Deixar ir

O amor deixou marcas em mimTatuagens desenhadas em mimComo as lembranças que você deixouNo fundo de minhas memóriasE que preciso deixar irPreciso deixar irSua presença pendurada naquela paredeE nos álbuns que colecionávamosTeu cheiro até mesmo na poeira da casaE em tudo que sonhávamos construirTudo isso que euPreciso deixar irAh, preciso deixar irPromessas quebradasE um porta-malasComContinuar lendo “Deixar ir”

Resposta a Rupi Kaur

Amar é fazer sentir-se segura? Aceite o meu amor,sou grata,e só. Não precisa retribuir,não precisa se esforçar,não precisa projetar nada Como uma promissóriadisfarçada de afeto. Essa pergunta  não pode ter resposta Não há garantiasalém do agora,do instante. Nem você pode construirseu castelocom a minha mão de obra. Posso deixar de te amarno próximo dia,ano,década,ou atéContinuar lendo “Resposta a Rupi Kaur”

Erros acertos

Quero escrever tudo errado.Ser hoje dadaísta. E amanhã também. Para horror dos que me olham do alto Achando que eu não sei Quando, na verdade, não me importo Já que tamanho cuidado é mero disfarce de exercício de poder vazio. Improdutivo. Elitista. Segregador. Velho. Já escrevia em 1925 (!), Oswald de Andrade: PronominaisDê-me um cigarroDizContinuar lendo “Erros acertos”

Atrás da Porta

Oito horas da noite em ponto. Toca a campainha do meu apartamento: 304. Meu coração bate acelerado. Sei que é você.Corro até a porta e vejo seu rosto pelo olho mágico. Inquieto e curioso, parece olhar para mim do lado de dentro.Recuo assustada.Uma mistura de sensações toma conta de mim no que parece ser umaContinuar lendo “Atrás da Porta”

Pântano

Um pântano viscoso permeado de armadilhas em espiral, que rodopiam incessantemente. Dança traiçoeira seduz e sorrateiramente envolve com seus ágeis tentáculos, até que seja impossível escapar desse embalo perturbador. Lá o sol aparece de forma tímida, somente quando é insistentemente invocado. E sua aparição efêmera praticamente não interfere na composição daquele estado. As bússolas nãoContinuar lendo “Pântano”

AMOR DE CARNAVAL

“Amor de carnaval desaparece na fumaça, saudade é coisa que dá e passa… “A marchinha de carnaval diz assim, mas eu conheci um rápido amor de carnaval que deixou uma saudade pra sempre.Paul era o seu nome. Americano, turista, mal falando o Português e conseguindo se comunicar melhor em Espanhol.Eu, recém saída da adolescência, exibindoContinuar lendo “AMOR DE CARNAVAL”