O percurso é longo Felizmente A poeira da estrada e as nuvens vaporizadas bailam despreocupadas Pelas veredas, vou me perdendo E me encontrando No oásis dos sonhos conquistados Descanso o corpo calejado Que resiste e me serve, abnegado Sem quase nada cobrar Na ânsia de olhar para a frente Não pauso sobre a rocha forteContinuar lendo “Selva”
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Teatro
Tem uma música do Humberto Gessinger que diz assim Se eu pudesse, ao menos, te levar comigo láPr’o alto da montanha, num arranha-céuPr’o alto da montanha, num arranha-céuSem final feliz ou infeliz…atores sem papel Atores sem papelEssa frase mexe comigo e me faz parar para pensarO que são atores sem papel?Gente sem fala decorada.Sem jeitoContinuar lendo “Teatro”
Microcrônicas de capital #3
– Não pode usar essa rua de ponto sem autorização, baranga!– Só estou indo para casa.– Nesse chic? Tava onde?– Num casamento.– E volta para casa de ônibus? Pelamor! Cê mora longe?– Depois da Avenida mais oito quadras.– Mona, sofre não! Pega minhas havaianas e põe esse salto na sacolinha, toma!– Tem alguma coisa aquiContinuar lendo “Microcrônicas de capital #3”
Eu mergulho
Em um mar de amor De fé De dor De poesia Não me basto Não me completo Não me findo Eu mergulho Afundo fundo Em minhas águas profundas e serenas Me busco Sou enseada Lagoa Piscina natural Rio manso, remanso E me lavo, me limpo, me levo Navego sem fim Deixo a correnteza agir JáContinuar lendo “Eu mergulho”
Obra
sob expressão introspectiva permaneço imóvel sentimento enigmático destaca rosto capto mensagem oculta sfumare busco riso me perco multidão recrio Da Vinci na Epístola aos Coríntios examino-nos este é o meu corpo nosso templo em eucaristia devora a Última Ceia bebo cálice ascensão corpo sagrado comungo sobreposta no círculo redescubro proporções simetria perfeita algoritmo exato calculoContinuar lendo “Obra”
Resenha do livro “Eu sei porque o pássaro canta na gaiola” (autora Maya Angelou)
Deparei-me com esse livro na Bienal do Livro de Fortaleza, em 2022, e o adquiri junto com outras obras. Até então eu nada sabia sobre sua autora, a americana Maya Angelou. Mas fui capturada pelo título avassalador que me fisgou com a promessa de me explicar como alguém privado de liberdade enxergaria o mundo e,Continuar lendo “Resenha do livro “Eu sei porque o pássaro canta na gaiola” (autora Maya Angelou)”
A Vida Sempre Acha um Caminho (ou a Flor de Jericó)
Certamente você já se deparou com calçadas com rachaduras de onde saíam umas ramas verdes de plantinhas teimosas que não sucumbiram à rigidez do concreto e irromperam bravamente. A vida em potencial estava ali, encarcerada e confinada mas viva e resistindo. Na primeira brecha, ela desabrochou. Uma vez, deparei-me com uma frase em um livroContinuar lendo “A Vida Sempre Acha um Caminho (ou a Flor de Jericó)”
Microcrônicas de capital #2
Avenida comercial, tanto camelô e gente nas calçadas que fica difícil ver o chão: mais de um tropeçou no corpo até que alguém diagnosticasse “é o calor” associando o 36°C no termômetro do poste da esquina com o rubor e suor. Nessa certeza tratou logo de tirar-lhe o moletom. No bolso: um cartão vale-passagem doContinuar lendo “Microcrônicas de capital #2”
A árvore (in)visível
Ela estava ali plena Enfeitada e colorida luzes e bolas Afinal Natal Época em que os corações mais esperançosos Aguardam Dádivas e retribuição Aquela inspiração Que enche a vida De um ar meio mágico A árvore … Impossível não ver!? Impossível não sentir!? Eis que para triste espanto (ao menos meu) Ela passa aos olhosContinuar lendo “A árvore (in)visível”
Chovia intensamente lá fora
Chovia intensamente lá fora. Eu queria fazer um fluxo de pensamento. Mas meu cérebro estava travado, empacado, ao lado do Caminho do Artista, atrás de um copo com um cigarro velho. Na TV baixinho notícias de desgraças diversas, toda uma lista de “bondades” e bobagens que o jornalismo nos oferece cotidianamente. Uma bala perdida emContinuar lendo “Chovia intensamente lá fora”
