Quero escrever tudo errado.Ser hoje dadaísta. E amanhã também. Para horror dos que me olham do alto Achando que eu não sei Quando, na verdade, não me importo Já que tamanho cuidado é mero disfarce de exercício de poder vazio. Improdutivo. Elitista. Segregador. Velho. Já escrevia em 1925 (!), Oswald de Andrade: PronominaisDê-me um cigarroDizContinuar lendo “Erros acertos”
Arquivos mensais:abril 2025
Ruas nuas
Saio pelas ruas nuas da cidadeRuas tristes, sem vidaOnde estão as crianças correndo?Onde estão as matriarcas nas janelasvigiando as filhas das vizinhas e não suas filhas sempre castas? Saio pelas ruas nuas do bairroCom meu cachorro a passearSó encontro carros E lixo em latões reviradosPelas calçadas espalhados Corpos estiradosDormindo nas calçadasRuas tristesÁrvores cortadasFios emaranhadosVidas emboladasEncolhidasContinuar lendo “Ruas nuas”
Atrás da Porta
Oito horas da noite em ponto. Toca a campainha do meu apartamento: 304. Meu coração bate acelerado. Sei que é você.Corro até a porta e vejo seu rosto pelo olho mágico. Inquieto e curioso, parece olhar para mim do lado de dentro.Recuo assustada.Uma mistura de sensações toma conta de mim no que parece ser umaContinuar lendo “Atrás da Porta”
Pântano
Um pântano viscoso permeado de armadilhas em espiral, que rodopiam incessantemente. Dança traiçoeira seduz e sorrateiramente envolve com seus ágeis tentáculos, até que seja impossível escapar desse embalo perturbador. Lá o sol aparece de forma tímida, somente quando é insistentemente invocado. E sua aparição efêmera praticamente não interfere na composição daquele estado. As bússolas nãoContinuar lendo “Pântano”
Ansiedade
É o que eu sinto ao acordar todos os dias. Ao sair para o trabalho.Ao andar pela estrada.E ao respirar fundo. Pode ser falta de exercício mas nunca será por não ter o que fazer,Será que eu ainda consigo respirar tranquilamente? A vida é feita de escolhas,Mas será que estamos preparados para escolher o nossoContinuar lendo “Ansiedade”
Nem tão crescida assim
Luci acordou muito cedo naquela manhã, como na maioria dos dias. A claridade atravessava a cortina de voal e dançava sobre sua cama. Ainda sonolenta, ouviu o canto dos passarinhos lá fora e sorriu. Perguntou-se se estariam nas árvores ou em alguma gaiola dos vizinhos. Embora fosse maravilhoso ouvi-los, angustiava-se com a segunda alternativa.Como deviaContinuar lendo “Nem tão crescida assim”
Nunca serei mãe
Soa um pouco pesado essa frase: nunca serei mãe. Mas refletindo sobre o tema, me dei conta de que é a mais pura verdade. Além de já estar com a idade um pouco avançada para isso, falta pra mim suporte e o mais importante: um parceiro para esta empreitada. Nunca verei minha barriga crescer. EContinuar lendo “Nunca serei mãe”
Apart hotel
Ele voltou do passeio com a cadela e tomou a decisão que adiava há um ano e meio: tirou o corpo da esposa da sala. XXXXXXXXXXXXXXXEla gostava de homens narigudos. Calvos. De gengiva preta. E brochas.O nariz dele era dos grandes. E foi o que a atraiu.Ele era estranho. Só aparecia na piscina do prédioContinuar lendo “Apart hotel”
