Microcrônicas de capital #3

– Não pode usar essa rua de ponto sem autorização, baranga!– Só estou indo para casa.– Nesse chic? Tava onde?– Num casamento.– E volta para casa de ônibus? Pelamor! Cê mora longe?– Depois da Avenida mais oito quadras.– Mona, sofre não! Pega minhas havaianas e põe esse salto na sacolinha, toma!– Tem alguma coisa aquiContinuar lendo “Microcrônicas de capital #3”

Obra

sob expressão introspectiva permaneço imóvel sentimento enigmático destaca rosto capto mensagem oculta sfumare busco riso me perco multidão recrio Da Vinci na Epístola aos Coríntios examino-nos este é o meu corpo nosso templo em eucaristia devora a Última Ceia bebo cálice ascensão corpo sagrado comungo sobreposta no círculo redescubro proporções simetria perfeita algoritmo exato calculoContinuar lendo “Obra”

Resenha do livro “Eu sei porque o pássaro canta na gaiola” (autora Maya Angelou)

Deparei-me com esse livro na Bienal do Livro de Fortaleza, em 2022, e o adquiri junto com outras obras. Até então eu nada sabia sobre sua autora, a americana Maya Angelou. Mas fui capturada pelo título avassalador que me fisgou com a promessa de me explicar como alguém privado de liberdade enxergaria o mundo e,Continuar lendo “Resenha do livro “Eu sei porque o pássaro canta na gaiola” (autora Maya Angelou)”

A Vida Sempre Acha um Caminho (ou a Flor de Jericó)

Certamente você já se deparou com calçadas com rachaduras de onde saíam umas ramas verdes de plantinhas teimosas que não sucumbiram à rigidez do concreto e irromperam bravamente. A vida em potencial estava ali, encarcerada e confinada mas viva e resistindo. Na primeira brecha, ela desabrochou. Uma vez, deparei-me com uma frase em um livroContinuar lendo “A Vida Sempre Acha um Caminho (ou a Flor de Jericó)”

Microcrônicas de capital #2

Avenida comercial, tanto camelô e gente nas calçadas que fica difícil ver o chão: mais de um tropeçou no corpo até que alguém diagnosticasse “é o calor” associando o 36°C no termômetro do poste da esquina com o rubor e suor. Nessa certeza tratou logo de tirar-lhe o moletom. No bolso: um cartão vale-passagem doContinuar lendo “Microcrônicas de capital #2”

A árvore (in)visível

Ela estava ali  plena Enfeitada e colorida  luzes e bolas Afinal Natal Época em que os corações mais esperançosos  Aguardam  Dádivas e retribuição  Aquela inspiração  Que enche a vida De um ar meio mágico  A árvore … Impossível não ver!? Impossível não sentir!? Eis que  para triste espanto (ao menos meu) Ela passa aos olhosContinuar lendo “A árvore (in)visível”

Chovia intensamente lá fora

Chovia intensamente lá fora. Eu queria fazer um fluxo de pensamento. Mas meu cérebro estava travado, empacado, ao lado do Caminho do Artista, atrás de um copo com um cigarro velho. Na TV baixinho notícias de desgraças diversas, toda uma lista de “bondades” e bobagens que o jornalismo nos oferece cotidianamente. Uma bala perdida emContinuar lendo “Chovia intensamente lá fora”