Espelhos (in)finitos

Foi nesse labirinto de imagens dentro de imagens que ela paralisouAs imagens levavam a uma descida íngreme, vertiginosaAo seu lado, pessoas desciam de forma rápida, desatentas, quase hipnotizadasSeria eu AlicePerdida e achadaEm discretos Intervalos de mim mesma?O último minuto passou em horas (…)Como pode me iludir, senhor tempo!?CoragemDecidi voltarNa contramãoNo contrafluxoNo contra tudoCausando estranheza eContinuar lendo “Espelhos (in)finitos”

Explode

Numa madrugada de quintaAcordo suavementeE me perguntoQuantas horas faltam?Para pedir demissão deste empregoMudar da cidadeVoltar para as aulas de teatroOusar tentar uma nova carreiraOu finalmente ter um filhoEm uma madrugada friaMe espantoCom os rumos da vidaE os desencantosOs sonhos que foram pra frenteE os que se tornaram pesadelosPoderia ter sido diferente?Ainda da tempo de mudar?NesteContinuar lendo “Explode”

Capim-Limão

Decidi que os dias serão capim-limãoAdoro o frescor que vem, sem se preocupar muitoAdoro o cheiro da terra molhada, o barulho da água caindo, a brisa fresca que envolveAdoro o caminhar leve, distraídoA atenção roubadaAs cores que vibramE, se perguntarem por aíOnde está minha responsabilidadeMeus compromissosE minhas inquietaçõesFaz favorDiga que deixei de lado por umContinuar lendo “Capim-Limão”

O Eu do Instante

Não me pegueNem me limiteSou partícula em expansãoSou memória, sonho e imprecisão Me deixe ser euCom reta, curva e ondulaçãoSou fenômeno, instantePosso ser o sim e também o não Sei de onde vimPara onde vou, não seiSe aqui me reconheço, ficoSe me aperta e incomoda, sairei O que me define é amploVasto, profundo e enraizadoAContinuar lendo “O Eu do Instante”

Apenas mergulhe nisso!

CéuEm 2024 ela se deixou levar. Como pena leve ao vento. Saltou para o novo, respirou outros ares, deu asas à fantasia. Entregou todo o seu coração, em direção ao céu. TerraMas também caiu tantas vezes. Tropeçou em pedras, se perdeu em tantas metas, e machucou-se. Teve seu coração partido, esfarelou-se em terra. FogoMas comoContinuar lendo “Apenas mergulhe nisso!”

Composição

Não sei compor, meu bemNão sei tocar violãoNão conheço partituraE nem mesmo poesiaNão domino a tal métricaNem tão pouco melodiaMas estou de coraçãoAqui cantando em livres versosQue enfrentei dorDa falta de amorDa falta de amorPouco depois te conheçoNuma feira de ruaE não me esqueçoLogo quis te dar um beijoLogo quis te dar um beijoHoje canto,Continuar lendo “Composição”

Era uma casa muito…

Certamente você não sabe  na minha casa habitam cinco sapos que cricrilam dezenove porcos que relincham, três vagalumes que conversam em inglês e um quarto que só sabe espanhol, duas periquitas que constroem pontes, nove crianças-bolinhas descendo colinas. Na floresta, é o lobo que tem medo de chapeuzinho linguiça é feita de abobrinha. Imagina fazerContinuar lendo “Era uma casa muito…”

paixão de verão

paralelepípedos tropeços subimos ruas arrastando bloco entre confetes serpentinas adentro cortejo marchamos carnaval corpos vibram tambor somos par em fantasia dançando música micropartículas cintilam pele arde sol aquela febre de verões mergulho boca sabor glicose farto sede anzol fisga peixe pescador eufórico esquece molinete presa se perde cardume marcham cinzas paixão de verão azedume