Resenha – A tempestade (Kate Chopin)

Na coletânea intitulada “Damas ferozes: contos feministas que
atravessaram eras”, organizada pela editora Wish, agora vinculada à
DarkSide, autoras de língua inglesa como Virginia Woolf, Charlotte Perkins
Gilman (“O papel de parede amarelo”), Kate Chopin e Katherine Mansfield
expressam o ponto de vista das mulheres do fim do século XIX ou início do
século XX em relação a seu papel na sociedade, maridos, filhos, racismo,
saúde mental e outros temas.

As histórias se inserem em vários gêneros: algumas tratam de situações
cotidianas, num fluxo de consciência, outras flertam com o satírico, o
horror, o suspense, o policial e o erótico.

Hoje vou destacar um conto da Kate Chopin muito interessante e ousado
para a época. Ele se chama “A tempestade” e o mote é bastante simples:
numa noite de tempestade, enquanto o marido e o filho fazem compras
na rua, Calixta acaba presa em casa com o charmoso vizinho, sr. Alcée,
com quem já teve um romance no passado.

Resultado? Os dois acabam não resistindo à tentação e dormem juntos.
Porém, na manhã seguinte, a tempestade passa, o vizinho parte, o marido
retorna com a criança e tudo fica perfeitamente bem.

Não quero aqui incentivar o adultério (risos), mas um conto cuja
protagonista pode se entregar livremente ao seu desejo, sem nenhum julgamento moral por parte do narrador, merece ser louvado e, claro, só
poderia ter sido escrito, com tamanha sensibilidade e sutileza, por uma
mulher.

Vou deixar aqui alguns trechinhos das cenas sensuais para atiçar também
o desejo de vocês, leitoras e leitores, a ponto de procurarem o conto e a
coletânea:

“O contato do corpo de Calixta, quente e palpitante, quando ele a puxou
para seus braços sem pensar havia despertado toda a antiga paixão e o
desejo por sua carne.”

“Quando ele tocou os seios dela, eles se entregaram a um êxtase trêmulo,
convidando os lábios dele. Sua boca era uma fonte de deleite. E quando
ele a possuiu, pareceram desmaiar juntos na própria fronteira do mistério
da vida.”

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