Semana passada fui convidada a responder uma pergunta que eu julgava saber a resposta. “Por que você escreve?” Não tive palavras na hora. Para me ajudar a responder, pedi ajuda às sábias escritoras que vieram antes de mim. Cecília Meireles me disse em versos: “Eu canto porque o instante existee a minha vida está completa.NãoContinuar lendo “Por que você escreve?”
Arquivos do autor:Elaine Resende
A mulher e o castelo
Naquele castelo do alto, naquela casa fria sem vida, vivia uma mulher seiva. Seus galhos se espalhavam como gavinhas pelo castelo. Apesar de alimentar a todos, ela mesma não se nutria. Certo dia de sol aberto, pleno, expandiu-se para fora desse lugar frio. Sob aquele sol poderoso, a mulher seiva se banhou. Alimentou-se a siContinuar lendo “A mulher e o castelo”
Cordel para Arial 14
Todo mundo tem alguma Coisa pra se preocupar. Um olho que tremilica. Uma pereba pra cuidar. Uma perna que chacoalha E que nada faz parar. Tem gente que tem coisa, Que a gente nem vê de perto Ziquizira e Urucubaca Moléstia de nome incerto Só benzedeira cura Ao rezar o verso certo E tem outrasContinuar lendo “Cordel para Arial 14”
Hoje é dia de Rock, bebê!
Havia um tempo que Mirella se sentia mal. Dor nas costas, nos joelhos, nos cotovelos, na planta do pé, na raiz da vida. Uma árvore na floresta urbana sendo carcomida pelos cupins. Exagero! Mirella era uma boa vida, classe média burguesinha, burguesinha, burguesinha… só no filé. Se vestia com as marcas da moda e nemContinuar lendo “Hoje é dia de Rock, bebê!”
Trinitas
Perto, longe, dentro e fora Por Sônia Souza As portas fechadas e a pintura perfeita indicam que tudo vai bem. ELA está ali, exatamente onde a colocaram, onde outros pudessem ver, cumprindo sua função – na Terra e no Céu.Por dentro, muitas sombras e súplicas, anseios, esperanças, desilusãouma energia caótica contida pelas paredes brancas eContinuar lendo “Trinitas”
Justiça seja feita
Certo, entendi o ocorrido finalmente. Não que eu estivesse em busca de entender coisa alguma, queria mesmo era me ver livre do problema, mas a dúvida não me deixava dormir em paz. Seis meses antes dessa tarde de inverno – alegre demais para o frio que fazia, ensolarada demais para o humor cinza dos presentesContinuar lendo “Justiça seja feita”
Era uma casa muito…
Certamente você não sabe na minha casa habitam cinco sapos que cricrilam dezenove porcos que relincham, três vagalumes que conversam em inglês e um quarto que só sabe espanhol, duas periquitas que constroem pontes, nove crianças-bolinhas descendo colinas. Na floresta, é o lobo que tem medo de chapeuzinho linguiça é feita de abobrinha. Imagina fazerContinuar lendo “Era uma casa muito…”
Âncora Emocional
Belinda e Dani se encontraram para um café da tarde em uma nova cafeteria recém-inaugurada. As amigas conversavam sobre um assunto muito pesado quando a atendente se aproximou para anotar os pedidos. — Dani, não aguento mais! Rodolfo fez de novo. — Não acredito! E você não fez nada? Deixa eu ver essa marca… Oh,Continuar lendo “Âncora Emocional”
Desafino
“Elaine desafinou de novo.” Muitos risos. Recomeçaram a música mais uma vez (de muitas) e Elaine não encontrou o tom. – A culpa é dessa música, não consigo cantar tão agudo. Baixa um tom. – Agora tá grave demais, não consigo cantar tão grave. “É criança, quando crescer a voz firma.” Seus tios violeiros continuaramContinuar lendo “Desafino”
Prazer, Elaine!
Encerrei mais uma aula de fim de semana inteiro. Experimentei estar novamente com um grupo de colegas de profissão, discutindo a aplicação dos nossos conhecimentos. Alguns colegas muito jovens, professores muitas vezes mais jovens que eu. Tudo muito dinâmico, muito intenso, muito. A aula anterior tinha deixado uma marca dolorida na pele, um hematoma deContinuar lendo “Prazer, Elaine!”
