Um grupo de homens sem idadebrincava próximo à praiaquando encontrou aquele artefato.Não faziam a menor ideia do que se tratava.A princípio, ficaram distantes —com medo mesmo de se aproximarem.Parecia frágil e singelo, mas…algo não estava certo.Decidiram chamar o ancião para opinar.Chegando mais perto,o ancião ficou paralisado.— Nossa… há quantos anos não ouvia,nem via nada parecido…UmContinuar lendo “O Artefato”
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Jogo dos Sete
Desde cedo,somos treinados,estimulados pelos exemplosa ver os erros…dos outros.Nossa mente vai se moldando,e a mágica acontece:Olhamos e logo podemos apontar:“o que não está certo”“o inadequado”“em excesso”EXAGERADO“insuficiente”Erro alheio…ninguém mais vê?!Cirurgicamente,julgamentos rompemda ponta da língua…ops,da ponta dos dedos.Ah,veneno disfarçado de curae preocupação.Para alguns,um verdadeiro combustível,um whey protein,uma vitamina diária.Caro jogador,desafio você a virar essa chavee mudar esseContinuar lendo “Jogo dos Sete”
Café para Dois
Sentada,olho ao longe pela janela.O cheiro de café invade —é um misto de forçae conforto. Alguém se aproxima…— Já quer pedir?Me viroe encontro um sorriso simpático.Prontamente respondo:Claro!Café para dois, por favor. A moça olha o lugar vazio à minha frente…Estou ali há mais de quinze minutos… Como quem duvida do que ouviu,ela confirma:— Para dois?Sim,Continuar lendo “Café para Dois”
Resposta a Rupi Kaur
Amar é fazer sentir-se segura? Aceite o meu amor,sou grata,e só. Não precisa retribuir,não precisa se esforçar,não precisa projetar nada Como uma promissóriadisfarçada de afeto. Essa pergunta não pode ter resposta Não há garantiasalém do agora,do instante. Nem você pode construirseu castelocom a minha mão de obra. Posso deixar de te amarno próximo dia,ano,década,ou atéContinuar lendo “Resposta a Rupi Kaur”
Espelhos (in)finitos
Foi nesse labirinto de imagens dentro de imagens que ela paralisouAs imagens levavam a uma descida íngreme, vertiginosaAo seu lado, pessoas desciam de forma rápida, desatentas, quase hipnotizadasSeria eu AlicePerdida e achadaEm discretos Intervalos de mim mesma?O último minuto passou em horas (…)Como pode me iludir, senhor tempo!?CoragemDecidi voltarNa contramãoNo contrafluxoNo contra tudoCausando estranheza eContinuar lendo “Espelhos (in)finitos”
Capim-Limão
Decidi que os dias serão capim-limãoAdoro o frescor que vem, sem se preocupar muitoAdoro o cheiro da terra molhada, o barulho da água caindo, a brisa fresca que envolveAdoro o caminhar leve, distraídoA atenção roubadaAs cores que vibramE, se perguntarem por aíOnde está minha responsabilidadeMeus compromissosE minhas inquietaçõesFaz favorDiga que deixei de lado por umContinuar lendo “Capim-Limão”
Ânsia
Ânsia Amanhã eu vou estar com pressaDia cheioHorários tomadosVácuo preenchidoNão tem espaçoNão deixo espaçoEncheLimiteTransbordaSenteColoca tudoDiz a vozCem por cento de aproveitamentoVamos para um café?Agenda (…)Tempo (…)Respira! Ânsia Claro!Quando?Claro(…) Ânsia TempoAmanhã vou estar com pressaMas, amanhã não existe!Só existe o hoje.O Amanhã será o hoje TempoCorpo no passadoAlma no futuroCabeça longe (…)Foca.Respira.Quando?Agora!
A árvore (in)visível
Ela estava ali plena Enfeitada e colorida luzes e bolas Afinal Natal Época em que os corações mais esperançosos Aguardam Dádivas e retribuição Aquela inspiração Que enche a vida De um ar meio mágico A árvore … Impossível não ver!? Impossível não sentir!? Eis que para triste espanto (ao menos meu) Ela passa aos olhosContinuar lendo “A árvore (in)visível”
PERNAS PRETAS EM VARANDAS DE VIDRO
Dia desses precisei sair da minha rotina Em um horário inusitado, fui fazer esteira no estúdio que frequento Sempre que olho pelas janelas de lá, é noite E vejo as varandas vazias, a maioria com as luzes apagadas Mas naquele dia, à luz do sol de quase meio dia Vi algo que me tocou profundamenteContinuar lendo “PERNAS PRETAS EM VARANDAS DE VIDRO”
No Japão também chove
Dia desses me peguei tão dentro de mim que parecia estar em um labirinto. Minha mente vagava por diferentes corredores, em versões distintas de alto otimismo e euforia ao mau pressentimento. Quando estamos assim não adianta ir muito longe, a viagem não deve ultrapassar a distância segura da sala de estar. E nesse fluxo deContinuar lendo “No Japão também chove”
