Envelhecer

Envelhecer não acontece com o passar dos anos. Pelo menos dentro da gente, envelhecer tem um tempo para querer acontecer. Pra dar as caras. Chega de vez e assusta, transforma. Assusta porque transforma. Envelhecer causa estranheza em que tá dentro mais do que quem vê de fora. A beleza, aquela já conhecida, faz que vaiContinuar lendo “Envelhecer”

Vim para a cidade grande

Essa história começou há quase 20 anos. Com uma mochila nas costas, muitos sonhos e pouca grana, vim pro Rio de Janeiro estudar. Em universidade grande, pública. No início estranhei. Os alunos em sua maioria eram mais novos. Levei 3 anos para passar no vestibular. Escolhi um curso concorrido: jornalismo. Mas logo conquistei amigos. AlgunsContinuar lendo “Vim para a cidade grande”

Flash mob na madrugada

Tivemos um dia de trabalho exaustivo. Eu e Paulo trabalhamos na mesma empresa, em equipes diferentes. A primeira vez que nossos olhares se cruzaram foi durante um almoço – daqueles bem barulhentos e desorganizados, onde todos falam, mas quase ninguém se escuta.Era uma mesa enorme e eu cheguei atrasada. Todos já estavam sentados, e oContinuar lendo “Flash mob na madrugada”

Precisei

De um tempo pra pensarDe muitas noites de sonoDe colo, de carinhoDe amigos, de amoresDe provar novos saboresE remédios pra tantas dores…E precisei me curar PreciseiAprender dizer nãoE precisei ser forteNegar desejosAssumir ensejosVirar-me do avessoRecomeçar do chão Precisei amor, acima de tudoBloquear, desamarEsquecer, recusarSer firme, ser duraFicar mudaMe amar

AMOR DE CARNAVAL

“Amor de carnaval desaparece na fumaça, saudade é coisa que dá e passa… “A marchinha de carnaval diz assim, mas eu conheci um rápido amor de carnaval que deixou uma saudade pra sempre.Paul era o seu nome. Americano, turista, mal falando o Português e conseguindo se comunicar melhor em Espanhol.Eu, recém saída da adolescência, exibindoContinuar lendo “AMOR DE CARNAVAL”

Me dê meu chocolate, minhas rosas e meus direitos!

Neste ano, o Dia Internacional da Mulher me trouxe um sentimento incômodo que ainda não consegui nominar com precisão (sentimentos são precisos?). Talvez até o final deste texto que ora inicio, eu encontre um punhado de palavras que façam jus ao que vem me habitando nesses dias. Estou ficando velha. O algoritmo da rede socialContinuar lendo “Me dê meu chocolate, minhas rosas e meus direitos!”

Espelhos (in)finitos

Foi nesse labirinto de imagens dentro de imagens que ela paralisouAs imagens levavam a uma descida íngreme, vertiginosaAo seu lado, pessoas desciam de forma rápida, desatentas, quase hipnotizadasSeria eu AlicePerdida e achadaEm discretos Intervalos de mim mesma?O último minuto passou em horas (…)Como pode me iludir, senhor tempo!?CoragemDecidi voltarNa contramãoNo contrafluxoNo contra tudoCausando estranheza eContinuar lendo “Espelhos (in)finitos”