Ele voltou do passeio com a cadela e tomou a decisão que adiava há um ano e meio: tirou o corpo da esposa da sala. XXXXXXXXXXXXXXXEla gostava de homens narigudos. Calvos. De gengiva preta. E brochas.O nariz dele era dos grandes. E foi o que a atraiu.Ele era estranho. Só aparecia na piscina do prédioContinuar lendo “Apart hotel”
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A infecção
Ela nunca imaginou que sua vida seria assim. As doenças incuráveis e a loucura. Mas foi o que aconteceu. “É a aleatoriedade da vida”, poderíamos dizer, para tentar consolá-la. Mas ela finge que não busca mais consolo. “Não, foram escolhas”, retrucaria. Péssimas escolhas. Em meio ao caos da vida. Ao capitalismo, a histórias de vidaContinuar lendo “A infecção”
Literatura da revanche
Cuidado comigo. Porque eu não ando só. O bloco de notas do celular está aí para isso mesmo e cada gatilho eu transformo em ideia. Minha literatura é da revanche. Meu contragolpe é na forma de letras. Mexe comigo para você ver só. Te transformo em personagem e na digitação rápida do teclado você vaiContinuar lendo “Literatura da revanche”
Os médicos do INSS não sorriem
Os médicos do INSS não sorriem. Estão sempre com a cara fechada. Pouco papo, poucas ideias. Se você ousa falar, os foras são cortantes. “Não foi isso o que te perguntei” – eis aí uma das frases que ouvi quando tive a audácia de abrir a boca. Passei por você hoje, doutora. Você nem meContinuar lendo “Os médicos do INSS não sorriem”
Pé e mão
Garganta ruim. Acordei tarde e rouca. Arli veio fazer minha unha… Disse que eu estava com voz de quem acabou de acordar. Eram 11h30 da manhã. Com um pouco de vergonha, mas também com raiva da impertinência da pergunta, respondi nem que “sim” nem que “não”: “Estou com uma gripe daquelas”.Mal sabe Arli, mas talvezContinuar lendo “Pé e mão”
Carnavrau
Terça-feira de carnaval. Saí de casa no horário do almoço do porteiro porque não queria ver nenhum rosto conhecido. O vizinho sentado na portaria atrapalha meus planos. Há fila no mercado que fica em frente à praça onde o bloco toca marchinhas de carnaval. Cruzo com os foliões. Só esse samba enredo já deve terContinuar lendo “Carnavrau”
Teatro
Tem uma música do Humberto Gessinger que diz assim Se eu pudesse, ao menos, te levar comigo láPr’o alto da montanha, num arranha-céuPr’o alto da montanha, num arranha-céuSem final feliz ou infeliz…atores sem papel Atores sem papelEssa frase mexe comigo e me faz parar para pensarO que são atores sem papel?Gente sem fala decorada.Sem jeitoContinuar lendo “Teatro”
Faz um tempo
Faz um tempo que saí de cenaAcordo a hora que queroDurmo quando o sono vemTroquei o dia pela noiteJá dormi amanhecendoAcordei anoitecendoVivi fora do tempo das pessoas comunsHabitei o incomumOuvi a chuva cairPintei de madrugadaEstudei às 3 da manhãFui ao mercado meia-noiteVi as luzes dos apartamentos se apagandoE me perguntei quem também estava aliDesperto emContinuar lendo “Faz um tempo”
