Faz um tempo

Faz um tempo que saí de cenaAcordo a hora que queroDurmo quando o sono vemTroquei o dia pela noiteJá dormi amanhecendoAcordei anoitecendoVivi fora do tempo das pessoas comunsHabitei o incomumOuvi a chuva cairPintei de madrugadaEstudei às 3 da manhãFui ao mercado meia-noiteVi as luzes dos apartamentos se apagandoE me perguntei quem também estava aliDesperto emContinuar lendo “Faz um tempo”

Salve, Mulher

Salve, Mulher Rainha de onde quiser Vida de corres, no amor ou no ódio No ponto de ônibus Na fila da van Esperando o uber Salve É por você que choram Bocas famintas em casa Para você suplicam o peito, o carinho, a cama na hora do sono Nos conte uma história, faça um cafuné,Continuar lendo “Salve, Mulher”

Sou rio e mar

A gaveta entreaberta mostrou a camisola encharcadaE que fora displicentemente guardadaPara um novo usoO toque gelado eriçou a dor que fingia descansarMas que em um átimo retornou à cena para explicaçõesReiterada e exaustivamenteEm monólogoNa ilusão de que ao se explicarlhe fosse permitido partir Os olhos cerrados ardemE perguntam se sou só água salgadaE de que poçoContinuar lendo “Sou rio e mar”

Erva de Passarinho

Hoje a tristeza me tomouPresa em seu visgodesorientadaRaiz fraca, queda certaO estômago vazioSem sal, sem ceiaO coração em desalinhoSeiva bruta deseja Cessem os adeusesPodem as folhas secasAté que a luz se apagueA energia se esvai dePouquinhoPartir é perder o brilhoSol que se apagaDia frio Não seja a tristezaMinha companheiraComo planta trepadeiraErva de passarinhoSugando de mimContinuar lendo “Erva de Passarinho”

Neruda

“É a manhã cheia de tempestadeno coração do verão.Como lenços brancos de adeus viajam as nuvensque o vento sacode com viageiras mãos.Inumerável coração do ventopulsando sobre o nosso silêncio apaixonado.”                                                      (Pablo Neruda) estava a observaraquele seboentre usadose novosfolheio páginaselas exalammemóriasdos livrospersonifica notávelintrigo-meno silênciocabelo desleixadosebosode pele pálidaolhos cansadosem mima febre de verõesnão há trocasou diálogosapenasContinuar lendo “Neruda”

Três em nós dois

Vi-te com elaEufóricoDesinibidoDono de tiTu a abraçavas E a engolias, sedentoComo se não existisse o porvir Fundias-te a ela como se fosse a únicaE como se fosse a última vezSem hesitarPara, no dia seguinte, desdenhares dela E me prometeres amor eterno No teu sussurro Entorpeces-me com esperanças frágeisDe que não mais a verásDe que nãoContinuar lendo “Três em nós dois”