Suas palavras tatuaram minha memória, numa época em que eu ainda usava calças curtas e os papagaios eram muito mais interessantes do que as pernas das garotas. Conheci-o em um final de tarde, enquanto a cortina escura do céu sem nuvens substituía o bailado das pipas pelo espetáculo perene dos luzeiros. A brisa estava prestesContinuar lendo “Farol de pipas”
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Rir, às vezes, é preciso
Quando me aposentei, imaginei que gastaria o tempo com viagens, passeios e bons livros, mas o minguado soldo rendeu-me um posto cativo no banco da praça — um lugarzinho simpático, rodeado de casas assobradadas dispostas num círculo quase perfeito não fosse à interrupção para a entrada do condomínio. Dia desses, ainda pela manhã, o buchichoContinuar lendo “Rir, às vezes, é preciso”
ABSOLVIÇÃO
Seguiu para o Largo do Paissandu. Entrou na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em busca de conforto para os pés e para a alma. Se acomodou defronte ao altar, sob o olhar piedoso dos santos.Tentou recitar uma oração, mas a memória lhe faltava.O pároco se aproximou:— Neste horário não há missas,Continuar lendo “ABSOLVIÇÃO”
Essências
— Amiga, não entendo o porquê de querer retornar àquele lugar. — Também estou feliz em te ver. Fique à vontade. Pego um café e te explico tudo. Mas vou logo avisando: tenho pressa. Meu voo sai esta noite. Portanto, se quiser entender minhas razões, ouça tudo em silêncio. A amiga torceu o nariz, masContinuar lendo “Essências”
