A gaveta entreaberta mostrou a camisola encharcadaE que fora displicentemente guardadaPara um novo usoO toque gelado eriçou a dor que fingia descansarMas que em um átimo retornou à cena para explicaçõesReiterada e exaustivamenteEm monólogoNa ilusão de que ao se explicarlhe fosse permitido partir Os olhos cerrados ardemE perguntam se sou só água salgadaE de que poçoContinuar lendo “Sou rio e mar”
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Casa de Memórias
Admiro aquelas pessoas que nascem e morrem na mesma casa. Nunca tive uma tenho uma. Tenho várias. Não porque seja proprietária, mas por não ter uma. Filha de pai militar e depois casada com um militar, morei em muitas casas. De cada uma, várias lembranças. Umas boas outras nem tanto.Em todas elas havia a solidão.Continuar lendo “Casa de Memórias”
Trepadeiras brotam da minha cabeça
Trepadeiras brotam da minha cabeça. Uma vasta cabeleira esverdeada que se espalha por todo chão e toma a nudez desprotegida do meu corpo sem critérios. Lá fora ouço os carros, mas dentro de mim só existe o murmúrio de águas, de pedras rolando do farfalhar de árvores. Dos meus poros saem terra vermelha. Dos meusContinuar lendo “Trepadeiras brotam da minha cabeça”
Fotossíntese
Recebo teu brilho Meu coração revela tua imagem em foto Traz a síntese desse amor desmedido Meu respirar transborda tua energia pura, imaculada Nesse fluxo, sou alimentada pela fotossíntese do teu ser
Te vi ontem
Ontem foi mais um dia comum Faz tempo que faço minhas coisas sozinha Sinceramente, não senti sua faltaNo máximo, uma melancolia não identificadaMas eu ainda te vi ontemVocê estava radiante como quando nos conhecemosSeu sorriso ainda me deixou sem fôlegoE mesmo assim, você não me viu. Ainda bem.
Dos tempos em que mergulhei em mim. A terra!
No ventre da Terra, um segredo profundo, Uma história ancestral, um mistério fecundo. A Terra, nossa mãe, em seu silêncio sábio, Nos convida a refletir, a questionar o que é verdadeiro. Ela é a guardiã dos segredos antigos, Das eras passadas, dos tempos perdidos. Em suas entranhas, guardou os segredos da criação, E nos convidaContinuar lendo “Dos tempos em que mergulhei em mim. A terra!”
Áudio de meia hora
Para quem tem curiosidade de saber o que tanto as amigas falam quando trocam áudios imensos. Amiga, quando você estava casada, quando você sentiu que era hora de terminar? Quando fiz terapia.Mas até chegar ao ponto de tomar uma atitude assim, foi rápido? Até porquê vocês tinham filhos, torna tudo mais delicado… Não foi rápido.Continuar lendo “Áudio de meia hora”
Ao fechar a porta
Quando uma mulher escreve é preciso fechar a porta atrás de si. Um silêncio profundo me envolve como uma névoa e a aflição da tela em branco é uma velha conhecida. É difícil conter o tsunami de pensamentos que insistem em me levar para o fundo. “Água não tem cabelo”, diziam antigos, para nos encherContinuar lendo “Ao fechar a porta”
Amanheceu de novo
Entre todas as coisas que quis fazer na vida, algumas foram deixadas de lado inúmeras vezes pelos mesmos motivos. Houveram momentos que eu quis desistir de tudo e até mesmo desaparecer, acho que toda pessoa humana já teve esse pensamento pelo menos uma vez. Se disser que não, é mentira. A vida me ensinou mesmoContinuar lendo “Amanheceu de novo”
Dos tempos que mergulhei em mim. O sagrado!
No ventre da Terra, onde a vida se inicia, Reside o sagrado feminino, fonte de energia. Uma força ancestral, divina e profunda, Que envolve o universo, em sua dança fecunda. Na suavidade do toque, na voz que acalenta, No olhar que transmite amor, na alma que sustenta, A mulher se revela, em sua essência sagrada,Continuar lendo “Dos tempos que mergulhei em mim. O sagrado!”
