Em meio a fumaça do charutoAtravés do vidro do copo de Campari Suas ideias ricocheteiam na minha essênciae…me escolho Preciso de uma boca muito mais sedenta do que a tuanuma taça de Brüt.
Arquivos da categoria: Poemas
Faz um tempo
Faz um tempo que saí de cenaAcordo a hora que queroDurmo quando o sono vemTroquei o dia pela noiteJá dormi amanhecendoAcordei anoitecendoVivi fora do tempo das pessoas comunsHabitei o incomumOuvi a chuva cairPintei de madrugadaEstudei às 3 da manhãFui ao mercado meia-noiteVi as luzes dos apartamentos se apagandoE me perguntei quem também estava aliDesperto emContinuar lendo “Faz um tempo”
Salve, Mulher
Salve, Mulher Rainha de onde quiser Vida de corres, no amor ou no ódio No ponto de ônibus Na fila da van Esperando o uber Salve É por você que choram Bocas famintas em casa Para você suplicam o peito, o carinho, a cama na hora do sono Nos conte uma história, faça um cafuné,Continuar lendo “Salve, Mulher”
Sou rio e mar
A gaveta entreaberta mostrou a camisola encharcadaE que fora displicentemente guardadaPara um novo usoO toque gelado eriçou a dor que fingia descansarMas que em um átimo retornou à cena para explicaçõesReiterada e exaustivamenteEm monólogoNa ilusão de que ao se explicarlhe fosse permitido partir Os olhos cerrados ardemE perguntam se sou só água salgadaE de que poçoContinuar lendo “Sou rio e mar”
Três vezes amor
Em teus versos me perco Tua beleza, meu espanto Se digo que vou te amar Na verdade, já amo *** Tô pra receber um dinheiro Vou te comprar a tv E um casaco maneiro Pra nunca mais te perder Mas se a grana faltar Prometo me esforçar Pra compensar em versos Poema não vai faltarContinuar lendo “Três vezes amor”
Nozinho
Céu azul De brigadeiro nada! De menina-moça Que chacoalha as tranças e balança a roupa, a saia, a roda O vestido dança O balão na mão Que também se encanta Com o vento que toca Que faz som de andança De esperança De ir mais longe E voar sem trança Sem tranca Pelo céu azulContinuar lendo “Nozinho”
Erva de Passarinho
Hoje a tristeza me tomouPresa em seu visgodesorientadaRaiz fraca, queda certaO estômago vazioSem sal, sem ceiaO coração em desalinhoSeiva bruta deseja Cessem os adeusesPodem as folhas secasAté que a luz se apagueA energia se esvai dePouquinhoPartir é perder o brilhoSol que se apagaDia frio Não seja a tristezaMinha companheiraComo planta trepadeiraErva de passarinhoSugando de mimContinuar lendo “Erva de Passarinho”
Neruda
“É a manhã cheia de tempestadeno coração do verão.Como lenços brancos de adeus viajam as nuvensque o vento sacode com viageiras mãos.Inumerável coração do ventopulsando sobre o nosso silêncio apaixonado.” (Pablo Neruda) estava a observaraquele seboentre usadose novosfolheio páginaselas exalammemóriasdos livrospersonifica notávelintrigo-meno silênciocabelo desleixadosebosode pele pálidaolhos cansadosem mima febre de verõesnão há trocasou diálogosapenasContinuar lendo “Neruda”
Hoje estou louca
Hoje estou loucae vou plantar a loucura nas brechasdo passeio, nas lacunas do concreto. Assim passeando,dançarei na praça nua!Falo de mim, é claro, mas da praça também. Cuidado: Aqui a palavra é dual Declaro: Somos todas um trisal!Eu, a praça e a palavra. Se não quiser ver – Que se vire!Nossa união aqui é deContinuar lendo “Hoje estou louca”
Três em nós dois
Vi-te com elaEufóricoDesinibidoDono de tiTu a abraçavas E a engolias, sedentoComo se não existisse o porvir Fundias-te a ela como se fosse a únicaE como se fosse a última vezSem hesitarPara, no dia seguinte, desdenhares dela E me prometeres amor eterno No teu sussurro Entorpeces-me com esperanças frágeisDe que não mais a verásDe que nãoContinuar lendo “Três em nós dois”
