Dualismo

Acordei ainda atordoada. Minha cabeça pulsava deixando meu rosto contraído de dor. Continuar ali deitada me traria mais desconforto. Levantei meio tonta. Caminhei até à cozinha e tomei um gole d’água bem devagar, tentando alinhar meus pensamentos.

Aconteceu de novo. Qual será a razão disso tudo? Porque esses sonhos perturbadores insistem em me atormentar? Tal qual a água descendo em um funil, muitas perguntas rodopiam aqui dentro.

Por hora, minha mente só me permite lembrar de alguns takes desses pesadelos recorrentes. Apesar disso, o personagem principal sempre está lá.

Algumas vezes ele despeja em mim toda a fúria que parece sentir. Em outras, embala-me numa espécie de dança maligna até que eu esteja completamente submersa e sufocada. De quando em quando, sequestra meus queridos e os embosca em seus esconderijos disfarçados. Ele é sagaz e também aparece de mansinho. Quando vem assim, me lança um olhar desafiador ansiando me envolver em seu corpo infinito.

E num dualismo desconcertante, sigo sem entender como o mesmo mar que tanto me satisfaz durante o dia, consegue, à noite, obstinadamente roubar meu sossego.

Crédito da imagem: BBC Brasil

Os textos representam a visão das respectivas autoras e não expressam a opinião do Sabático Literário.

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