Escritec: Parte 2

Clarice contempla a tela iluminada do Escritec. O único lugar onde ainda consegue preservar algo de si mesma nesse mundo arrasado. Os dedos deslizam a caneta digital em rabiscos que se perdem na pouca luz: — Vamos resistir… — O ar falhou por um segundo. —…juntos. Pela janela empoeirada do bunker, ela observa a neblinaContinuar lendo “Escritec: Parte 2”

Morde e assopra

Diana se deitou no sofá. A casa parecia silenciosa demais. O choro, contido até o momento, desabou silencioso. Ficou ali, por um bom tempo, até a dor no peito diminuir. Pela primeira vez, em anos, havia pensado em si mesma. Tinha iniciado a busca por um espaço próprio longe de interferências alheias. A que preço,Continuar lendo “Morde e assopra”

Casa com alma bagunçada

Mais que preferências na decoração, nossa casa carrega histórias espalhadasem cada canto.Os tapetes sumiram quando minhas duas meninas vieram morar comigo. Eu amo tapetes pela casa. A filha, não.Esparramadas no sofá, assistíamos a filmes de todo tipo. A pipoca se misturava com o chão, e a sala virava acampamento de sábado à noite. A PrincesinhaContinuar lendo “Casa com alma bagunçada”

No compasso

O cheiro enjoativo de café frio misturava-se ao aroma de livros e papéis acumulados.Janice digitava no velho computador. De tempos em tempos, espiava o velho relógio na parede. Pelas janelas amplas, um vento dos jardins abertos e arborizados do campus empurrava o ar pesado dali de dentro, trazendo consigo o frescor de folhas e gramaContinuar lendo “No compasso”

Deixe a correnteza levar

O sol empurrou para longe o aguaceiro do dia anterior. Mas eu sabia: aquele céu limpo era só um intervalo. Chuva de verão sempre volta. Enquanto me arrumava para levar a filha ao colégio, vesti o meu uniforme de carioca despreocupada: short jeans, blusa sem mangas e chinelos de dedos. A sombrinha dobrável foi umContinuar lendo “Deixe a correnteza levar”

Nem tão crescida assim

Luci acordou muito cedo naquela manhã, como na maioria dos dias. A claridade atravessava a cortina de voal e dançava sobre sua cama. Ainda sonolenta, ouviu o canto dos passarinhos lá fora e sorriu. Perguntou-se se estariam nas árvores ou em alguma gaiola dos vizinhos. Embora fosse maravilhoso ouvi-los, angustiava-se com a segunda alternativa.Como deviaContinuar lendo “Nem tão crescida assim”