Deixa o novo entrar

Um sentimento de inadequação sempre me invadia quando um relacionamento não dava certo. No que será que eu errei? Poderia ter feito diferente? O que ele não gostou em mim?

Com o tempo, aprendi que o meu gostar não era suficiente para garantir o gostar do outro, que podemos nos pintar de ouro e continuaremos não fazendo diferença na vida de quem não nos quer.

Aprendi que não preciso mudar para agradar ninguém e que o sim é muito claro. Se existe um pingo de dúvida, é não.

Tudo que já nos marcou a ferro quente, nos deixou marcas e cicatrizes também nos ensinou algo. Pessoas também nos ensinam o que não queremos para nós.

Que os finais e as marcas deixadas por todos que nos constituíram como pessoa sirvam de ponte para o recomeço, para o novo atravessar e chegar.

A palavra de ordem é a impermanência. Nada é para sempre, quanto mais tentamos aprisionar nossa felicidade num instante mais ela escapa pelos vãos dos nossos dedos. O que não depende de nós não nos pertence e a atenção plena nos ensina a viver o agora.

Por tudo isso, se o novo bater a sua porta, deixe entrar. Receba com um sorriso, o coração grato, a alma leve. Esquece o que te fizeram no passado, não generalize comportamentos, não coloque as pessoas no mesmo balaio, não finja ser o que não é para agradar e não pense no amanhã, não crie expectativas; principalmente, em relação ao que não depende de você.

Se de alguma maneira o novo te gerar insegurança, ansiedade, dúvidas, desconforto e sentimento de não pertencimento…aguce seus instintos, amplie o campo de visão e esteja alerta se isso não seria um NÃO.

Lembrando, o sim é muito claro e se realmente for ele batendo em tua porta, abra, sem medo, sem reticências e estenda o capacho: SE FOR PRO BEM, PODE ENTRAR E FICAR!

Publicado por claudianagau

Filha, mãe, professora, psicanalista. Apaixonada pela vida, pelos amanheceres, pela lua, por livros, café, charuto e cachimbo. De riso fácil e amiga sincera. Direta até demais. Amante das histórias de mulheres e sobre mulheres e tudo que fale da mulher selvagem, da ancestralidade, do inconsciente coletivo.

3 comentários em “Deixa o novo entrar

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