Nenhuma palavra de amor foi proferida
Na sombra da noite estrelada sem versos
Nenhuma delas foi dita
Da tinta dos escritores, nem das rimas dos poetas
Sequer cancionistas a disseram
Não há bocas não há bocas
Não foram proferidas pelas ruas, pelas travessas, ou em tímidas cartas de
amor
Nenhuma palavra foi dita, pichada em um muro, cantada por entre murmúrios de um bêbado
Ninguém disse “saudade”, porque
Hoje não há palavras de amor
Porque o amor está em falta
Não veio na entrega do leite e do pão
Ele está escasso e caro
Não vale a carne do mês
O amor está em falta nas calçadas, nas canções, nas casas, nas confecções
Por aqui, resta tecer meus reclames revoltosos
De falta de amor
De falta de
De falta
Falta
*Texto selecionado no concurso de poemas Turmalina 2024
