Chovia intensamente lá fora

Chovia intensamente lá fora. Eu queria fazer um fluxo de pensamento. Mas meu cérebro estava travado, empacado, ao lado do Caminho do Artista, atrás de um copo com um cigarro velho. Na TV baixinho notícias de desgraças diversas, toda uma lista de “bondades” e bobagens que o jornalismo nos oferece cotidianamente. Uma bala perdida emContinuar lendo “Chovia intensamente lá fora”

Eu gosto de Legião Urbana

Eu gosto de Legião Urbana. Com toda a pieguice do Renato Russo. Com as melodias melancólicas das letras e canções. Com os altos e baixos dos diversos álbuns. Eu gosto de Legião Urbana desde pré-adolescente. Com toda minha juventude imatura. Com toda minha sede de perceber o mundo. Com todos os meus altos e baixos.Continuar lendo “Eu gosto de Legião Urbana”

Dei apenas um tempo

Peguei a mochila velha guardada no canto do quarto. Preenchi com roupas de verão, mas também não esqueci o velho casaco de lã. Precisava me preparar para todas as possibilidades. Chuva forte, sol, garoa, o que fosse. Queria sentir a plenitude de uma nova cidade, com sua natureza, seu patrimônio, sua gente, e até mesmoContinuar lendo “Dei apenas um tempo”

O vestido branco, fio por fio

Ela enfim comprou o tão sonhado vestido branco. Passou semanas envolvida em tecidos, rendas e modelagens. Um mais bonito que o outro. Mas não bastava ser belo, precisava ser perfeito. Como seus sonhos. Aqueles em que estava ao lado de seu príncipe encantando, celebrando a mais bela das uniões. Aqueles em que enfim, depois deContinuar lendo “O vestido branco, fio por fio”

Cerveja Amarga (Rebeca Maia, Ipê Amarelo, 2022, 80 páginas)

“Há três anos eu não esperava que estaria aqui, neste bar, tomando cerveja sozinha enquanto observo o ambiente, as pessoas e reflito sobre tudo o que aconteceu e o que pode acontecer. Há três anos eu não me permitia experimentar sequer esse copo de cerveja amarga…” Solidão, amor, dúvida, melancolia, traumas, e uma série deContinuar lendo “Cerveja Amarga (Rebeca Maia, Ipê Amarelo, 2022, 80 páginas)”

Eu, mulher

Eu, mulher Incorporo o canto de gerações na voz Que gritam, protestam E entoam toda uma ancestralidade FORTE Eu, mulher Escrevo como escravas, mães, negras, domésticas Que reivindicam o próprio corpo Que choram Não querem ser: MORTAS Eu, mulher Cuido, limpo, trabalho, organizo Corro, resgato E digo: NÃO É NÃO! Eu, mulher Tô sempre devendoContinuar lendo “Eu, mulher”

A menina no terraço

De longe ela apreciava parte de sua pequena cidade. Via os telhados compridos e os muros descascados. As pessoas caminhando, ora apressadas, ora tranquilas. Os carros, ônibus, bicicletas e até mesmo carroças. Lina morava em uma cidade pequena, em que ainda persistia a existência destes veículos. E o céu azul e um sol escaldante, típicoContinuar lendo “A menina no terraço”