Ode fria ao sofá amarelo

durante um tempo
tive ciúmes.
não de corpos atravessados
ou atravancados,
ciúmes de um quê de todas as pessoas.
dos sorrisos que te roubaram
exibindo a nudez de seus dentes
irregulares.
das voltas que seus pés davam
e tocavam um solo de redemoinhos
balançado os braços
do vento que produzia
ao movimentar o ar,
aquele que te tocava inteira,
na curva de um tempo de aindas.
e rangi os dentes pelo brilho dos seus olhos
à luz de uma vela.
do banco do trem
da porta do ônibus
do elevador
do trinco da janela
do sofá amarelo,
aquele que suportou seu peso
seu choro,
seu gozo.
Senti a falta de todo um eu
que não estava lá.

Publicado por Katja Mota

Não fui eu, foi o meu eu lírico.

4 comentários em “Ode fria ao sofá amarelo

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