Às vezes acho a vida inacreditável.
SÓ ISSO!
Achei que meu destino era partir cedo, sair da terra como ninguém.
Mais uma perda, que triste, tão jovem…
Foi um pensamento louco, num ano de mudanças profundas. Vi acontecer com pessoas próximas, vi partir quem tinha mais a oferecer que eu.
EU SÓ TINHA SONHOS.
Dava tempo de realizar? Dava nada. Faltava o recurso primário da nossa sociedade. Não tinha dinheiro para sonhar.
TUDO É DINHEIRO.
Resisti. Não sei se foi porque a vida é uma questão de sobreviver ou porque comecei a ver que tinha ALGO.
Algo a oferecer, algo a aprender, algo para amar. Que também, dentro do meu pequeno mundo, havia gentileza, beleza e amor. Sonhos para realizar. Encarar a verdade de que nem tudo é dinheiro.
Hoje mal consigo acreditar que um dia achei que iria cedo dessa vida. Quando olho no espelho e vejo as linhas do canto da boca, as pequenas rugas nos olhos, os fios do cabelo que ora clareiam, ora rareiam, me sinto vitoriosa.
Como na música, não tenho medo de aprender a gozar, a gostar e me amar. Cada curva desse corpo sabe bem onde derrapou. E amo ter esse curriculo vasto, bem humorado, sem sequelas e dores de amores presentes ou passados.
O segredo disso tudo? Levei os anos que carrego comigo para descobrir:
Ter me amado antes de esperar que me amassem. Quando me amaram, nada faltava.
Quando encaro o espelho hoje, vejo o reflexo do caminho que escolhi para mim. A vida é mesmo inacreditável!
Foto: Johannes Plenio
