É aqui que ganho a vida

Dedos sujos de tinta.Vou para o escritório mesmo assim.Há que cumprir:A carga horária.O contrato.As tarefas.As metas.As expectativas (alheias e minhas) sobre mimQueria ser outra pessoa.Mas eles não deixam.Eles nunca vão deixar.Gostaria de ir embora. Ainda que encontre isto mesmo em outro lugar.Dizem que muitos gostariam de estar no meu lugar.Os processos, os padrões, as regras,Continuar lendo “É aqui que ganho a vida”

Segunda-feira

Eu queria que amanhã fosse sábado de sol forte e piscina.Em vez disso, segunda-feira.Eu queria que amanhã você estivesse aqui comigo.Em vez disso, segunda-feira.Eu queria que amanhã houvesse brindes by the pool.Em vez disso, segunda-feira.Eu queria um amanhã recheado de risadas e papos.Em vez disso, segunda-feira.Eu queria amanhã delivery de gelo e guloseimas.Em vez disso,Continuar lendo “Segunda-feira”

Franco-brasileiro

As crianças na escola ao lado ensaiam a quadrilha.Não as vejo. Mas sei que estão lá. Pelo som.É quase junho.Não sei se faz sol ou chove.Minha confusão mental.A velocidade vertiginosa das exigências corporativas.Neste apartamento, o toque do Teams.Na escola, Gilberto Gil, Andar com Fé, gritos, palmasO comando da professora ao microfone“Ummmmmmmm”. As crianças entendem oContinuar lendo “Franco-brasileiro”

Erros acertos

Quero escrever tudo errado.Ser hoje dadaísta. E amanhã também. Para horror dos que me olham do alto Achando que eu não sei Quando, na verdade, não me importo Já que tamanho cuidado é mero disfarce de exercício de poder vazio. Improdutivo. Elitista. Segregador. Velho. Já escrevia em 1925 (!), Oswald de Andrade: PronominaisDê-me um cigarroDizContinuar lendo “Erros acertos”