Antigamente, dizem, eram os escritores, a folha em branco e o escrever à mão. Então, veio ela, a máquina de escrever, e os escritores passaram a sentar-se à mesa, graves, para redigir seus textos. Depois, chegou o computador e lá vemos o escritor e a batida figura do sofredor em frente à outrora folha, agoraContinuar lendo “Zap”
Arquivos da categoria: Poemas
Ruas nuas
Saio pelas ruas nuas da cidadeRuas tristes, sem vidaOnde estão as crianças correndo?Onde estão as matriarcas nas janelasvigiando as filhas das vizinhas e não suas filhas sempre castas? Saio pelas ruas nuas do bairroCom meu cachorro a passearSó encontro carros E lixo em latões reviradosPelas calçadas espalhados Corpos estiradosDormindo nas calçadasRuas tristesÁrvores cortadasFios emaranhadosVidas emboladasEncolhidasContinuar lendo “Ruas nuas”
Envelhecer
Envelhecer não acontece com o passar dos anos. Pelo menos dentro da gente, envelhecer tem um tempo para querer acontecer. Pra dar as caras. Chega de vez e assusta, transforma. Assusta porque transforma. Envelhecer causa estranheza em que tá dentro mais do que quem vê de fora. A beleza, aquela já conhecida, faz que vaiContinuar lendo “Envelhecer”
É por amor
É por amor que você acorda de madrugada para preparar a merenda do seu filho na escola, ou o almoço no trabalho. É por amor que você fica em um emprego ruim de salário ou benefícios, mas que te preenche no seu sentido de bem-estar social. É por amor que você perdoa alguém que agrediuContinuar lendo “É por amor”
Precisei
De um tempo pra pensarDe muitas noites de sonoDe colo, de carinhoDe amigos, de amoresDe provar novos saboresE remédios pra tantas dores…E precisei me curar PreciseiAprender dizer nãoE precisei ser forteNegar desejosAssumir ensejosVirar-me do avessoRecomeçar do chão Precisei amor, acima de tudoBloquear, desamarEsquecer, recusarSer firme, ser duraFicar mudaMe amar
Espelhos (in)finitos
Foi nesse labirinto de imagens dentro de imagens que ela paralisouAs imagens levavam a uma descida íngreme, vertiginosaAo seu lado, pessoas desciam de forma rápida, desatentas, quase hipnotizadasSeria eu AlicePerdida e achadaEm discretos Intervalos de mim mesma?O último minuto passou em horas (…)Como pode me iludir, senhor tempo!?CoragemDecidi voltarNa contramãoNo contrafluxoNo contra tudoCausando estranheza eContinuar lendo “Espelhos (in)finitos”
Explode
Numa madrugada de quintaAcordo suavementeE me perguntoQuantas horas faltam?Para pedir demissão deste empregoMudar da cidadeVoltar para as aulas de teatroOusar tentar uma nova carreiraOu finalmente ter um filhoEm uma madrugada friaMe espantoCom os rumos da vidaE os desencantosOs sonhos que foram pra frenteE os que se tornaram pesadelosPoderia ter sido diferente?Ainda da tempo de mudar?NesteContinuar lendo “Explode”
Capim-Limão
Decidi que os dias serão capim-limãoAdoro o frescor que vem, sem se preocupar muitoAdoro o cheiro da terra molhada, o barulho da água caindo, a brisa fresca que envolveAdoro o caminhar leve, distraídoA atenção roubadaAs cores que vibramE, se perguntarem por aíOnde está minha responsabilidadeMeus compromissosE minhas inquietaçõesFaz favorDiga que deixei de lado por umContinuar lendo “Capim-Limão”
O Eu do Instante
Não me pegueNem me limiteSou partícula em expansãoSou memória, sonho e imprecisão Me deixe ser euCom reta, curva e ondulaçãoSou fenômeno, instantePosso ser o sim e também o não Sei de onde vimPara onde vou, não seiSe aqui me reconheço, ficoSe me aperta e incomoda, sairei O que me define é amploVasto, profundo e enraizadoAContinuar lendo “O Eu do Instante”
Apenas mergulhe nisso!
CéuEm 2024 ela se deixou levar. Como pena leve ao vento. Saltou para o novo, respirou outros ares, deu asas à fantasia. Entregou todo o seu coração, em direção ao céu. TerraMas também caiu tantas vezes. Tropeçou em pedras, se perdeu em tantas metas, e machucou-se. Teve seu coração partido, esfarelou-se em terra. FogoMas comoContinuar lendo “Apenas mergulhe nisso!”
