Nenhuma palavra de amor foi proferidaNa sombra da noite estrelada sem versosNenhuma delas foi ditaDa tinta dos escritores, nem das rimas dos poetasSequer cancionistas a disseramNão há bocas não há bocasNão foram proferidas pelas ruas, pelas travessas, ou em tímidas cartas deamorNenhuma palavra foi dita, pichada em um muro, cantada por entre murmúrios de umContinuar lendo “As sem palavras de amor”
Arquivos do autor:Carol Pessôa
Na estrada
Na estrada Eu estou na estrada Na estrada da vida Catando cacos pelo caminho Olhando o céu azul Pensando no medo do fim Eu estou na estrada Correndo a mil Vendo-a passar em segundos Quase tocando o ar Me atirando nesse mar De areia e pedra Me misturando, camuflando Sendo um pouco dela… Eu estouContinuar lendo “Na estrada”
Eu mergulho
Em um mar de amor De fé De dor De poesia Não me basto Não me completo Não me findo Eu mergulho Afundo fundo Em minhas águas profundas e serenas Me busco Sou enseada Lagoa Piscina natural Rio manso, remanso E me lavo, me limpo, me levo Navego sem fim Deixo a correnteza agir JáContinuar lendo “Eu mergulho”
Chovia intensamente lá fora
Chovia intensamente lá fora. Eu queria fazer um fluxo de pensamento. Mas meu cérebro estava travado, empacado, ao lado do Caminho do Artista, atrás de um copo com um cigarro velho. Na TV baixinho notícias de desgraças diversas, toda uma lista de “bondades” e bobagens que o jornalismo nos oferece cotidianamente. Uma bala perdida emContinuar lendo “Chovia intensamente lá fora”
Três vezes amor
Em teus versos me perco Tua beleza, meu espanto Se digo que vou te amar Na verdade, já amo *** Tô pra receber um dinheiro Vou te comprar a tv E um casaco maneiro Pra nunca mais te perder Mas se a grana faltar Prometo me esforçar Pra compensar em versos Poema não vai faltarContinuar lendo “Três vezes amor”
Eu gosto de Legião Urbana
Eu gosto de Legião Urbana. Com toda a pieguice do Renato Russo. Com as melodias melancólicas das letras e canções. Com os altos e baixos dos diversos álbuns. Eu gosto de Legião Urbana desde pré-adolescente. Com toda minha juventude imatura. Com toda minha sede de perceber o mundo. Com todos os meus altos e baixos.Continuar lendo “Eu gosto de Legião Urbana”
Saudade
Hoje eu acordei mais velha. Trinta e dois. E lembrei das aulas de teatro da adolescência. Um dia, o exercício era montar uma cena em que todos os sons tinham que ser expressos por números. E uma aluna inventou uma campainha que tocava: “trinta e dooois”. Morremos de rir! Naquela época, eu nem imaginava comoContinuar lendo “Saudade”
A Beleza do Mundo
Dia desses comprei um vestido novo para Internet. Dessas compras por impulso, em que você não mede muito as consequências: o que fala mais alto é o desejo, puro e simples, quase carnal. O vestido era preto e branco, com leves estampas coloridas. Na modelo, tinha um caimento suave, nem muito justo, nem muito folgado.Continuar lendo “A Beleza do Mundo”
Dei apenas um tempo
Peguei a mochila velha guardada no canto do quarto. Preenchi com roupas de verão, mas também não esqueci o velho casaco de lã. Precisava me preparar para todas as possibilidades. Chuva forte, sol, garoa, o que fosse. Queria sentir a plenitude de uma nova cidade, com sua natureza, seu patrimônio, sua gente, e até mesmoContinuar lendo “Dei apenas um tempo”
O vestido branco, fio por fio
Ela enfim comprou o tão sonhado vestido branco. Passou semanas envolvida em tecidos, rendas e modelagens. Um mais bonito que o outro. Mas não bastava ser belo, precisava ser perfeito. Como seus sonhos. Aqueles em que estava ao lado de seu príncipe encantando, celebrando a mais bela das uniões. Aqueles em que enfim, depois deContinuar lendo “O vestido branco, fio por fio”
