((Esta é uma história sobre traição e desprezo)) Era uma vez uma menina encantada em peixe azul. E um joão dourado que se exibia luminoso com sua parceira nas águas claras de um mar raso. Juntos, foram até o fundo. Mergulharam felizes nas limpas águas. Até que foram surpreendidos pelo peixe azulado, acuado, amuado. AContinuar lendo “João dourado e o peixe azul”
Arquivos da categoria: Contos
Atrás da Porta
Oito horas da noite em ponto. Toca a campainha do meu apartamento: 304. Meu coração bate acelerado. Sei que é você.Corro até a porta e vejo seu rosto pelo olho mágico. Inquieto e curioso, parece olhar para mim do lado de dentro.Recuo assustada.Uma mistura de sensações toma conta de mim no que parece ser umaContinuar lendo “Atrás da Porta”
Nem tão crescida assim
Luci acordou muito cedo naquela manhã, como na maioria dos dias. A claridade atravessava a cortina de voal e dançava sobre sua cama. Ainda sonolenta, ouviu o canto dos passarinhos lá fora e sorriu. Perguntou-se se estariam nas árvores ou em alguma gaiola dos vizinhos. Embora fosse maravilhoso ouvi-los, angustiava-se com a segunda alternativa.Como deviaContinuar lendo “Nem tão crescida assim”
Flash mob na madrugada
Tivemos um dia de trabalho exaustivo. Eu e Paulo trabalhamos na mesma empresa, em equipes diferentes. A primeira vez que nossos olhares se cruzaram foi durante um almoço – daqueles bem barulhentos e desorganizados, onde todos falam, mas quase ninguém se escuta.Era uma mesa enorme e eu cheguei atrasada. Todos já estavam sentados, e oContinuar lendo “Flash mob na madrugada”
A infecção
Ela nunca imaginou que sua vida seria assim. As doenças incuráveis e a loucura. Mas foi o que aconteceu. “É a aleatoriedade da vida”, poderíamos dizer, para tentar consolá-la. Mas ela finge que não busca mais consolo. “Não, foram escolhas”, retrucaria. Péssimas escolhas. Em meio ao caos da vida. Ao capitalismo, a histórias de vidaContinuar lendo “A infecção”
Asfalto quente cor de sangue
O vento quente balançava os cabelos de Elisa. A caixa em suas costas era pesada e inclinava-a para trás, exigindo que ela se agarrasse com mais força à cintura de João. Ainda tinham muitas entregas até o dia de trabalho dele findar. Como elaentraria em seu plantão à noite, no hospital, aquele tempo sobre duasContinuar lendo “Asfalto quente cor de sangue”
Memória
Jogar todas aquelas coisas fora foi como uma despedida a conta gotas. Tinha de tudo naquele quartinho, desde roupas velhas e fotos até documentos pessoais e um telefone antigo. Era com dor que fazia aquilo, mas precisava, pois se mudaria para um apartamento muito menor. Não dava mesmo para levar tudo. Sabia que sua queridaContinuar lendo “Memória”
Farol de pipas
Suas palavras tatuaram minha memória, numa época em que eu ainda usava calças curtas e os papagaios eram muito mais interessantes do que as pernas das garotas. Conheci-o em um final de tarde, enquanto a cortina escura do céu sem nuvens substituía o bailado das pipas pelo espetáculo perene dos luzeiros. A brisa estava prestesContinuar lendo “Farol de pipas”
Conversa de elevador
Aperta o botão e dispara: – Você viu a última foto dele? – Não. Por quê? – Foto na neve. Ela pendurada no pescoço dele e enrolada na echarpe que eu comprei. A foto seguinte é ela mostrando o sapato Louis Vuitton e dizendo: “Presente do meu amor”. – Sério? – Juro! E ele aindaContinuar lendo “Conversa de elevador”
Rir, às vezes, é preciso
Quando me aposentei, imaginei que gastaria o tempo com viagens, passeios e bons livros, mas o minguado soldo rendeu-me um posto cativo no banco da praça — um lugarzinho simpático, rodeado de casas assobradadas dispostas num círculo quase perfeito não fosse à interrupção para a entrada do condomínio. Dia desses, ainda pela manhã, o buchichoContinuar lendo “Rir, às vezes, é preciso”
