Clarice contempla a tela iluminada do Escritec. O único lugar onde ainda consegue preservar algo de si mesma nesse mundo arrasado. Os dedos deslizam a caneta digital em rabiscos que se perdem na pouca luz: — Vamos resistir… — O ar falhou por um segundo. —…juntos. Pela janela empoeirada do bunker, ela observa a neblinaContinuar lendo “Escritec: Parte 2”
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Escritec
No ano em que as cidades formavam um tapete de concreto, e o Sol se arrastava sobre um céu cinza, Clarice, escritora e apaixonada por plantas, inclinou-se sobre o canteiro no centro da praça que teimava em respirar. O pó fino do ar invadia seus pulmões, ao mesmo tempo que as dúvidas em sua cabeça.—Continuar lendo “Escritec”
Me lembrei de você, mas sem saudade
Acordei de manhã cedo, fui procurar uma música no Spotify. Ouvir Home, do New West. Mas quando coloquei o H apareceu a sugestão de Hotel California. Cliquei. Imediatamente fiquei conectada com o nosso passado. Você adorava essa música e sempre cantava. Já escrevi sobre isso em outro conto. Lembrei do que vivemos juntos, das nossasContinuar lendo “Me lembrei de você, mas sem saudade”
Chamado
O amor é uma fugae nós corremos ao encontro delequando nos sentimos sós,desamparados, carentes. Estou carente de ti,menino valente. Eu amo a ti,rapaz delinquente. Eu desejo a ti,homem potente. Vem,me ama,me explora.Eu vou gostar.
Pornografia
miséria gente na rua gente com fome gente morrendo sem atendimento nos hospitais orfanato crianças abandonadas bebê jogados em caçambas de lixo lixão falta de saneamento básico esgoto a céu aberto gente meio bicho meio gente tentando sobreviver só mais um dia a realidade é um filme proibido para menores de 18
Vai passar – Dançando na Varanda
A você que já teve ou está tendo uma forte crise emocional, senta, me dá a mão, olha nos meus olhos e ouve: vai passar. Eu sei que parece que não vai. Sei que você só quer que a dor pare, vá embora e te deixe em paz, porque é insuportável e você não mereceContinuar lendo “Vai passar – Dançando na Varanda”
Morde e assopra
Diana se deitou no sofá. A casa parecia silenciosa demais. O choro, contido até o momento, desabou silencioso. Ficou ali, por um bom tempo, até a dor no peito diminuir. Pela primeira vez, em anos, havia pensado em si mesma. Tinha iniciado a busca por um espaço próprio longe de interferências alheias. A que preço,Continuar lendo “Morde e assopra”
Adolescência
Ao longo dos anos a minha alegria foi se perdendo junto com a minha autoconfiança. Posso afirmar que tive uma verdadeira era de identidade, assumindo de tempos em tempos personalidades diversas que não se encaixavam no meu ideal de vida. A morte da cada personagem – chamo assim as personalidades – me trazia mais angústias,Continuar lendo “Adolescência”
Casa com alma bagunçada
Mais que preferências na decoração, nossa casa carrega histórias espalhadasem cada canto.Os tapetes sumiram quando minhas duas meninas vieram morar comigo. Eu amo tapetes pela casa. A filha, não.Esparramadas no sofá, assistíamos a filmes de todo tipo. A pipoca se misturava com o chão, e a sala virava acampamento de sábado à noite. A PrincesinhaContinuar lendo “Casa com alma bagunçada”
Você
Você tinha cabelos esvoaçantes e gostava de sorrir quando as gotas da chuva escorregavam em seu corpo. Você que me acenava de longe com suas florzinhas saltitantes. Que no sol a pino brilhava como prata nova, mas que ao entardecer se banhava com o laranja do fim do dia. Você que deitava cedo na peleContinuar lendo “Você”
