse samba enredo já deve terContinuar lendo “Carnavrau”
Selva
O percurso é longo Felizmente A poeira da estrada e as nuvens vaporizadas bailam despreocupadas Pelas veredas, vou me perdendo E me encontrando No oásis dos sonhos conquistados Descanso o corpo calejado Que resiste e me serve, abnegado Sem quase nada cobrar Na ânsia de olhar para a frente Não pauso sobre a rocha forteContinuar lendo “Selva”
Teatro
Tem uma música do Humberto Gessinger que diz assim Se eu pudesse, ao menos, te levar comigo láPr’o alto da montanha, num arranha-céuPr’o alto da montanha, num arranha-céuSem final feliz ou infeliz…atores sem papel Atores sem papelEssa frase mexe comigo e me faz parar para pensarO que são atores sem papel?Gente sem fala decorada.Sem jeitoContinuar lendo “Teatro”
Microcrônicas de capital #3
– Não pode usar essa rua de ponto sem autorização, baranga!– Só estou indo para casa.– Nesse chic? Tava onde?– Num casamento.– E volta para casa de ônibus? Pelamor! Cê mora longe?– Depois da Avenida mais oito quadras.– Mona, sofre não! Pega minhas havaianas e põe esse salto na sacolinha, toma!– Tem alguma coisa aquiContinuar lendo “Microcrônicas de capital #3”
Eu mergulho
Em um mar de amor De fé De dor De poesia Não me basto Não me completo Não me findo Eu mergulho Afundo fundo Em minhas águas profundas e serenas Me busco Sou enseada Lagoa Piscina natural Rio manso, remanso E me lavo, me limpo, me levo Navego sem fim Deixo a correnteza agir JáContinuar lendo “Eu mergulho”
Obra
sob expressão introspectiva permaneço imóvel sentimento enigmático destaca rosto capto mensagem oculta sfumare busco riso me perco multidão recrio Da Vinci na Epístola aos Coríntios examino-nos este é o meu corpo nosso templo em eucaristia devora a Última Ceia bebo cálice ascensão corpo sagrado comungo sobreposta no círculo redescubro proporções simetria perfeita algoritmo exato calculoContinuar lendo “Obra”
