A xícara de café preto sem açúcar, a renda da cortina filtrando o feixe luz sobre a escrivaninha. Cenário perfeito para quem decidiu parar a vida e se dedicar a sua escrita.
Os potes abarrotados de canetas e lápis, um arsenal de ideias nesta suposta trégua com o trabalho, anunciam o excesso de organização. A página “Registro Diário” aberta com caixas de seleção marcadas de afazeres desmascara o desejo de um sabático para escrever.
Escrever para quê?, grita a capa do livro ao fundo. Pergunta que ela finge não fazer a si mesma neste hiato para a prática de escrita. O descanso já vem com plano de estudo na fila das boas intenções. A lista de pendências: edição, textos, organização, que insiste em aparecer dentro deste suposto parênteses na rotina.
Edição do novo romance, o carro-chefe que puxa o tom de descanso produtivo. Já é a terceira xícara da manhã e ainda não editou uma linha. Sabático, dizem, é para descansar a mente. A dela decidiu trabalhar horas extras movida a cafeína.
Recesso com listas de tarefas
